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As implicações da tecnologia meta-biológica no aprendizado



Joana estava no colégio, onde mostravam as informações passadas para os mais jovens. Sua primeira impressão foi de que tal coisa se afigurava cruel, inumana, e eis as suas objeções.

- Como vocês podem esperar que essas crianças gravem todo esse conhecimento de uma vez só? não percebem como esse esforço torna a vida delas miserável, na medida em que gastam toda a sua energia memorizando coisas?
- Seria inumano no seu planeta, onde as crianças lamentavelmente dependem apenas do próprio cérebro ou de tecnologia arcaica pra armazenar informação. Aliás, fazem coisas parecidas no seu planeta, o que cria seres humanos complexados, descontrolados, infelizes.
- Como as crianças memorizam as coisas senão com o cérebro?
- Através dos dispositivos meta-biológicos que elas recebem aos dois anos de idade.
- Mas o que é um dispositivos meta-biológico?
- O termo meta-biológico é uma adaptação à sua linguagem. Imaginávamos que sua significação estaria implícita. Desculpe o engano. Artefatos de tecnologia meta-biológica são dispositivos feitos com estrutura de DNA específica desenhada pra se integrarem ao sistema nervoso central. Nesse sentido, poderíamos dizer que é um computador biológicos. Apenas a analogia com sua tecnologia eletrônica não vai longe, pois esse sistema tecnológico é plástico. Ele se adapta às mudanças na estrutura do pensamento do indivíduo, sempre refazendo o processamento das informações armazenadas, e mantém uma leitura das sinapses cerebrais. Assim, quando o indivíduo pensa em se lembrar de determinada informação, ela surge em sua consciência da interface dos dispositivos meta-cerebrais. Esses dispositivos são capazes de realizar traduções de todas as linguagens da terra e da nossa civilização, além de realizar cálculos matemáticos, resolver algoritmos complexos e diversos problemas lógicos mais mecânicos. Além disso, ele possui uma capacidade de armazenamento virtualmente infinita e se integra com o sistema de coordenação motora, além de complementar o sistema nervoso periférico.
- O que? Vocês colocam chips nas suas crianças?
- Chip é um artefato eletrônico. Nós não usamos mais tecnologia eletrônica há alguns séculos.
- Não estou entendendo.

O homenzinho projetou, aparentemente com as mãos, um holograma que ia demonstrando passo a passo a interação entre os dispositivos e o sistema nervoso. Segundo ficou demonstrado, a estrutura do artefato é tão perfeitamente imbricada com o organismo que os próprios neurônios da caixa craniana realizam sinapses com os neurônios artificiais e buscam as informações, sem necessidade de uma interface que interage com os sentidos. Assim, a velocidade do fluxo de informação se torna muito mais rápida e o excesso de informação não sobrecarrega o cérebro.

- Mas... Então como são as provas?
- Não usamos provas como as empregadas por vocês. Elas são um teste de memória, raciocínio mecânico e até resistência física. São uma forma cruel de seleção entre os aptos e os inaptos. Nossas avaliações são se outra natureza. Nossas crianças desenvolvem hipóteses acerca das coisas que observam, criam princípios explicativos, falam sobre suas emoções acerca dessas coisas. Sempre com orientação dos especialistas, que indicam caminhos, entendem a linha de raciocínio da criança e fazem perguntas cruciais. O que buscamos exercitar no sistema de ensino, numa palavra, é a criatividade em suas mais diversas formas.
- Mas como vocês podem dar tanta atenção aos alunos?
- Conseguimos através da tecnologia meta-biológica no organismo dos professores, que permite maior armazenamento de informações sobre os alunos. Além disso, temos uma média de dois professores pra cada aluno, por mais que se formem turmas. Os alunos escolhem cerca de cinco orientadores para seus projetos.
- Isso me deixa angustiada.
- Porque?
- Porque parece que a solução pra educação é tecnologia que não temos a uma quantidade de professores capacitados que não temos.
- Viemos persuadir os habitantes do planeta que nos aceitem como seus visitantes. No entanto, sabemos que o estranho assusta e que a nossa tecnologia causará horror, veneração e diversos outros resultados que não desejamos. Por isso optamos por trazer grupos de nativos para a nossa nave para entenderem melhor como é o nosso modo de vida. Assim, quando chegarmos uma grande parcela da população não nos estranhará, mas antes lembrará daquele sonho que tiveram a nosso respeito.
- como assim sonho?
- Quando você acordar na sua casa hoje, pensará que isso não passou de um sonho.
- Entendi... Posso ver suas crianças?
- Pode claro. Entre por essa porta e vá até o fim do corredor.

Joana foi e a mulher que a acompanhava a seguiu até a porta, onde ela pode entrar e ver três crianças escrevendo, cada uma num ponto diferente da sala. Ela sentou ao lado de uma delas que estava escrevendo com um olhar carinhoso. A criança parecia pequena, de uns seis anos de idade, mas escrevia rapidamente. Quando percebeu a presença de Joana colocou o que usava para escrever de lado. Era como papel, só que virtual.

- Oi. Qual é o seu nome?
- Aquele que traz a mudança.
- Que bom! Tenho certeza de que seus pais gostam muito de você.
- Gostam nada. Tenho pais novos.
- Claro que gostam! Não fale assim. Seus pais escolheram ter você.
- Que base você tem pra falar, ô gigante? Meus pais não são sentimentais. Eles só escolheram meu nascimento para comprovar que a tese a respeito dos filhos que é aceito por muito está errado. Meu nome é assim porque eu, segundo eles, vim para provar que ter filhos é um erro. Eles que se fodam.
- Olha, não precisa ficar assim tão bravo. Sabe, as pessoas cometem erros, mas elas mudam. Perdoe seus pais. Um dia eu sei que eles entenderão o erro que cometeram. Você vai ver.
- Nunca me ofendi com eles. Na verdade eles não são nada pra mim além de pessoas doaram um pouco de energia para meu nascimento. Eles que se fodam, não são família pra mim.

Joana ficou com um olhar triste. Passou a mão nos cabelos do menino e começou a falar

- Quantos anos você tem?- Tenho doze anos. O que foi, esperava outra coisa?
- É que no meu planeta as coisas são diferentes. O que você está escrevendo aí?
- É um sonho que eu tive. Eu vou ser artista, sabe? Quero ser um vagabundo inútil.
- Você quer ser inútil?
- Só estou usando os termos dos meus pais. Pensam que artistas ficam inventando qualquer besteira sem qualquer fundamento e que artistas são inúteis. Mas eu sou artista, e não me importo com o que eles pensam, eu não sou eles, nem quero ser, eles que se fodam.
- Olha, apesar de tudo são seus pais. Você devia respeitá—los.
- Por quê?
- Porque eles te criaram.
- Eu não sou nada pra eles. São uns robôs! Que tal a gente mudar de assunto?
- Você tem alguma ideia?
- Já que você se interessa tanto pela minha vida pessoal eu quero saber sobre a sua.
- Tudo bem.
- Soube que seus hábitos de reprodução são parecidos com os nossos. Você se masturba muito?
- O quê?
- O tradutor está funcionando direito. Ouvi dizer que o seu planeta é cheio de niilistas e que vocês vivem transando e se masturbando o tempo todo. Deve ser o paraíso. Olha, nós não podemos ter filhos por causa do código genético, mas podemos transar, sabia?
- Isso é falta de educação! Não fale assim comigo ou com ninguém. É uma coisa íntima e muito pessoal.
- Por quê?
- Porque sim.
- Há! Você é uma acorrentada! Você tem fetiche com isso?

Joana levantou e saiu de perto do garoto, que continuou escrevendo tranquilamente. Na sala externa foi falar com a mestra em educação sobre o comportamento do garoto.

- Fui desrespeitada por um de seus alunos. Perguntou se eu me masturbo!
- Você não se masturba?
- Isso é problema meu!
- Masturbação é um problema?
- Olha. Eu não me masturbo, tá bem?
- Então faz sexo com frequência?
- Qual é o problema com vocês? Não respeitam a intimidade dos outros, não? Não sabem educar as crianças e por isso ficam mal criadas desse jeito! Aquele menino odeia os pais!
- São sentimentos dele, e não são um perigo para a sociedade. Não podemos reprimi—los.
- São sentimentos negativos e devem ser evitados.
- Você é uma acorrentada.
- O que?
- Você está presa á moral. É uma acorrentada! Cheia de inibições criadas pelos outros no próprio comportamento. Mas isso não é você!
- Eu sei muito bem quem eu sou!
- Não sabe não. Grande parte do que você é não passa de uma mentira. Você fecha seus olhos e glorifica a ingenuidade, mas não é tão ingênua quanto parece.
- Eu não sou ingênua. Só acho que não é certo ensinar crianças a serem revoltadas.
- E então o que é certo ensinar?
- A serem bem comportadas.
- Um erro! Uma criança bem comportada é um robô. Ela se comporta exatamente como os outros acham certo, e faz tudo o que disseram que é certo, mas é acorrentada e nunca desenvolve a si mesma. O problema não estava naquele que traz a mudança, está em você, que tem inibições primitivas de impulsos naturais. Aliás, não são só seus impulsos que você inibe. Veja só, há fatos claros diante dos seus olhos na sua vida que demonstram o meu ponto.

Foi exibido um vídeo para Joana, no qual ela estava transando aos quatorze anos, e depois outro dela grávida. Ela ficou chocada por alguns segundos e começou a chorar, mas logo se recompôs.

- Porra, vocês ensinam suas crianças a transar. Isso é pedofilia.
- As crianças só podem ter relações sexuais dentro de realidade virtual nessa idade. Em uns 3 anos, quando ele demonstrar que possui maturidade, poderá ter relações com robôs, e mais tarde, quando terminar sua primeira tese, poderá ter relações com pessoas de todas as idades. Não temos interesse em fingir que as crianças não possuem sexualidade em época de puberdade. Aquele que trás a mudança está nessa fase, e na realidade virtual, somente programas específicos interagem com ele. Não há abuso por parte de adultos. Se não fosse nessa realidade, ele se masturbaria evocando com a própria mente imagens análogas. É até mesmo estúpido dizer que o estamos corrompendo por deixarmos seus impulsos fluírem com relativa liberdade.

Joana encheu o pulmão de ar, mas não falou nada de imediato.

- Vejo que voe se chateou. Não é minha intenção te aborrecer, mas na interação com nossa civilização é comum que o choque entre culturas cause estranhamento. Depois de um tempo, creio, isso se tornará mais comum.
- Eu melhoro. Só que tem mais uma coisa que me deixa preocupada.
- O Que?
- E se isso for realmente um sonho? E se não houver visitantes? O que faremos para resolver nossos problemas educacionais?
- Pessoalmente, tenho sugestões.
- Me diga
- Em primeiro lugar, façam o maior esforço possível pra integrar a tecnologia no ensino. Depois, deixem de determinar coletivamente o que deve e o que não deve ser aprendido. Que a partir da puberdade, os indivíduos já possam escolher suas preferências, mas que tudo seja como se fosse uma brincadeira.
- Mas a vida não é brincadeira!
- A criança aprenderá sobre os diferentes grupos sociais de sua sociedade globalizada sem ser coagida por alguns deles, como o religioso, esportivo ou científico. Nesse sentido, poderá ter maior autonomia em escolher o que quer ser, e terá menos pressão para aprender coisas que lhe serão irrelevantes no futuro. Devem, também, dar condição de vida digna aos professores, e aumentar, sempre que possível, a quantidade de professores trabalhando. Só isso já resolverá uma infinidade de problemas que vocês possuem.
- Vou pensar nisso. Parece bonito, mas praticamente impossível de aplicar.
- Não será sempre assim. Nossa esperança é que o nosso contato com vocês vá modificando progressivamente a sua forma de ver o mundo. Assim, pretendemos um preparo de dentro pra fora antes de termos contato com os nativos.

A fome


Eu abri a dispensa de casa. Cheia de coisas que me dão asco. Eu não queria comer nada daquilo, embora estivesse cheia. Um biscoito lacrado estava atraindo formigas. Mas aquilo não tinha como me tirar minha fome. Saí de casa andando sem rumo. Eu tinha rumo definido, mas não na mente. Em outro lugar. No inferno, talvez.
Fui selecionando esquinas aparentemente de maneira aleatória. Eu só olhava pro chão, com minha respiração acelerada e minhas mandíbulas rígidas. Minha boca cheia de água: eu estava com fome.
Quando dei conta de mim, estava na frente daquele santuário da perdição. B&K empreendimentos. Uma empresa de contabilidade sem nem uma máquina de vender refrigerante. Entrei assim mesmo.
Nove e meia da noite, o guarda veio me avisar que eu não poderia entrar, ao que tirei uma faca de algum lugar e cortei sua garganta. Continuei andando meio inconsciente, cheguei a pensar de onde tirei a faca. Devo ter pegado em casa e nem vi. O sangue do guarda escorria pelo chão. Eu assisti enquanto esperava o elevador. Bati o pé no chão num ritmo meio acelerado, quase compulsivo.
Subi até o nono andar, eu sabia exatamente onde estava indo. Não havia como esquecer. Foi ali que ele despertou, ou que eu despertei. Não sei, mas ali que tudo despertou. Eu lambi a faca. Detesto gosto de sangue. Tem vida demais...
Aquele lugar era cheio de divisões falsas. Originalmente era um grande salão, mas depois foi dividido e a maioria ficou comprimida num canto pro chefe pode jogar golfe. Só pra ele jogar golfe! Isso enquanto eu desfazia as merdas que ele faz.
Mas não estou enganando você e nem a mim mesmo. Não é porque ele me difamou que estou aqui. Não é porque perdi meu cargo por ele. Eu não ganhava nada por isso, só a empresa. A razão de eu estar aqui é por causa da minha fome que nunca está saciada. Uma fome que me trás sofrimento, desgosto, delírio, agitação, morte. As portas do porão da minha alma foram abertas.
Passei a faca no rosto. O outro lado ainda tinha sangue. Lá estava ele. Tinha uma mulher de lingerie. Gostosa, ela. A secretária dele. Estava chupando o pau dele, enquanto ele segurava um bolo de dinheiro olhando pra cima. Eu sempre fui sorrateiro, nem me viram chegando.
Meu corpo começou a se agitar. Se preparando pro combate, como um primitivo pedindo o auxílio dos deuses. Minha cabeça se contorcendo, tudo girou por uns instantes. Fiquei nervoso, calmo, ansioso, receoso.
Na hora nem vi nada. Quando me dei conta a mulher já estava com a faca atravessada na garganda se debatendo no chão e eu estava derrubando o maldito na mesa de vidro. O som foi delicioso. Quebrou com a cabeça careca do filho da puta. Ele segurou no meu terno com os olhos fechado e eu mordi o pulso dele com toda a força. Ele gritou e me soltou.
Pegou um pedaço pontudo de vidro e apontou pra mim, com um olhar de desespero. Covarde.
Peguei a faca do pescoço da mulher e enfiei o dedo na boca dela. Achei que isso iria perturbar o sujeito, mas ele não mudou a expressão. Ele não dava a mínima pra vadia.
Levantei com a faca, meus joelhos meio dobrados. Percebi que estava com uma bota grossa, como coturno ou algo assim. Ele, por outro lado, estava descalço, pisando no vidro com dificuldade.

- Quem é você? Olha, seja quem for que te mandou, eu pago mais. – gritou ele

Nesse momento eu percebi que uma toca cobria meu rosto e só o olho ficava amostra. Quando foi que coloquei isso na cabeça eu não sei.
Lembrei de alterar minha voz, que, por algum motivo, já estava naturalmente mais grave do que o normal.

- Você vai pagar com sangue.
- Caralho, te dou um milhão de reais!

Eu girei e dei um chute no ombro dele, ao que ele caiu no chão e derrubou seu caco de vidro. Se arrastou até a janela e eu subi em cima  dele. Deixei a faca na garganta dele e fiquei olhando a cidade. Carros andando, algumas janelas acesas noutros prédios. Ninguém se importava com aquilo.

- Porque você está fazendo isso? – perguntou ele
- Não sei e não me importo em descobrir.
- Quem te mandou
- O diabo.

Saí de cima dele e ele se levantou. Andei calmamente pelo lugar e ele ficou parado no mesmo lugar. Olhava pro telefone, então corri e enfiei uma faca na barriga dele. A janela estava aberta e o sangue escorria pra fora. Empurrei-o pra fora e ele se segurou na minha mão. Um desespero naqueles olhos negros, naquela cara de idiota. Mergulhei pela janela com ele e chutei a cara dele antes de me segurar numa corda. Não senti minha mão doer enquanto escorregava devido à velocidade em que já estava, e foi aí que vi que usava uma luva legra de couro. Eu nem lembro de ter essa luva. Meu corpo estava todo numa roupa preta de couro que eu não reconheço. Aquela corda eu me lembro de tê-la visto de manhã. O sujeito estava limpando o vidro e ela ficou pendurada. Não sei se ele esqueceu ali ou se era pra ficar mesmo, mas estava bem na janela dele. Lembro de ter feito essa estimativa quando saí à tarde...
Desci até o segundo andar, onde a corda acabou e eu soltei. Caí em cima dele e isso espirrou sangue da boca dele. Sexta feita à noite, o lugar deserto. Ninguém viu o cadáver.
Sentei ali e acendi um cigarro. Eu não sabia que tinha, tampouco que eu fumava. Detestei, tossi, mas fumei tudo. Não sei porque.
Ele ficava tremendo, então fiquei, de alguma maneira, irado e comecei a esfaquear a barriga gorda dele. Nem sei quantas vezes enfiei a faca nele. Só parei quando perdi o fôlego. Depois eu só fiquei arrastando a faca, cortando sem furar. Quando me senti satisfeito, vomitei num bueiro. Nem meu vômito eu deixei no chão. Tirei um saco preto de lixo do meu bolso e comecei a tirar minha roupa. Havia outra por baixo, como se tudo tivesse sido meticulosamente planejado. Nenhuma gota de sangue na parte de baixo.
Coloquei a faca dentro do casaco. Tinha uma caveira na parte de trás dele. Que pena que tive que destruir. Fui até aquela baia podre, cheia de lixo boiando. Não vão acreditar se eu disse, mas tinha uma garrafa de álcool intacta escondida lá. Acho que fui eu quem a deixou ali.
Queimei tudo, mas ainda sobrou algo. Isso eu coloquei dentro de outra sacola, com várias pedras. Daí joguei na água e afundou.
Não sei o que estão pensando, nem o que estão sentindo. Mas eu não pensava nada e me sentia tranqüilo. Não vou mentir não. Foi bom, libertador. Sentei na beira daquela água com cheiro de merda, depois dentei perto daquela pilastra com cheiro de mijo. Foi o momento mais tranqüilo que tive em meses...
Matei minha fome...

Acerca dos complexos que impulsionam comportamentos destrutivos e corruptos


Introdução

Para colocar a idéias que tive disponíveis à todo o publico eu me vejo forçado a contestar dois grandes pilares que parecem estar em conflito. Precisarei desconstruir premissas teóricas do fundamento do método científico e rever grande parte dos padrões morais.
Isso me custaria, por certo, a fama, se eu a tivesse. Felizmente eu não a tenho e nem desejo algo do gênero, o que me dá maior segurança em desafiar quilo que há de sagrado no mundo moderno.
Eu não poderia começar meu trabalho sem explicar as razões pelas quais eu me nego a aceitar várias premissas difundidas no nosso tempo e o motivo pelo qual busco outras premissas que são, de um modo geral, negadas até mesmo com piadas, e por isso essa será a primeira parte do meu trabalho.
Depois de demonstrar a validade das minhas premissas, colocarei sobre elas as minhas observações, que têm o intuito de, em primeiro lugar, trazer à tona tudo aquilo que é maléfico sem, no entanto, emitir julgamentos de valor para, assim, tentar explicar esses acontecimentos. Seguir-se-ão, nesses casos, alguns dos diversos casos freqüentemente divulgados na mídia. Daí eu pretendo extrair um fundamento parecido com a pulsão de morte de Freud, mas com certas ressalvas teóricas que serão percebidas no trabalho (afinal, aceito premissas Junguianas).
A partir daí, pretendo demonstrar detalhadamente e com exemplos os mais diversos tipos de comportamentos destrutivos e corruptos, desde um simples ladrão compulsivo que rouba coisas sem valor a um banqueiro, ou desde um marido que bate na esposa até um serial killer. De acordo com as premissas da nossa ciência, (uma premissa que não nego) pretendo demonstrar como todos esses comportamentos têm fundamentos análogos por generalização e que possuem suas origens no fato de que os fundamentos da sociedade são essencialmente anti-sociais. Em especial, e não estou certo de já estar apto a isso, pretendo buscar uma forma de ao menos amenizar os efeitos dos complexos que movem os homens a tais comportamentos, buscando, assim, uma forma de convívio mais pacífica.
Cometerei uma série de erros, mas esse é um trabalho de toda uma vida e não apenas de uma monografia terminada, e por isso provavelmente será alterado em contato com novas evidências.
Que fique claro, no entanto, que não busco provar certas premissas como verdadeiras, mas que, pelo contrário, os próprios fatos me levaram a tais fundamentos.

Capítulo 1
Sobre os fundamentos do método

As premissas que aceito como fundamentos do pensamento destituem deste todo o poder que lhe atribuem no nosso tempo. Pelo contrário, o que procuro demonstrar, em primeiro lugar, é a extrema fragilidade de nossas formas de pensamento.
Por vezes percebi como, de forma explícita, as pessoas observam certos eventos e revestem estes de significados totalmente metafísicos.
Mas, diferente do que se assume normalmente, não é só o conhecimento religioso que se baseia em metafísica: todas as formas de pensamento possuem algo de metafísico, pois a metafísica é sempre o fundamento dos pensamentos. Sempre partimos de um ponto no nosso pensamento que simplesmente não pode ser provado de forma absoluta, e isso destitui de sentido nossas tentativas de dar um ar definitivo às nossas idéias.
A ciência, apesar de se afirmar empirista, se guia por certos fundamentos metafísicos, que pretendo explicitar.
Em primeiro lugar, nossa ciência está receptiva apenas aos conteúdos oriundos dos sentidos. Assim, foram criados (e continuam sendo) métodos com os quais podemos observar melhor todas as coisas com os sentidos, já que é só esse tipo de observação que é considerada correta nos dias de hoje.
A despeito do nosso sensacionalismo sobre a grande descoberta que é o fato de que a mente humana se encontra em constante mutação, Heráclito já havia chegado a tal conclusão sem acesso a isso por meio dos sentidos. Foi uma forma intuitiva de se conseguir o conhecimento. Uma abstração filosófica inteligentíssima, que o modo sensitivo de observação só pode entender milênios depois.
Esse e outros exemplos demonstram que existe outra forma de adquirirmos conhecimento que não apenas a observação objetiva e submetida ao rigoroso e dogmático método científico.
É claro que não pretendo generalizar a outra forma de se ver as coisas: ambas têm sua utilidade e validade contanto que não tentem invadir o campo da outra, como acontece hoje.
Essa forma Jung chama de intuição, e considero o termo adequado, e por isso me sirvo dele.
Através do conhecimento intuitivo, que não é menos válido do que o da sensação, percebemos como são ridiculamente óbvias e preconceituosas algumas idéias da ciência moderna sobre os fundamentos do comportamento humano.
Uma delas é a tentativa que vem sendo empreendida de submeter o comportamento humano, e traços comuns, ao paradigma evolucionista. Ora, considero esse paradigma excepcionalmente bem sucedido em integrar de forma didática o estudo sistemático dos seres vivos, e reconheço as diversas evidências que colocam o evolucionismo como teoria válida para justificar a origem das espécies, tais como os fósseis.
Apesar de ser logicamente plausível admitir que, se o ser humano se formou através de sucessivas mutações, ele deve ter tido grande parte de seus comportamentos inatos formados através da pressão seletiva, não deixo de notar certas características no próprio comportamento humano que contradizem esse paradigma de forma gritante.
Aliás, pelo que eu observei, o próprio paradigma, que é muito apoiado por ser o fundamento de nossa sociedade, parece estar fundamentado num complexo específico, que denomino o complexo de Frederico.
É claro que não podemos, já há muito tempo, colocar as premissas do evolucionismo no convívio entre os humanos, pois as variáveis são tão numerosas que até mesmo o mais inapto de todos os indivíduos pode deixar mais descendentes do que um extremamente hábil.
Ao contrário do que se diz, o que deu ao ser humano a possibilidade de subordinar as outras espécies não é um impulso essencialmente competitivo, mas sim cooperativo. Foi através da união que o ser humano formou a vida em sociedade, e encontramos em diversas sociedades essa mesma idéia: devemos amar ao próximo como amamos a nós mesmos.
Mas, do ponto de vista evolucionista, seria muito mais vantajoso criarmos uma imagem de que amamos ao próximo sem que isso seja verdade. Noutras palavras, nessa forma de pensamento e na sociedade que se baseia nela, o que trás “sucesso” é efetivamente o que os políticos fazem. Isso se plasma em certos livros propagados no meio corporativo, que proclamam ter encontrado uma forma revolucionária e nova de medir a inteligências das pessoas. Eu chamaria o que eles chamam de inteligência emocional de capacidade de manipulação, pois o paradigma está obviamente direcionado á ampliação do potencial de trabalho. Sendo fundamentado pelo evolucionismo, o livro é claramente um manual de hipocrisia.
Não fico admirado, então com o ímpeto com o qual os cientistas criacionistas buscam desacreditar o evolucionismo. Afinal, tal paradigma torna comuns certos comportamentos totalmente destrutivos, como mesmo o nosso capitalismo selvagem. Afinal, é natural que o mais forte tenha sucesso e o mais fraco seja derrotado.
Dessa forma, seguindo o ponto das sensações e do materialismo, se coloca em questão que o ser humano é essa maquina, que nada mais faz do que servir a esses impulsos egoístas.
É claro que, como se vê, existe outra questão a ser avaliada, que é a espiritualidade. As crenças religiosas em todos os tempos têm sido o fundamento para o comportamento mais ético para com os outros, fazendo com que os homens evitem buscar apenas o benefício próprio.
Algumas visões religiosas modernas não passam de fraudes dos sentidos. Noutras palavras, elas prometem justamente aquilo que vai contra a religiosidade: recompensas depois da morte, sucesso mesmo nessa vida. A teologia da prosperidade, que gerou um novo império no nosso país é um bom exemplo desse tipo de corrupção da religiosidade, que é notado pelos religiosos.
De fato, a maior mensagem que todas as religiões querem passar é aquela da conexão. Amai ao próximo como a ti mesmo, quer dizer, efetivamente, que devemos evitar o paradigma de que nós somos independentes do próximo, pelo contrário, é um sentimento comum no ser humano em todos os tempos e lugares: a necessidade de conexão. É por isso que existem religiões, e não porque alguns indivíduos desejam se iludir com ilusões vazias de sentido.
Dessa forma, no próprio desenvolvimento da psiquê humana, se percebe essa busca pela espiritualidade que contradiz abertamente a idéia de competição e à de separação. Se o ser humano, na sua constituição psíquica, busca a união, então é forçoso que ele não poderá moldar seus comportamentos com utilitarismo obviamente ridículos do evolucionismo. Até porque, a plasticidade do ser humano vai para muito além daquela vista nos animais, e, por conseguinte, seus comportamentos são moldados para muito além de questões meramente adaptativas.
É fato consumado que a vivência humana transcende a racionalidade, e a própria espiritualidade é prova disso. Além disso, a fragilidade da racionalidade ficou clara com a demonstração sobre a metafísica: não existe nenhuma forma de pensamento que não tenha um fundamento metafísico, e a metafísica se forma em paralelo à identidade dos indivíduos.
Com o paradigma evolucionista não é diferente: uma certa maneira de se ver o mundo como projeção da própria identidade torna totalmente plausível que o vejamos segundo tais premissas. Segundo a tipologia Junguiana, essa forma de pensamento seria fundada no materialismo, que é pensamento com função auxiliar de sensação ou sensação com auxiliar pensamento.
Mas a origem psicológica do evolucionismo vai para além da tipologia, pois, como percebi, ela também está pautada em certos complexos, que são conectados a arquétipos.
Muitos imperadores por toda a história da humanidade demonstraram ser dominados por tais complexos. Aliás, hoje não é diferente. Diversos documentários expõem aos olhos de quem quiser ver certos esquemas que homens criam para alcançar benefício material próprio. Por, no momento, não dispor de material mitológico que represente o que quero expor, usarei a história de um dos meus personagens, mas isso nos capítulos subseqüentes.
A questão aqui é que o próprio paradigma capitalista é um propulsor que pretende levar indivíduos a acreditarem que o benefício real é o material, já que toda a história da evolução assim o demonstra. É um fundamento doentio que se espalha rapidamente pela sociedade e que aumenta os índices de depressão. Ainda hoje, confusos pela falha de suas racionalizações, alguns indivíduos dizem: “ele tem de tudo, cheio de dinheiro. Como pode se deprimir?”.
Entra em depressão porque a mente humana é um projeto esperando para ser realizado, e este nada tem a ver com adquirir benefícios materiais. Muito pelo contrário, o equilíbrio que o Inconsciente induz leva os indivíduos buscarem coisas para além da matéria. Usar uma racionalização através da qual se afirma que são motivados por mesquinharia todos os tipos de manifestação religiosa não muda o fato de que essas manifestações continuam acontecendo, já que são naturais. Acerca do que vem após a morte não temos nenhuma garantia de nada, nem de que deixaremos de existir. Acreditar, então, em alguma metafísica para isso é seguir a própria natureza, enquanto que negar em nome de uma pretensa honestidade é impor uma interpretação a si mesmo e sofrer inutilmente (já que o fundamento desta visão é tão metafísico quanto o da religião).
No entanto, se até aqui um leitor religioso se manteve (imagino) satisfeito com o ponto de vista exposto, na continuação desta primeira parte ele deve mudar radicalmente de idéia. Tal como Jung, não busco agradar a gregos e nem a troianos.
A questão da religiosidade, em primeiro lugar, muitas vezes não passa de projeção de conteúdos inconscientes, como o arquétipo maternal projetado sobre a igreja. Na impossibilidade de integrar a vivência religiosa à consciência, o indivíduo faz projeções que, por vezes, tomam forma visível em visões, e, diante disso, ele atribui um caráter objetivo à sua vivencia religiosa, quando ela é subjetiva.
Além disso, a própria religião, na maioria dos casos não permite a integração dos conteúdos psíquicos á consciência, porque parte de premissas doutrinárias. Assim, na maioria das vezes, a religião não passa de um organismo que, através do poder das organizações coletivas, impõe certos códigos de conduta.
A vivência que Jung costumava definir como Participation Mystique não se trata do contato objetivo com Deus ou mesmo sua imagem arquetípica interna: na verdade o profundo sentimento dos participantes se deve ao contato com o grupo. Tanto isso é verdade que eles se unem em grandes grupos ao invés de realizar seus rituais sozinhos: porque sozinhos eles poderiam efetivamente integrar isso a consciência.
Na verdade, o que se vê são indivíduos, cegados pelo poder massificador da coletividade, seguirem códigos morais irrefletidamente, o que possibilita a manifestação dos indivíduos corruptos que eu me presto a avaliar, que, nesse contexto, surgiriam para manipula-los.
O paradigma evolucionista, objetivamente, leva à idéia de opressão do mais fraco e hipocrisia, e grande parte da moral religiosa leva à idéia de submissão. Noutras palavras, os dois juntos são dois fundamentos de mentalidade que causam a maior parte das nossas mazelas.
Eu não poderia, então, olhar essa questão do ponto de vista moralmente aceito, com indignação, e nem com o ponto de vista da ciência moderna, porque essa não passa de um complexo racionalizado.
Pelo contrário, para avaliar tais questões será preciso, em primeiro lugar, haver um confronto profundo com o lado negro da existência, transcendendo o maniqueísmo, e também será necessário expandir a compreensão das coisas para além de paradigmas parciais. Ir para além do bem do mal e para além da racionalidade.
Por um e por outro motivo que considero esse livro de difícil leitura: excluindo minha dificuldade de expressão, a mensagem simplesmente não será aceita por aqueles que se mostrarem racional ou sentimentalmente resistentes aos assuntos tratados, embora sejam de extrema importância.

Operação pandemia

Os fundamentos sentimentais do Criacionismo

Como vimos na história, a forma de pensamento evolucionista já trouxe severos danos à moral. A idéia de que há civilizações mais evoluídas tendo como base para julgamento de evolução a tecnologia e o poderia militar causou a morte de milhares de pessoas e, por um bom tempo, justificou atrocidades, como o imperialismo e a apartheid.

Dessa maneira, a idéia de evolucionismo pode assustar um religioso porque ele pensa que o evolucionismo matará a moral. Segundo esse sentimento, o religioso tem medo de que o evolucionismo crie o ateísmo, e que sem a religião o homem se torne imoral.

Não há como apoiar tal tipo de pensamento, pois ser bom em troca de recompensas divinas ou por medo de castigos divinos não tem nada de moral. Além disso, mentes emancipadas da religião já entenderam integração e ética com filosofia e não precisam de metafísica para ser justas.

Também há a causa sentimental de que os cristãos são ensinados, desde pequenos, que a fé é uma virtude, e que manter a mente fechada a idéias diferentes é o certo a se fazer. Quando um homem tem a mente fechada dessa maneira, ele tenta dar explicações à vida segundo suas próprias premissas, fazendo de tudo para negar as premissas dos outros e dando atenção apenas a coisas que confirmem seu pensamento.

Em suma: isso é do mais arcaico medo de mudança.

É bom vermos o que é teoria, hipótese e fato.

O fato é: os animais existem e tiveram uma origem. Isso é observável.

A teoria é: através de diversos fatores os compostos químicos deram origem á vida unicelular e rudimentar, que através de alterações genéticas e da seleção natural foram tomando formas diversas em ambientes diversos. As mudanças graduais deram origem à toda a diversidade de espécies hoje conhecidas.

Veja só: A teoria não é um fato: É uma forma de explicar um fato. Além disso, uma teoria precisa de embasamento, coisa que o criacionismo não tem em microbiologia, e em diversos outros ramos. Por isso o criacionismo não é teoria, e sim hipótese que, com as informações que temos hoje, nunca deve deixar de ser hipótese.

Também têm o medo do ateísmo, pois pensam que enquanto ateus eles perderão a sensação de contato com algo maior, que chamam de Deus.

A verdade é que esse algo maior não precisa de religião para ser conhecido. Eu chamo de o todo, outros chamam de natureza, self...

Enfim, é tudo por medo. Medo de que os homens se tornem selvagens, medo da mudança e medo da solidão. É tudo sentimental.

Acerca de ovelhas, pastores e homens

“O mal do mundo é o capitalismo!”.
“Não, é o desemprego”.
“Pense direito, o problema é a crise econômica”.
“Não seja idiota, não vê que o mal do mundo é a poluição do meio ambiente?”.


São todas causas coletivas. Causas que existem fora da identidade dos homens. Achar que algum desses pode realmente ser o maior problema do mundo é um erro.
Esses são só sintomas da parcialidade e da superficialidade na qual estão imersas as pessoas...
Quero, aqui, falar do que considero como sendo o fundamento de todos os males. Aliás, são dois erros. Individualismo e coletivismo. Ou, servindo-me do título, o “ovelhismo” e o “pastorismo”.
As ovelhas ocupam a base da pirâmide. Não querem pensar, então são guiadas pelo senso comum. Não querem buscar a si mesmas, então deixam outras pessoas dizerem quem são e qual é o seu destino.
Têm um desprezível espírito servil. São uns reflexos da coletividade. Mais nada. A massa de manobra.
O topo e o meio da pirâmide é ocupado pelos pastores.
Veja que, embora a religião a religião tenha sua parcela de membros entre os pastores, eu não me refiro a pastores como líderes religiosos.
Para mim um pastor é aquele que tem um cajado, e que com ele puxa o pescoço das ovelhas. O pastor, pra mim, é a criatura niilista que guia as ovelhas cegas.
Anda sob duas pernas, mas não é livre. Pensa que os bens materiais aumentam o seu valor, mas não passa de um miserável.
É como um ratinho que, compulsivamente, puxa a alavanca para ganhar sua guloseima. Estão presos a um impulso primitivo de auto-afirmação através do poder sob o próximo. É um escravo de seu caráter infantil e deprimente. Não é livre e nem tem amor. É tão desprezível quanto as ovelhas que guia.
O nosso mundo é como é porque há pastores governando(porque precisam dominar) e porque há ovelhas sendo guiadas(porque precisam de um guia). Precisamos é de uma reforma na alma!
As ovelhas se ocupam de sua auto-afirmação risível. Buscam exibir suas proporções físicas, ser conhecidas por muitas pessoas, ter muitos bens de consumo. Tudo idiota.
Até na vaidade são guiadas.
Erros sobre erros são defendidos com sofismas vazios. Vivemos numa sociedade primitiva!
Liberdade nesse mundo é algo raro. Algo separado apenas para os verdadeiros homens, que não são pastores nem ovelhas. São homens, e isso basta.
Um homem livre de verdade já se libertou das amarras do desejo cego e insaciável. Já se libertou da necessidade servil de ter o destino determinado por algum tipo de força maior, seja palpável ou imaginária.
Um homem livre é aquele que já se libertou do mundo e de todas as suas ilusões. Esse sim é livre. Há homens que são mais livres do que outros, mas nem por isso são totalmente livres. A liberdade é diretamente proporcional ao grau de desapego á matéria.
Um homem de verdade já passou pela fase niilista de negação de todos os valores, e também já passou pela areia movediça, que é o momento em que todas as premissas vindas de fora perdem a validade, para darem lugar ao conjunto de premissas extremamente mutáveis que são as próprias. Neles não existe um pensamento idêntico ao dos outros, porque o pensamento alheio não tem qualquer força deliberativa para eles. O ideal do próximo é avaliado e julgado segundo os valors do homem, que são pessoais e intransferíveis.
Um homem livre não domina o outro, seja por querer se sentir seguro ou por auto-afirmação.
Admite que é o único do seu tipo, e por isso não tem a necessidade doentia de fazer do mundo um reflexo de si mesmo.
Ele ama ao próximo sem, para isso, ter que ver neste algo de si próprio. Sabe que as diferenças criam lições para seu coração e sua mente, e por isso ama essas diferenças de todo o seu coração.
Ele não usa nenhum de suas qualidades(se aceitar que tem alguma) para se exibir, porque para ele a vaidade não tem nenhum valor.
Se mais da metade das pessoas que vivem nesse mundo já fossem humanas, então as leis se tornariam irrelevantes, porque elas se tornam mais rigorosas na medida em que as pessoas demonstram precisar disso.
Não vejo maneira coletiva de ajudar a humanidade. Não existe um Diabo. Um homem ou alguns homens perversos. Não é o sistema que é o problema, mas a alma das pessoas.
O mundo só mudará quando os homens mudarem.

Acerca da miséria capitalista

Progresso é o que eles dizem... Mas que progresso?

A única coisa que eu vejo é estagnação. Esse sistema é como a idade média. Castra a humanidade como a igreja o fez. Vende ilusões e todo mundo compra.

Só precisam ver um homem sorrindo e falando que haverá progresso e que tudo vai melhorar para entregarem seu pouco poder. Seu voto...

Pensei que o mundo melhoraria quando o homem tomasse consciência de que a única coisa de que precisa para ser feliz é o amor, e que buscar a vida toda por dinheiro nunca seria útil. Foi o que pensei...

Mas de que valem essas minhas palavras (supondo que sejam verdadeiras) pra um menino de rua, que nem ler sabe? Pra ele o meu blog seria só uma tele estranha, com um monte de letras que ele não entende. E o que eu posso fazer?

Graças a esse sistema, algo perto de nada.

Se eu quiser ajudar, precisarei de dinheiro, e se quiser dinheiro vou ter que tomar de alguém, porque o capitalismo é a evolução do roubo. Se fizerem mais, ele passa a valer menos: esse sistema foi criado para que uns gananciosos estúpidos pudessem dar lugar á sua megalomania. Não haverá progresso enquanto não acabarem com essa desgraça.

A tecnologia só avança à medida que é lucrativa. Pesquisas só são dignamente financiadas se são lucrativas. Você vale o que você tem. O quanto pode consumir.

Mas se você é um moleque de rua, que não sabe ler e não tem nada, então você não existe. Você não é nada...

“sabe quantas pessoas são empregadas por essa empresa, por todas as empresas? O dinheiro precisa girar, a economia está em crise, a bolsa de valores, fizeram dumping em tal lugar, o neo(imperialismo)liberalismo isso e aquilo”

É o que me dizem, um monte de palavras que só significam uma coisa: as formas de se roubar se tornam cada vez mais sofisticadas… E são aceitas!

Mas isso é tudo falso. Esse sistema é falso!

Não há progresso, nós temos recursos para todos, temos tecnologia para viver melhor. E o que fazemos?

Criamos uma sociedade doente, onde uns roubam os outros e acham isso justo. Quando alguém decide ser honesto e roubar de verdade esse é julgado.

“vá trabalhar” é o que dizem... Deveriam dizer: venda a sua energia vital. Venda a sua alma para o patrão e assim terá seu sustento. Se você decidir ir contra será excluído, desprezado.

Se não tiver nada de valioso, então venda seu corpo!

Aposto que alguém lerá isso e pensará: “Eis aí mais um rebelde sem causa, quando ficar velho vai entender que nada nunca muda.” Mas eu não agüento mais isso. Tenho que fazer alguma coisa.

Se todas as pessoas tivessem um trabalho algumas não seriam assim tão ricas, porque o dinheiro não tem nenhum valor. Nós é que damos valor a esse lixo. É por isso que existe um miserável. Porque algum espertinho pensa que trabalhou mais e que merece ser rico.

Pois eu digo que ninguém merece ser rico. Ninguém tem o direito de guardar milhões consigo. Não há necessidade de um homem ter tanto. Aliás, não necessidade de haver posses.

Mas as pessoas são não só estúpidas, como mesquinhas. Se você sair hoje de sua casa e começar a falar isso alguém, ele te dirá que não financia vagabundo, ou que isso nunca vai mudar. Vai culpar os políticos, da polícia...

Mas se você disser para uma comunidade inteira que o dinheiro nada vale, e que tudo isso é de mentira, eles irão rir. São dominados e impotentes. Alguém decide até o que a maioria tem que pensar, e se eu desafiar esse sistema acabo morrendo de fome.

Somos só mais uma peça, mais uma engrenagem. Uum dia você e eu seremos substituídos por uma maquina sofisticada, porque o rico não precisará de nosso trabalho. A tendência desse sistema é destruir a natureza e as pessoas, e quando digo que o capitalismo deve acabar as pessoas riem de mim.

Dizem que anarquismo é bagunça, mas nem sabem o que isso significa. Nós já vivemos na bagunça agora, e não sei como alguém pode achar que isso é normal...

Sobre as palavras obscenas

Hoje um diálogo do Californication veio à minha mente.

Trixxie: One day I was blowing this persian guy and I tough. I wonder how hank is doing

Hank: Fuck, that’s romantic.

Sei que muitas pessoas poderiam se chocar com a linguagem utilizada pelos personagens, pois ela denota um certo niilismo. Um desrespeito às regras de linguagem, que proíbem qualquer tipo de alusão ao sexo nas conversas.

Assim, Porra, que não passa de uma expressão popular para definir a ejaculação masculina, passa a ser uma palavra proibida. Caralho, buceta, puta, foda. Tudo relacionado a sexo, e tudo proibido. Apesar do fato de que a merda é muito mais desagradável do que o sexo, esse palavrão é tido como “mais leve” do que um “puta que o pariu”.

Vejo isso como uma tremenda banalidade, pois não importam as palavras que uma pessoa usa, e sim seu significado. Nesse diálogo o que a Trixxie falou foi muito belo sim. Demonstrou que não esquece de quem gosta. E o Hank conseguiu sentir isso, dando outra resposta niilista. Os sentimentos dos dois eram bons, apesar de terem sido demonstrados com uma linguagem “inapropriada”.

Outro exemplo é quando o hank pede Karen em casamento:

“- I wanna spend the rest of my life knowing the shit out of you.”

Foi romântico sim, e expresso numa linguagem niilista, o que não tornou o significado menos atraente. Bem melhor do que articulações mirabolantes que só tem a forma a oferecer e nenhum conteúdo.

Qual é a diferença entre dizer: está chovendo abundantemente e está chovendo pra caralho?

Não vejo nenhuma, e evitar termos relacionados à sexualidade parece uma herança da repressão cristã ao sexo, e eu me recuso a aceitar uma coisa dessas.

Niilismo e fanatismo como neuroses típicas

Já faz algum tempo que venho observando a relação conflituosa entre o niilista e o fanático, e, como relacionei hoje a questão tipológica a isso, decidi escrever um pouco sobre os fatos e sobre minha interpretação a respeito deles, dando ênfase filosófica no equilíbrio tipológico proposto por Jung.

Quando observamos logo de cara, o fanático parece ser extrovertido e o niilista introvertido, já que o fanático segue cegamente à regras que vêm de fora e o niilista nega todas essas regras para seguir somente a si mesmo e seus instintos, freqüentemente, destrutivos.

Mas essa interpretação é equivocada, pois vê as coisas de um ponto de vista exclusivamente superficial negligenciando o que há de mais profundo.

É enorme a freqüência com a qual ouvimos os fanáticos e o niilistas citarem o oposto e demonstrarem, assim que não conhecem o caminho do meio. Mas se pararmos pra pensar, se um niilista é introvertido, porque é que ele sente tanta repulsa do tipo extrovertido a ponto de desprezar o fanático? E vice versa?

Talvez se pense que se trata de uma repulsa normal dos tipos, mas nossa psiquê freqüentemente nos atrai aos nosso opostos para gerar equilíbrio psíquico, de forma que essa aversão parece ter outra causa, que não necessariamente exclui a aversão tipológica.

Avaliando historicamente veremos que o fanático tende a dizer que é melhor seguir sua religião(por exemplo) do que estar por aí de bar em bar, se metendo em confusão sem respeito por ninguém, enquanto que o niilista diz que é melhor ser livre e ser você mesmo do que viver preso a um dogma irracional e castrador.

Pra mim isso só demonstra uma coisa: o niilista é um neurótico que, no passado, foi preso ao fanatismo de tal forma que seu inconsciente precisou de muita força para libertá-lo, e essa liberdade se tornou promiscuidade, já que o fanatismo anterior agora causa aversão, eliminando o compromisso coletivo extrovertido.

Por outro lado, o fanático também estava num conflito para se libertar dessa prisão interna que era o niilismo prévio, que destrói o mundo. Ao perceber o dano que ele causava, o inconsciente, com muito esforço, removeu o niilista dessa introversão imoral e colocou nele o oposto, que é uma moralidade fanática e um compromisso com o objeto já tão destratado. Depois disso o fanático passa a ter profundo desprezo pelo niilismo e, conseqüentemente, pela introversão.

Aí há uma inversão de papéis, e os dois continuam unilaterais, só que agora conhecendo o outro oposto e com a função inferior acima da superior, o que gera uma neurose.

Para mim a solução desse problema é mesmo o caminho do meio, que é muito simples.
Através da introversão pura se chega ao niilismo, enquanto que através da extroversão pura se chega ao fanatismo, mas extroversão e introversão não se excluem.

É como falei num tópico do orkut: "Acho que, ao menos nesse caso, o que causou a mudança(ou progresso) foi o tormento de morrer afogado. Só sai do inferno quem entende que o sofrimento está ali para ajudar. É como quando você mete a mão no fogo e sente a dor da queimadura. Sem a dor não haveria o impulso de evitar a proximidade com o fogo."

Tanto o niilista quanto o fanático nunca encontram equilíbrio, mas sempre estão em conflito com seu oposto. É por isso que hoje há o dawkins culpando os religiosos pelo mal do mundo e há religiosos culpando a falta de fé pelo mal do mundo: precisam que o Diabo seja o inimigo a ser combatido porque o equilíbrio não reside dentro deles.

Viver em conflito é viver em tormento, e esse tormento tem a função de curar assim como uma dor tem a função de mostrar que estamos feridos e precisamos cuidar do machucado.

Assim, é sempre bom que fiquemos atentos aos tormentos da alma, pois eles nos demonstram nossos erros da mesma forma que demonstram o acerto com a felicidade...

Introverter representa a autopreservação, e extroverter representa a preservação dos outros: e um não é mais importante do que o outro.

a beleza como ambiguidade sentimental

A sensibilidade

Se existe uma coisa que me irrita é a cama de procusto que o mundo nos impõe. Não se trata apenas de dizer o que você vai pensar: dizem também o que você vai ser, o que você vai dizer. Eles dizem, isso é belo, e aquilo não é. Sua aparência deve ser assim, seus sentimentos assado e especialmente seus pensamentos devem ser fruto do coletivo. O que eu digo é: que o coletivo vá a merda!

Não quero dizer, é claro, que as pessoas deveriam negar todos os valores do mundo. Não mesmo: a ética é essencial para a vida. Mas existe um mundo só nosso, e um mundo de todos. Não podemos querer que o mundo de todos seja como o nosso, e muito menos querer que o nosso mundo seja aquilo que o mundo externo diz.

Em relação á minha sensibilidade eu sempre fui dividido, e não posso escolher entre um lado. Não, minha sensibilidade não pode ser castrada por padrões. Não posso seguir um padrão negativo ou positivo. Para mim a vida abarca os dois, e cada um deles tem sua utilidade.

Em um post recente você poderá ver uma manifestação minha em relação ao que chamo de beleza divina. E eu a amo. Amo a paz, amo a Norah Jones. É minha Deusa, mas não fica na Frente de Ângela Gossow, do Arch Enemy.’

Eles criticaram o heavy metal, dizendo que era musica de gente que não tem classe ou que não sabe apreciar a beleza. Provavelmente ninguém gostará de ler o que se segue a respeito da beleza maligna. Provavelmente dirão: quem pensa isso não tem amor no coração.

Mas eu não deixo de amar pro isso. Muito pelo contrário, eu amo mais graças a isso, porque tira meus demônios de dentro de mim.

A beleza divina me faz flutuar, mas a beleza maligna é aquela que me desprende do chão. É como se o heavy metal e tudo o que é mal fosse útil para me libertar de todas as imposições que vêm de fora. Como se eu tivesse finalmente a oportunidade de ser quem sou, de reagir contra essa pressão. E estranhamente eu faço o caminho que querem que eu faça. Eu amo, eu ajudo os outros, eu estudo...

Eu amo a vida, e quero que esse amor seja o meu amor, e não aquilo que dizem para mim que é amor. Para mim o amor é essencialmente subjetivo: eu amo com o que sou, com o amor que tenho, não com o amor dos outros.

Então fiquem coma definição da beleza maligna, que liberta os sentimentos, e depois com a definição de beleza divina, que dá paz.



Beleza maligna

Para iniciar isso eu cito um verso de Nietzsche:

"Odeio almas pequenas:
não têm nada de bom e quase nada de mau."

Alguns negam e outros abraçam, mas a verdade é que a "sombra" existe dentro de todos. Ela é a essência de tudo o que é perverso dentro de nós.
Para alcançarmos o equilíbrio não basta buscar o bem. Devemos conhecer o mal.

Talvez pareça que falo uma antítese, mas antes devemos conceber a idéia de que não há beleza destituída de observador. Por isso, se para você e para mim o bom é belo, para outro o mal pode ser belo na mesma proporção. A arte não pode ser resumida aos sentimentos sublimes, pois isso é falso.

Quem tem sensibilidade para o lado poético sombrio que sinta isso:

The mark of the gun - deathstars

The barrel looked her
Deep in the eye
And she said:" I want you"
She looked the gun
Deep in the eye
The gun said: "I Want you too"

Doom strikes the tame today
Day with a Bowie in your bed
Bodies in a huge ashtray
Your life spells D.E.A.D.

Well, the D is for destroy (under the gun)
The E is for enforce (under the gun)
A is for absolute (under the gun)
And D is for darkness
D.E.A.D. (the mark of the gun)

The razor smiled
At the pale wrists
The wrists said
"Let me smile for you"
The razor kissed
To open the skin
And then said
"Now you're smiling too"
I control you with my hand (the reasons you retrieved)
Damn the deeds you did, my friend ( the panic of this Eve)


Well, the D is for destroy (under the gun)
The E is for enforce (under the gun)
A is for absolute (under the gun)
And D is for darkness
D.E.A.D. (the mark of the gun)
The barrel looked her
Deep in the eye
And she said:" I want you"
She looked the gun
Deep in the eye
The gun said: "I Want you too"

But did you ever see that
The crimes you did were alright
But will you ever taste that
The certain wet taste of fright

Well, the D is for destroy (under the gun)
The E is for enforce (under the gun)
A is for absolute (under the gun)
And D is for darkness
D.E.A.D. (the mark of the gun)

Quem sente essa beleza, ao ler essa parte em negrito e ouvir o som da musica sentirá um calafrio na espinha. Aquele de quando você sente a profundidade do maligno. Quando você sabe que o autor dessa letra (provavelmente não é um dos artistas da banda) conseguiu alcançar um alto nível de progresso dentro do maldito.

“A lâmina sorriu para o pulso pálido
O pulso disse: deixe-me sorrir para você.
A lâmina beijou e abriu a pele e disse: agora você também sorri.”


Vou trazer da minha obra um exemplo para que fique demonstrado de forma mais clara em português.

A escuridão

Andando no escuro
a vista fica aguçada
andando no fogo
o corpo fica forte.

Que venha a maldição
tome conta da existência
essa miserável existência
que nunca desejei.

A desordem reina em mim
e dominará o mundo
só sinto amor pela morte
a destruição é meu guia.

Deixe-me em paz
sozinho no escuro
com ódio no coração
e uma lâmina na mão.

(Emanuel - O enigma da imortalidade)

A beleza do mal reside em saber que a potencialidade não reside somente no bem. Reside em saber que o poder e o mal andam lado a lado, e se você ama um o outro te carrega. Ninguém faz o mal por fazer: até serial killers querem a sensação de controle, de poder. No fundo somos todos um ditador em potencial. Somos todos malignos: se o mundo nos ordenasse nós seríamos selvagens como animais. Aliás, muito pior, pois nos mataríamos a troco de nada (e isso acontece).

A revolta queima o mais profundo do ser, a raiva dá força, o ódio dá determinação. Uma pessoa verdadeiramente má nunca se sente só.

Mas Emanuel e os Deathstars estão errados. Não, não estou entrando em contradição. É que tudo o que fazem é isso. Eles dizem “i am not the slave that you are” ou, “sou livre para viver no meu mundo negro”. Não percebem que há beleza fora disso, e que o mundo não é apenas uma prisão.


Não há amor nas musicas deles. Não há amor na vida de Emanuel.

O que Emanuel queria desde pequeno era liberdade. Primeiro de sue pai opressor que o queria como sendo um canibal, e depois contra a igreja que o queria como santo. A mente dele não suportava a santidade: já havia sido preparada para um mundo violento. Emanuel nunca comeu nenhuma vítima simplesmente porque essa violência não vinha dele.

Logo no final do livro e percebeu que nunca foi ele mesmo. Que violência vinha do pai, que tudo vinha do pai mesmo com ele se esforçando pra ser quem era.

Num ato de desespero ele decide enfrentar Ângela, que na verdade foi a única pessoa que ele amou. Ele sabia que não seria aceito, mas também não permitiria que outras mãos lhe tirassem a vida.


A BELEZA MALIGNA DÁ LIBERDADE!


E We’re not gonna take it anymore- twisted sister


http://www.youtube.com/watch?v=J-jsgousZcA


Mais um belo exemplar de beleza maligna.


http://www.youtube.com/watch?v=De47fjH6RKY&feature=related


A beleza divina



Essa é a beleza que me acompanha, geralmente, nos sonhos. É a beleza que te liberta do lado negativo da beleza maligna, que é o te isolar.

Gosto de lembrar do início do livro de Matias, que, apesar de ser primo de Emanuel e gostar dele, era o oposto. A beleza que ele admirava era a divina.

Quando essa beleza o abandonou ele ficou preso. Era só isso que o alimentava, era dáiq eu ele tirava sua força.

Eu digo com honestidades que se fosse possível eu viveria em função dessa beleza. É a mais bela de todas, a que mais me agrada pessoalmente.

Mas infelizmente não é isso que o mundo me diz. O mundo é cruel, e eu queria fazer como Matias:

“Lá fora hoje eu matei dois homens. Eles mataram Gabriela e espancaram Augusto. Um homem normal estaria perturbado, mas eu não. Estou deitando aqui com Stela contando as estrelas. Ela já pegou no sono e sinto a respiração dela no meu pescoço. Nem todos os tormentos do mundo me tirariam a paz.”

Mas Stela morreu, e ele não estava pronto para enfrentar as adversidades da vida sem o contato com essa beleza magnífica. Com esse amor profundo. Caiu em miséria, só se curando dessa prisão momentos antes de morrer, simplesmente porque só apreciava a beleza divina.

Emanuel, por outro lado, viu seu pai ser morto, e sua mãe ser dovorada. Viu seu único amigo ser queimado e não perdeu o controle sobre si. Mas de que adianta ter esse poder sem amor?

Emanuel, no final do livro dele, finalmente entende o que Matias quer dizer com tudo aquilo sobre amor. Ele é o combustível da nossa existência.

Vou colocar de novo minha poesia “ela vem” para representar esse sentimento, agora contextualizado como sendo escrito de Matias para Stela:


Ela vem


Ela vem bem devagar,

Não há alvoroço.

Ela me cura assoprando de leve,

Sabe meu ritmo.


Ela monta o meu coração,

Um pedacinho de cada vez.

Não tem pressa,

Não me deixa inquieto.


Ela sorri bem suavemente,

Respira lenta e profundamente.

Anda na mesma velocidade que eu,

Ama da mesma forma que eu.


O meu mundo já foi invadido,

Muros pulados, portas arrombadas.

Mas ela tinha a chave,

Entrou sem danificar.


Ela não vem desestruturar,

Ela traz ordem, harmonia.

Não vem para me agitar,

Me traz paz, amor e bons sonhos.


Sempre que essa personagem me vem a mente eu sinto tranqüilidade. Depois que as dificuldades da vida são aniquiladas pela beleza maligna, e parece que não vai sobrar nada dentro de mim, ela entra. Com um sorriso singelo, tudo da minha imaginação. Eu saio de Blitzkrieg para Wish i could, e me sinto feliz. Sim, aí eu estou livre e sendo quem eu sou: um amante.

Para finalizar vuo invocar minha amada Norah Jones, que atualmente é a única mulher que me faria casar sem pensar duas vezes. =P


Come away with me in the night
Come away with me
And I will write you a song

Come away with me on a bus
Come away where they cant tempt us
With their lies

I want to walk with you
On a cloudy day
In fields where the yellow grass grows knee-high
So wont you try to come

Come away with me and well kiss
On a mountaintop
Come away with me
And Ill never stop loving you

And I want to wake up with the rain
Falling on a tin roof
While Im safe there in your arms
So all I ask is for you
To come away with me in the night
Come away with me


É beleza. Pura beleza divina que Norah coloca em suas musicas. Eu amei ontem, amo hoje e amarei amanhã. Contra as adversidades eu tenho a beleza maligna, o Death metal, e contra meus vícios e minhas falhas eu tenho o amor.

Posso dizer honestamente que entender e viver essa beleza sentimental torna a vida mais fácil e mais feliz.

Abrir o coração para o amor que sempre vem, e fechar os punhos para as adversidades. Não chorar com os problemas ou ridicularizar o amor.

Ser pleno em sentimentos.


Quem vê a beleza maligna se liberta, que vê a beleza divina liberta os outros. Não seja tirano e nem escravo!

Somos todos iguais!

Vou colocar, só pra terminar, um texto da minha amada amiga Alley, que despertou em mim esse amor adormecido. Para mim ela tem a beleza divina perfeitamente desenvolvida. É pura luz, minha menina...


Eu Desejo...
Que a felicidade não dependa do tempo,
nem da paisagem, nem da sorte, nem do dinheiro.
Que ela possa vir com toda a simplicidade,
de dentro para fora, de cada um para todos.
Que as pessoas saibam falar, calar, e acima de tudo ouvir.
Que tenham amor ou então sintam falta de não tê-lo.
Que tenham ideal e medo de perdê-lo.
Que amem ao próximo e respeitem sua dor,
para que tenhamos certeza de que viver vale a pena.


Eis aí minha menininha de ouro! Queria eu ter tanto amor dentro de mim...