O pequeno messias

Sujei o sofá de novo. Ninguém mais senta nele desde que passei a dormir aqui. Brigam comigo, mas eu não sei como fazer parar. O xixi simplesmente sai.
Eu ouvi um suspiro vindo lá da cozinha, é minha mãe que está chorando.
Fui lá e a vi agachada lá no canto, com um braço em volta das pernas e a outra mão no rosto.

- porque você está chorando?
- por nada, filho.
- se fosse por nada você não chorava.
- é que não tem dinheiro.

Eu bem sei como é o dinheiro. Às vezes é de papel e às vezes de ferro. Acho que o de ferro vale mais, porque o de papel rasga fácil e o de ferro dura. Um dia achei um dinheiro de ferro na rua. Ele estava lá jogado no chão e peguei para mim. Valeu uma bala. Não posso sair para a rua, mas tem o pátio, então vou procurar dinheiro ali pelo chão. Logo depois que sai de casa já achei uma moeda. Era de ferro, mas era o menor de todos. Eu vi que os maiores valiam mais, e os menores valiam menos, mas pelo menos era do de ferro e não do de papel.

- mãe, mãe, olha só. Achei dinheiro.

Eu dei a moeda a ela e ela chorou mais. Eu já sou esperto, e sei que às vezes as pessoas choram só de alegria. Preciso só achar mais dinheiro. O dia foi inútil: não achei mais nenhuma moeda.
Vou dormir no sofá denovo.

- Vá no banheiro senão você faz xixi no sofá denovo!

Isso nunca adianta, mas assim eu faço menos, então eu vou sem reclamar.Amanhã eu procuro mais dinheiro para a minha mãe.

- boa noite, filho.
- boa noite, mãe.

Sonhei que estava em casa e que no lugar do banheiro havia uma entrada para uma caverna.
Eram paredes de pedra, e estávamos eu, minhas irmãs, uma amiga delas e meu amigo aqui do prédio. Ele mora lá em cima no segundo andar. Fomos andando até um lugar que tinha um buraco, e lá no fundo do buraco dava para ver fogo. Era um buraco alto, eu só via o que tinha dentro dele levantando o pé. Eu e meu amigo jogávamos bolinha de gude, e eu como sempre errava tudo. Numa vez eu errei tão feio que dei um jeito de jogar a bolinha dentro do buraco.
Era minha favorita, a branca que eu chamava de leitinho, então eu queria ir buscar. Olhei pelo buraco e vi um lagarto gigante com olhos que eram como bolas de fogo. Era um dragão, porque tinha asas e eu soube que dragões são lagartos grandes com asas. Eu avisei e eles não acreditaram em mim até ele cuspir fogo. Aí correram, e como eu era menor fui ficando para trás. O dragão atrás de nós e eu ficando para trás. Gritei pela minha irmã mais velha e ela veio me buscar. Ela me levou carregado no colo até de volta para a sala, e olhei pra trás e vi apenas o banheiro. Virei de novo para frente e vi minha tia na porta, ela estava ali para nos salvar.

Contei meu sonho no dia seguinte e minha mão nem ligou. Acho que ela não acredita em mim.
Mas eu não disse que tinha dragão em casa, só que eu sonhei. Acho que ela ainda está triste por não ter dinheiro. Vou sair pra procurar. Assim que eu saí havia uma moeda igual no quintal. Mais uma das menores. Nem pensei muito, peguei e dei a minha mãe, ela estava deitada na cama.

Os dias foram se passando, as vezes eu lembrava do sonho e contava, as vezes eu só acordava chorando. Todos os dias eu achava a moeda no mesmo canto, e não via onde todas essas moedas iam parar. A dona que morava ao lado da minha casa me chamou para ir na casa dela. De tão distraído procurando moedas eu nem tinha comido nada de manhã, e ela me deu pão com leite.
Enquanto eu comia eu vi uma pedra preta. Era um imã daqueles em que grudam as coisas de ferro. Tinha muitas moedas no imã, e eu fiquei olhando os números nelas. A minha moeda era 1, mas ali tinha dez, vinte e cinco e cinqüenta. Tinha até uma que era um, só que maior.

- Qual é a moeda que vale mais de todas, dona?
- A moeda que vale mais é a de ouro.
- Elas valem mais que as fichas do fliper?
- Elas valem mais do que todas as fichas do fliper juntas.

Perfeito, agora tudo o que eu tinha que fazer era encontrar algumas moedas de ouro e eu resolveria a tristeza da minha mãe. Eu sei como é, parece com o sol. Procurei o dia todo, mas percebi que no chão ninguém deixaria moeda de ouro. Elas deviam estar guardadas em algum lugar, mas onde?
Perguntei à minha irmã do meio onde eu as encontraria:

- Eu sei onde você acha.
- Onde?
- Tem alças de gaveta na parede, iguais às do armário.
- Onde?
- É nessa parede aí, mas é invisível. Se você puxar no lugar certo abre uma gaveta cheia de moedas de ouro.

Eu fiquei tentando por um bom tempo, até perceber que estava muitas vezes tentando nos mesmo lugares. Eu nem via que já tinha tentado ali, não dava pra lembrar.
Bolei um plano. Subi na cama e com a ponta do pé tentei puxar lá no alto no canto da porta.
Não deu, então eu fui só um pouco pro lado, e depois mais um pouco pro lado. Quando fui ver já tinha tentado de um lado até o outro, e depois desci um pouco e fui de um lado até o outro.
Fui até de baixo da cama e não achei nenhuma gaveta. Minha irmã chegou da escola.

- Onde é a gaveta que eu não acho?
- haha! Você acreditou nisso. Não tem gaveta não!
- Mas você disse que tinha gaveta!

Ela ficou rindo de mim e depois continuou.

- Eu pego a moeda de um centavo todo o dia e jogo de volta no quintal.

Fiquei com raiva bati nela. Girei os braços nela, mas eram pequenos e nem doía.
Fui dormir no sofá e sonhei. Nesse sonho meu pai aparecia aqui em casa. Ele tinha um carro, e ia me levar pra passear. Tem um menino do outro lado da rua que tem pai, e ele disse que é bom. Eu queria ir com meu pai, mas quando eu fui buscar a bolsa a minha irmã do meio entrou no carro e disse que eu não queria vir. Meu pai saiu com ela e me deixou lá no portão.
Acho que eu sonho coisas assim quando acordo chorando, porque dessa vez acordei chorando.
Fui na cozinha e minha mãe estava lá denovo, dessa vez com minha irmã do lado dela.
O saco de pão duro não tinha pão.

- Eu queria pão, mas não tem dinheiro.

Quando eu disse isso minha mãe ficou um tempo me olhando, eu não entendi por que.
Acho que é porque fiz xixi no sofá. Ela levantou e disse pra minha irmã mais velha tomar conta de mim e da irmã do meio. Saiu, e quando voltou tinha pão com manteiga e leite.

- A gente precisa confiar em Deus, disse ela. Ele ajuda.
- Onde é que deus fica?
- Ele fica lá no céu.

Eu não caio mais nessa de acreditar no que não da pra ver, mas minha mãe fica falando que teremos uma casa na praia, e pede pra eu falar com ela. Eu falo, mas não sei nem o que é praia.
Será que tem dinheiro no chão da praia pra achar?

A girl trouble…

Sometimes i feel like i wasn’t born to be in this world. Like I’m some sort of alien.

I feel like I’m far away from home. Like I was left in a scary place full of selfish people. I mean, there is always this great never ending flow of love coming out of me but i don’t see it coming from other people. Well, I didn’t at least.

They don’t really love, and the few who have the guts to talk about it are most likely using that sacred word to manipulate people. It’s like: “I’m sorry that i didn’t let you go see that person. I did it because i love you.”

Well that kind of love I’ll have to pass, because I’m not only a lover, I’m a free man, and it’s up to me the choice to where the flow of love is going to come. Eventually i found someone. Someone really special that could really feel my love.

I could see her going trough all the things i went trough. Giving out all her sweet Beautiful love and getting nothing in return. Her love wasn’t for me, and i don’t think it will ever be, but that didn’t stop me from falling for her. I guess that’s a rule in love: you only fall for the person that is like you. She’s a jesus walking on the earth, with a heart full of love thinking that maybe once she loved it enough it would eventually love her back.

But that doesn't’t seem to be working for her or for me. I can’t avoid the love i feel for her, so eventually it just came out of me. Now she knows it, and it seem like she doesn’t feel the same for me, which is something that really break my heart. Sometmes e feel like she loves me, but i think that’s just a result my wishes.

I have a few friends, and i love them all. But she is different. She makes me feel like life is really worth living. Like i actually found someone that could feel and understand my love. She’s free as a bird, and no mather how hard people try to lock her down, she’ll always find her way up to the skies.

We’re both that free, and we both love the world. That’s what i think.

Sometimes i feel some love coming out of her to me. Sometimes it actually seems that we could be happy together, and those are the times when i fly up to the sky. But i guess i’ll eventually just crash into the ground, because all of this is nothing but an illusion. Loving her is not going to make her love me back.

The love spirit

It comes and goes,
That love spirit.
It’s shiny, attractive.
Takes smiles out of you.

Once it leaves it hurts,
So i hate only thinking,
That it will never come again.
But it always returns.

Where is it from?
Does it shine for me?
Is it real at all?
I just don’t know.

Maybe i created it.
Maybe it’s a ghost.
But dam it’s so wonderful.
How could i create that?

I can’t live like this.
At least not forever.
Guess i’ll leave when i can,
And see if it comes back,
If it comes after me.

To tell me: I love you

I can’t keep living a dream anymore. Dam, I need to help someone. I need to see someone happy. That’s the only way i could smile today. I knew you would be kind to me, my destiny. You sent me such a sweet little angel. I know I’ll never touch it, but that don’t stop me from wanting to. Your kindness sometimes seems like hatred…

Alegria, felicidade e as atrações do mundo moderno.

A perspectiva dos meus textos sempre acabará sendo introvertida, devido à minha própria personalidade não individuada, mas garanto que isso não torna esse post menos importante, pois a perspectiva interna no que se refere á existência íntima do ser humano é tão importante quanto medidas objetivas extrovertidas.

Como Jung disse: “O que há de mais perigoso no mundo são os homens.”

Portanto, o que eu vou tratar aqui é de extrema importância para o progresso da humanidade enquanto um conjunto de indivíduos que buscam a felicidade em ilusões de forma sistemática e controlada por agentes externos. São “eles”.

Para apresentar o assunto eu colocarei a origem da minha reflexão, citando outras fontes interessantes sobre o assunto e depois narrarei visões distorcidas do que vem a ser felicidade, desconstruindo-as.

Minha reflexão a respeito disso veio, inicialmente, junto com O andarilho, que foi de inspiração tanto pessoal quanto externa. Ou seja, graças a uma pessoa eu encontrei esse andarilho, que me ocorreu na minha própria linguagem. Na forma de andarilho, talvez poucos o entendam, mas eu expandi esse pequeno conto no post “Vontade de amor”. Nesse post eu falei muito superficialmente sobre a questão da felicidade, pois eu presumia e ainda presumo que através do amor a encontraremos, mas a reflexão está incompleta, pois a definição do amor em si ficou vaga e especialmente porque ficou faltando uma perspectiva do que é a felicidade em si. Falei da vontade de amor mas não de motivação, então esse novo post é uma tentativa de objetivar um conteúdo subjetivo, e tornar a vontade de amor mais aplicável a um contexto coletivo ao invés de deixa-la apenas como uma narração do meu próprio desenvolvimento mental.

Depois disso eu assisti o documentário Zietgeist: Addendum, que é como um Zietgeist 2. Se você nunca ouviu falar nesse documentário e fala inglês eu recomendo o link onde eles estão disponíveis na íntegra:

http://www.zeitgeistmovie.com/

Esse documentário foi escrito obviamente duma perspectiva extrovertida, e falou incrivelmente bem a respeito das questões externas do mundo, mas falou, apear de corretamente, superficialmente a respeito da felicidade, justamente, talvez, por esse não ser o tema. Por isso eu pretendo, nesse blog, mesmo sabendo que poucos chegarão a lê-lo, expandir, segundo meu entendimento, o conceito ali tratado superficialmente cm maior profundidade da perspectiva introvertida, ou seja, da perspectiva interna.

O ponto de vista do introvertido é assim: assim que subimos de um degrau para o outro, o degrau abaixo deixa de existir, pois no nosso mundo só o que achamos existe. Ou seja, se eu superei uma idéia que não em fazia feliz a respeito de como viver e encontrei outra que é revolucionária então todo o mundo também encontrou. Isso é um terrível erro, pois eu ainda vejo pessoas cometendo os três erros fundamentais na busca pela felicidade, e o fato de que eu descobri uma forma de ser feliz e livre não muda o fato de que existem pessoas deprimidas pelo sistema, ou que têm felicidades ilusórias, tais como a religiosa ou a do consumo compulsivo.

Portanto, pretendo agora demonstrar o caráter falacioso de casa uma dessas três visões sobre a felicidade na ordem que, através do meu próprio julgamento de valores, parece adequada: uma ordem ascendente de profundidade, onde a mais superficial das idéias enganosas sobre a felicidade é o consumismo e a mais profunda, e digna de profundo debate é a de que a felicidade não existe. Provavelmente eu não chegarei a falar a totalidade de coiss que penso a respeito disso, pois isso tornaria o post grande demais, mas no final eu recomendarei textos complementares, tanto meus quando de outras pessoas, que complementarão o post e deixarão a minha visão total a respeito do assunto clara(se é que alguém se importa honestamente com isso).

O consumismo

Certa vez, no segundo grau, eu fiz um teste que definiria, por brincadeira, o nível de loucura de uma pessoa. Talvez sem perceber todas as implicações daquele meu ponto de vista, pois ele era para mim intuitivo, eu elaborei a seguinte pergunta:

Você faz compras para compensar as suas frustrações?

Segundo o teste, a pessoa poderia responder sempre, nunca ou ocasionalmente, sendo que, segundo a estrutura de pontos que criei, a maioria das pessoas que respondia sempre era considerada louca, pois isso acrescentava três pontos de loucura dos dez necessários para a pessoa ser classificada como insana.

Infelizmente, o número de pessoas que respondeu sempre ao meu teste foi muito maior do que eu previa: a maiorias das pessoas que responderam não foram crianças(já que foi brincadeira) ou adolescentes que não tinham dinheiro próprio, sendo que aproximadamente 60% dos adultos ou adolescentes com renda que foram entrevistados responderam sempre.

É claro que isso foi uma entrevista superficial com poucas pessoas respondendo, mas certamente me trouxe preocupação, hoje, suficiente para que eu escreva algo que a mim parece óbvio, mas que parece não ser para todas as pessoas: o dinheiro não trás felicidade.

A prova disso é que as pessoas ricas não são livres da depressão, que é justamente o oposto da felicidade. Afinal, porque essas pessoas são infelizes. Já ouvi comentários deprimentes do tipo: “Esses aí são uns idiotas. Como podem ser infelizes se têm tanto dinheiro?”. Essa pergunta, infelizmente, no ponto de vista dessas pessoas, é retórica.

Mas para mim não é, e vou tentar responde-la.

Para isso é necessário entendermos uma coisa que coloquei no título, que é a definição de felicidade e alegria. Para esse post eu vou usar as seguintes definições:

Alegria: um sentimento temporário de contentamento que pode ser causado por um número inconstável de coisas, dentre as quais muitas estão na sua TV. Filmes, jogos, musicas etc.

Felicidade: um estado de contentamento contínuo, que tem sua origem sendo debatida mais profundamente nesse texto.

Não quero dizer, vejam só, que a felicidade sobre ponha a alegria, no sentido de que para vivermos na felicidade devemos nos abster da alegria. Segundo minha vida são ciosas diferentes e que não se excluem de qualquer maneira.

E é justamente em não diferenciar uam coisa da outras que o primeiro ponto de vista sobre a felicidade erra, pois, segundo este, a felicidade não é nada mais do que a repetição ininterrupta de eventos que causam alegria. Sendo assim, a felicidade vem de fora e não de dentro, pois ela é condicionada através das alegrias.

Segundo esse pontod e vita, uma pessoas feliz é aquela que é rica, e que sendo rico tem muitos carros, é famosa e reconhecida pelos outros, e usufrui de todos os tipos de prazer que a mídia e os meios tecnilógicos têm para oferecer. Em suma, a pessoa feliz é aquela que pode viver dentro dum circo cheio de atrações com os quais ela irá se distrair.

Esse ponto de vista pra mim é estúpido desde que me entendo por gente, mas parece que ainda há pessoas que não entendem que o princípio da redundância destrói essa visão diante dos olhos de qualquer pessoa racional.

Por mais divertido que seja jogar um jogo de azar como o poker, essa alegria se tornará logo menos intensa do que antes. Por siso, se antes era divertido jogar apostando um real, depois só será se forem apostados dez reais. E o valor vai aumentando cada vez, porque a redundância torna o jogo entediante.

Para todos os tipos de alegria superficial acontece o mesmo. Se você decide, por exemplo, começar a transar com todas as melhores prostitutas, isso não te tornará uma pessoa feliz. Pelo contrário, uma hora a redundância acabará com a alegria desse contato superficial e você sentirá que, mesmo tendo todas alegrias que o sistema tem pra te oferecer, você ainda é infeliz.

Em suma: com as melhores roupas, os melhores carros, os melhores jogos, etc. você sempre cairá na redundância, e sempre continuará infeliz.

Há dois pontos de vista que transcendem essa ilusão, que são o religioso e o de negação da vida.

A religião

A religião, como muitos religiosos dizem, é a forma de religar o homem à Deus. Eu poderia dizer que a religião, em teoria, seria o meio de unir todas as pessoas de torna-las felizes, mas não é bem assim que as coisas funcionam na prática.

Pelo que eu observei, em troca do sentimento de felicidade que a integração trás, a religião exige que o indivíduo nega diversas facetas de sua existência, dentre as quais está a racionalidade.

O pensamento abstrato, que é o tipo de raciocínio responsável pela reflexão acerca da existência em si, é completamente reprimido por premissas absurdas. Em outras palavras, a religião limita o pensamento dos indivíduos à princípios como: Porque Deus fez isso? Ou Porque Deus permitiu aqui?

Fazendo assim, a religião reprime o pensamento das pessoas e institui uma máxima doutrinária, que estabelece que todas as informações necessárias para a vida estão nos livros sagrados, e criam um forte laço de culpa e coação social.

A culpa vem de um sistema moral que é imposto aos indivíduos desde sua infância e que acaba guiando a consciência deles ao ponto de se sentirem mal por causa de qualquer impulso natural que tenham, tais como o desejo sexual ou o impulso abstrativo.

Os indivíduos que, mesmo tendo sido criados no meio religioso, conseguem superar o pensamento predominante são excluídos pelos outros sem a necessidade da intervenção de um líder, já que os outros estão sob o efeito da culpa causada pela fé.

Mas a culpa e a coação social são fatores pequenos frente à maior fonte de poder das religiões, que para mim é a vontade de amor. Colocando em outras palavras, já que para mim amor presume união, eles exploram o sentimento de necessidade de integração com o todo. De religar-se com Deus.

Depois de sentirem esse amor e de chamá-lo de Deus, eles estão provavelmente presos por toda a sua vida, porque a religião consegue, com sucesso, fazer os indivíduos se sentirem felizes, com a adição de que a essa felicidade natural eles adicionam imagens mitológicas que têm caráter antropomórfico, e assim eles manipulam o comportamento das pessoas através da vontade de amor. Qualquer um que já sentiu a alegria dessa integração sabe a sensação de harmonia que ela trás. É como se estivéssemos verdadeiramente ligados à Deus quando amamos ao próximo, e garanto que para alcançar esse tipo de felicidade sentimental não é necessários eguir nenhum dogma irracional: a ética e o bom senso sentimental bastam.

Viver segundo dogmas religiosos, apesar de trazer essa felicidade sentimental da integração, causa a infelicidade da repressão da função do pensamento, o que geralmente causa revolta e negação das religiões, gerando o outro oposto da visão sobre liberdade, que, assim como a visão da religião, acerta num aspecto sobre a felicidade e erra noutro. A religião trás a felicidade do amor ao próximo, enquanto que a liberdade(ateísmo) trás a felicidade do amor a si mesmo, e acaba que a parcialidade das pessoas tornam as duas visões contrárias quando na verdade são complementares.

Um religioso pode muito bem ser livre. Contanto que ele tenha religião própria, e não um conjunto de dogmas impostos por outra pessoa e que não respeita sua individualidade. Ser religioso não é o mesmo que ser ovelha. Acreditar em Deus não é o mesmo que ser um escravo.

Igualmente um ateu pode muito bem ser integrado ao todo através do amor, contanto que ele elimine a hostilidade em relação às religiões que tomou conta dele provavelmente logo que abandonou a vida religiosa. Ser ateu não é o mesmo que ser infeliz e egoísta.

A religião não é inimiga do homem, mas também não é a redentora do mundo: pelo menos não as religiões patriarcais, que são as maiores atualmente.

Ceticismo e negação

Essa visão de mundo tem inúmeras variações, mas creio que posso ousar uma generalização de que, independente da atitude pessoal do indivíduo, todos eles buscam o mesmo ideal: a liberdade.

É claro que não é pelo fato de um indivíduo buscar a liberdade que ele deve ir contra as premissas de amor e integração da religião, mas é freqüente que essas pessoas que buscam a liberdade estavam aprisionadas em sua vida intelectual e criativa pela religião, de forma que negam todos os fundamentos desta.

Uns regridem, e ao se livrarem da religião se entregam ao niilismo cego, onde vivem exclusivamente atrás de alegrias fúteis, mas outros conseguem perceber que essas alegrias fúteis não trazem felicidade, mas também não aceitam a religião, e isso cria um conflito aparentemente indissolúvel.

Torna a vida vazia, e na medida em que negam os impulsos de se buscar a alegria eles se tornam cada vez mais fortes. Então são obrigados a negar a tudo e viver num estado onde vegetam sentimentalmente para existirem apenas intelectualmente. Pegam a religião e idéias como a do amor e jogam tudo no saco das ilusões, e isso torna a vida deles miserável.

Gosto de pensar nesse tipo de gente como sendo parecidos com um personagem de um livro meu: foi exilado de um mundo onde havia felicidade e plenitude para um mundo cheio de gente egoísta e ignorante que torna a vida quase insuportável, e com o tempo vivendo com essas pessoas eles passaram a desprezar a si mesmos.

Diferente dos religiosos, esses céticos são completamente livre, mas essa liberdade carrega um pouco de rancor ás religiões que torna qualquer idéia minimamente relacionada a elas um insulto á sua liberdade. Viveram por tanto tempo enjaulados que não aceitam ser dominados. Que negam o coletivo por não quererem perder a si mesmos, e por isso acabam perdendo-se em desespero.

Porque a religião tem sua razão de ser, que nada tem a ver com ilusões e senso comum: a única coisa que faz a religião se manter intacta é o fato de as pessoas encontrarem amor e motivação nela. A religião trás felicidade, mesmo imbutindo “impostos” sobre ela.

Da mesma forma que um religiosos corre o risco se perder-se a si mesmo num fanatismo desmedido, um cético corre o risco de perder-se a si mesmo num individualismo deprimente. O nosso mundo prega que devemos pensar somente em nós e em quem está próximo, mas se desintegrar do todo tem implicações muito negativas para quem o fizer.

Isso fere a “Vontade de amor”.

Me lembro de um filme que retrata muito bem o que eu quero dizer. Não me lembro do nome, infelizmente, mas é atual. O médico está conversando com sua amiga a caminho do dormitório dela e diz que a melhor coisa que lhe aconteceu foi ter passado um tempo no sanatório, pois lá ele descobriu que ajudando as pessoas com seus problemas ele podia esquecer os dele.

E é a mais pura verdade. Ajudar as pessoas nos faz um bem que jamais poderia ser limitado através de uma racionalização.

E não se trata de dar esmola a um mendigo na rua, pois é a intenção e a conclusão dessa ajuda que contam. É dar comida e não dinheiro o que gratifica.

Mas a ajuda nem sempre é física. Muito pelo contrário, muitas vezes encontramos pessoas com a alma atormentada. Com angustias de todos os tipos, e com a vida sem esperança e tudo o que ela precisa é de um amigo, que a ouvirá e entenderá seus problemas.

Um amigo vale mais do que uma montanha de ouro.

A felicidade plena

Segundo a minha visão a real felicidade reside numa combinação das três visões que acabei de definir.

Creio que a primeira e mais importante é a liberdade. Nenhum homem pode provar o verdadeiro amor sem antes ser livre, pois senão ele sentirá apenas algo falso que se assemelha ao amor, mas que não passa de uma artimanha de um esperto qualquer para lhe demover se sua consciência.

Um homem livre pensa, pois é nisso que consiste a liberdade. Não adianta amar todas as coisas, mas ser preso a elas. Só canta de forma bela o pássaro que voa livre.

Mas ser livre não é necessariamente o mesmo que servir apenas a si mesmo em intentos mesquinhos. Eu posso, como um homem livre, decidir me integrar no todo. Assim eu serei um individuo único, mas não separado do todo.

Quando um homem é livre de verdade ele perde a necessidade de ter um inimigo, perde a necessidade de ter um oposto que seja equivalente, pois isso só ocorre quando as pessoas estão negando a si mesmas ao ponto de terem que projetar nesse inimigo suas aspirações.

Dessa forma, se eu desejo uma mulher e estou reprimindo com todas as forças esse desejo, possivelmente eu serei hostil a ela como forma de reprimir a mim mesmo no desejo. Viverei numa prisão que existe só dentro de mim mesmo.

Depois de alcançar a liberdade, de ter sua mente emancipada e de ser o próprio mestre, deve haver uma integração com o todo. Não para ser guiado cegamente por este, mas para ser parte atuante, de forma que a felicidade do altruísmo possa inspirar a felicidade.

A felicidade reside em estar inspirado pelo amor, que nos integra com o todo e em sermos guiados apenas por nós mesmo, sendo livres.

A felicidade não exclui a alegria: pelo contrário. Depois de alcançar a verdadeira felicidade as alegrias se tornam menos atrativas, mas não menos satisfatórias. Assim, nós não buscamos a alegria tão compulsivamente, e ela não cai em redundância. Qualquer besteira trás alegria, porque não estamos querendo dar a esta a função da felicidade.

Com essa felicidade, o mundo pode nos abalar uma vez ou outra, mas no fim do dia, quando tudo passou e vamos nos deitar, só sobra a paz. Por pior que seja a nossa situação, nós estamos bem. É como me disse certa vez um homem: “a minha vida é muito difícil, mas eu vivo sorrindo porque eu sei que Deus está comigo”. O homem não estava mentindo. Ele encontrou a fonte de felicidade, que é o amor. Se ele a chama de Deus, isso não me diz respeito.

Ilusões acabam, mas o amor dura para sempre.

primeiro o Andarilho alcançou a liberdade ao sair do castelo, e depois ele alcançou a Vontade de amor como sendo um caminho no qual reside a vida feliz.

Sobre o futuro da humanidade

Escrevi a mensagem abaixo em resposta à um tema de debate proposto por um amigo.

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=117923&tid=5330750358001940831&start=1

É bem comum que eu seja chamado de um otimista, ou mesmo de um iludido por ter as opiniões que tenho a respeito disso, mas isso são reações sentimentais: a psicologia analítica tem um papel fundamental no futuro da humanidade, mas não só ela.

Vou avisando que minha resposta será grande.

Eu vejo esperança em algumas coisas tais como: o mundo como holograma, o pensamento sistêmico (filho da psicologia analítica), a organização mundial em rede e, finalmente, o anarquismo.

Depois que eu descobri uma idéia que chamo de “Vontade de amor”, que chamo de caminho florido no conto do “Andarilho”, minha perspectiva do mundo mudou completamente. Mudou ao ponto de eu querer compartilhar as boas novas com os outros.

Para consultar a Vontade de amor e O andarilho vá no meu blog:

http://insilasbrain.blogspot.com/

Muito do que vou escrever aqui terá caráter sentimental, e não vejo nenhum motivo pelo qual os sentimentos não devem ser levados em consideração para se imaginar uma solução.

Vamos ao que interessa:

No blog de um amigo meu eu li uma matéria muito interessante que fala do mundo como um holograma.

Veja na integra:

http://outsidercaos.blogspot.com/2009/01/15-o-universo-como-um-holograma.html

É feito todo um complicado processo através do qual se “imprime” um holograma num filme. Quando um feixe laser atinge esse filme, se forma o holograma. Esse filme foi dividido em duas partes, mas quando o feixe do laser atingiu as duas partes cada uma delas mostrou um holograma completo idêntico ao original, só que em menor proporção.

Foram dividindo o filme e descobriram uma coisa espetacular: todas as partes do filme continham um holograma inteiro.

A partir desse raciocínio podemos ver o próprio homem de uma diferente perspectiva, pois mesmo pesquisas na área da neurologia demonstram que não há uma parte específica da nossa mente que armazena a memória: ela se integra no todo que é a nossa psique.

Por isso é assim que se dá o nosso aprendizado. Nós vamos agregando novos paradigmas, mas estes não funcionam por conta própria: se integram no todo inseparavelmente.

Dessa forma, todo e qualquer conhecimento que nós agregamos é útil, seja o conhecimento que vem de você e de mim ou um que vem do livro de Jung.

Talvez possa parecer que isso tudo não tenha relação direta com o tema proposto, mas na verdade tem sim. Se colocarmos essa visão holográfica na sociedade, acabamos por encontrar o tipo de sociedade que nos é apresentada atualmente pelos meios de comunicação: a organização social em rede.

Essa incrível comunidade é um exemplo do que eu estou falando. Quando debatemos aqui não há autoridades. Você não é melhor do que eu, e nem eu do que você: o que eu falo é tão incerto quanto o que você fala, e desconstruímos a idéia de que há autoridades no assunto que for. Isso desconstroi a idéia de que as pessoas são ovelhas a serem guiadas por pastores e, especialmente, da abertura para um sujeito como você começar a colaborar com a sociedade por conta própria, sendo mais um soldado do que chamo de exercito sem general.

Assim, quando eu entrei nessa comunidade eu te vi debatendo com o Marcos sobre a relação entre Jung e Freud, e isso me causou uma extrema atração pela comunidade.

Ao freqüenta-la mais assiduamente eu me interessei mais pelo pensamento junguiano e acabei por comprar alguns livros, entre eles o “tipos psicológicos” que mudou para sempre a minha forma de pensar. Á maneiro do holograma, se integrou ao meu pensamento.

Dessa maneira, você que provavelmente nem é famoso e que, na organização social anterior, nunca teria contato comigo, contribuiu de forma extremamente positiva para o meu desenvolvimento, e não só você: esse meu amigo e muitos outros que jamais teriam tido contato comifo, mas tiveram e expandiram minha mente graças a essa nova organização mundial em rede. Graças à internet.

Nesse espaço é que o pensamento sistêmico ganha força, porque aqui as pessoas têm uma pressão muito menor do mundo externo, tendo assim a possibilidade de introverterem com mais facilidade. Assim, na internet você pode ver as pessoas manifestando sua essência verdadeira, e ao perceber essa manifestação uma idéia que pode te ocorrer é: “como essa pessoa é diferente de mim!” E isso é o que mais me acontece.

Aí a idéia de que a realidade é simples e estável, principalmente no que se refere à existência humana é desconstruída, e todo um padrão que queremos atribuir aos outros cai por terra diante da máxima de que todas as pessoas são essencialmente diferentes.

Essa troca de informação não poderá ser controlada, e creio que a internet em breve estará ocupando o mundo todo, de forma que a interação venha a expandir a consciência das pessoas nesse e noutros aspectos. A consciência mais plena levará à baixa taxa de natalidade, e a Europa é a prova disso: eles importam mão de obra para serviços ordinários porque seus cidadãos são conscientes o bastante para controlarem a natalidade espontaneamente.

Talvez fique um elo perdido no que se refere à minha afirmação sobre o anarquismo, mas eu acho que essa é uma coisa que jamais veremos acontecendo, porque presume uma quantidade extremamente menor de pessoas habitando o planeta. Não viveremos para isso. Creio que com o tempo a população será muito menor, e a tecnologia (inclusive a de comunicação) estará desenvolvida ao ponto de não precisarmos mais de líderes para guiar o povo, pois todos os cidadãos terão plena consciência da importância de viver segundo a ética(não a moral). Não haverá a necessidade de uma pessoa selecionar as informações que serão distribuídas aos demais.

Não haverá mais a possibilidade de um ditador tomar um poder, porque as pessoas já não poderão ser caladas. Cada um será um nó na teia social. Cada um será seu próprio senhor e dono de sua individualidade. A expectativa de vida se tornará extremamente maior e finalmente a humanidade poderá viver em harmonia.

Não digo com isso que nossos impulsos mais doentios deixarão de existir. Só que por mais doentio que um homem for, ele não poderá agregar poder e dominar os outros. E se ele for criado num sistema onde há harmonia, eu duvido que ele se torne um doente como os que vemos hoje, pois esses são fruto do nosso sistema falho. De qualquer maneira, já hoje os sistema eletrônicos já nos aliviam de tensões como fobias e mesmo a raiva: a realidade virtual está e tornando cada vez mais detalhada, e eu mesmo já descontei minha raiva num jogo chamado “God of war”.

Em suma, eu creio que entrar na internet e trocar idéias sobre a vida é a nossa forma de reagir contra as injustiças do mundo. Não podemos lutar contra o sistema através de força armada, mas podemos ser um exercito sem general, composto por pessoas com um interesse em comum: tornar o mundo um lugar melhor para se viver.

Por isso você é importante, assim como todas as pessoas que compartilham seu conhecimento pela internet com tanta boa vontade.

Amarrado no escuro

Há algo me segurando

E meus olhos não se abrem

Seriam correntes?

Há pessoas me segurando?


Eu consigo sentir um cobertor

Ele me cobre, me protege do frio.

Alguém me abraçou

Mas não posso reagir


É um coração que bate rápido

Com uma pele macia

Não posso ver quem é

Mas gosto disso


Quero me soltar

Quero abraçar de volta

Peço que me solte,

Mas não sou ouvido.


Esse lugar cheira bem

Como as flores

O chão onde piso é macio

Mas não posso me deitar


Eu sinto um suspiro

Um pouco de ar quente na nuca

Dá calafrios, eu gosto

Mas estou preso


Eu quero abrir os olhos

Libertar-me dessa corrente

Mas não posso sozinho

E não sei se posso ser feliz

Preso no escuro