Foi só um momento


Foi um dia longo pra nós dois. Mas foi bom. Passeamos por aí. Não conheço o nome dos lugares pra me lembrar e nem importa também. O que importa é que foi um bom passeio.
E eu nem gosto de passear.
Chegamos à casa dela. Barulho de cachorro vindo do quintal. Adoro cachorro.
Entramos no quarto dela e eu deitei na cama. Tão fofa. Não era daquelas que arrebentam a coluna. Era boa mesmo. Melhor que a da minha mãe, que sempre achei que fosse a melhor do mundo.
Ela abriu o notebook, mas fechou. Sentou na cama e me olhou.

- Olha, Silvana, eu não sei não. Você é bonita demais. Isso pode acabar de uma maneira que você não vai gostar. A não ser que seja plano seu desde o começo.

Ela não falou nada. Só respondeu com um sorriso carinhoso e maldoso. Sorriso de criança levada que ela tem. Bonito demais.
Deitou como uma perna em cima da minha. Cabeça no meu peito. O pé dela ficou na minha canela e ela roçou um pouco. Até a sola é macia.
A respiração dela batia no meu pescoço. Isso sempre me deixa maluco. Acho que já falei isso pra ela, até. Foi tudo premeditado, e eu gostei.

- Dá um calafrio quando você solta o ar quentinho.
- Incomoda?
- Não. Só dá um calafrio. É bom.

Ela subiu um pouco. Todo o corpo dela se arrastou pelo meu.
Abriu a boca e deixou o ar sair no meu pescoço. Eu até ouvi o barulho do vento no ouvido.
Minha cabeça levantou espontaneamente. Olhei pra madeira que fica na parte de cima da cama e logo fechei os olhos, quando ela beijou meu pescoço.
Perdi o controle.
Agarrei o corpo dela com força. Puxei pra cima de mim. Meus braços a envolveram pela costela, subindo até o pescoço. Ela colocou as mãos por baixo das minhas costas e subiu com elas até meus ombros. Beijou meu pescoço e esfregou a boca com a língua. Adoro aqueles lábios carnudos dela.
Foi até o meu ouvido e depois esfregou o rosto dela no meu. A pelo macia dela contra minha barba falhada por fazer. Tão macia...
Fiquei ainda mais extasiado.
Passou com a boca na minha, mas não ficou. Foi até o outro ouvido.
Desci minhas mãos pelas costas dela até a cintura e ela colocou a mão esquerda no meu rosto.
Levantou a cabeça e me olhou nos olhos. Pra minha cara de retardado. Sempre faço essa cara.
Sorriu, acho que gostou da minha cara. Na verdade aquele foi nosso primeiro beijo. E foi tão intenso. Foi bem do jeito que eu gosto. Lento, sem pressa nenhuma. Aproveitando cada instante. Ela mordeu meus lábios.
Eu não podia acreditar naquilo. Bem que eu sabia que mais cedo ou mais tarde aconteceria, mas ainda assim soava como um sonho.

- ô Silvana! Teu cachorro fugiu! – gritou a mãe dela

Chegou mais cedo em casa. Estragou nosso clima, mas tudo bem. Agora tudo mudou. Sim, agora nós somos um. Não estou com pressa. Foi só um momento, mas mudou a minha vida pra sempre. Pra melhor.

3 comentários:

Duan Conrado Castro disse...

Sim, um momento pode mudar tudo.

Silas disse...

Não é?

Pra melhor e pra pior...

Tem sentimento no seu comentário...

Legal...

Realista Ueno disse...

=]
O nosso foi um pouquinho diferente.