Uma brincadeira epistemológica com o Macro-evolucionismo e órgãos vestigiais
Postado por Silas às sábado, setembro 25, 2010 15 comentários
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Resposta à may
Hey...!
Uma das idéias mais interessantes que já tive e que culminou em várias outras, eu a tive assistindo um filme de zumbi! Exatamente um filme de zumbi!
Postado por Silas às terça-feira, julho 13, 2010 0 comentários
Marcadores: ambiguidade, Arte, Ciência, Comunicação, Epistemologia, Filosofia, Liberdade, Loucura, Metafísica, modernidade, Plenitude, Procusto, Psicologia
Acerca do “sine qua non” do estabelecimento de uma forma de pensar
No entanto, porque uma pessoa pareceu interessada em continuar lendo as besteiras que escrevo aqui, decidi produzir mais uma de minhas racionalizações.
Aqui, falarei do elemento psicológico básico através do qual uma forma de pensamento se estabelece.
Logo adianto aos mais ingênuos que esse elemento não é a razão, não é a verdade e, tampouco, uma soma de ferramentas de manipulação.
Isso porque a razão em si é um conceito nebuloso e guiado por critérios. Esses critérios variam entre os indivíduos e, portanto, acabam surgindo diversos conceitos do que vem à ser a própria racionalidade. Daí já é estúpido alguém dizer que fulano está com a razão e seu oponente não: porque ambos estão com a própria razão e se não possuem critérios próximos jamais poderão chegar a um acordo obre coisa alguma. Como não há um critério racional que esteja acima dos demais e que, assim, possa regular e explicar a todos, não podemos presumir que a razão é o Sine qua non. Antes, é uma ferramenta tão eficaz quando a manipulação, propaganda, etc. que atinge um certo grupo de indivíduos e nada mais.
A verdade é um termo absurdo. A suposição ingênua de que, através da razão, encontraremos a verdade é completamente egocêntrica. Isso porque, em primeiro lugar, se presume que só existe um critério real para guiar a razão, e, em segundo, porque se presume que só há uma “verdade” a qual poderíamos chegar dentro desses critérios. Como já disse, é possível selecionar diferentes premissas de pensamento que são, em si, irracionais (não podem ser provadas ou refutadas e são aceitas como auto-evidentes quando na verdade não são.). Além disso, mesmo dentro de certas premissas, é possível o indivíduo entrar em contato com N elementos empíricos e, através deles, chegar a diferentes “verdades”, não havendo, portanto, nenhum motivo para que se torne legítima a afirmação de uma “verdade”.
Mas meu objetivo aqui não é falar o que não é. O que pretendo é determinar a principal razão pela qual uma forma de pensar se estabelece.
Mas o que quero dizer como uma forma de pensar?
É simples. Falo de um conjunto de premissas que orientam ações e pensamentos aceitos por um grupo e pessoas diferentes entre si.
Para isso, vou recorrer ao pensamento cristão. Para quem está familiarizado com o blog e sabe que já critiquei a estrutura do pensamento cristão, se preparem pra uma surpresa. Segundo certas premissas, estarei, aqui, usando o cristianismo como um exemplo “positivo” até certo ponto. Provavelmente esse texto poderá refutar um argumento comum entre os cristãos, que usa Deus para explicar a razão pela qual essa religião se multiplicou. No entanto, também refuta uma afirmação minha, de que o cristianismo se reproduziu por ser um tipo eficaz e bem elaborado de praga.
Atualmente há o ateísmo, com suas próprias premissas com uma própria cosmologia plural (até certo ponto), mas no passado não existia e as pessoas não se sentiam revoltadas por isso.
Aquino e Agostinho trouxeram as perspectivas Aristotélica e Platônica para o cristianismo, e diversos subgrupos se formaram dentro desse. Alguns acreditavam que a ceia era um símbolo de cristo, outros que era efetivamente a carne e o sangue dele. Alguns acreditavam que Jesus era possuidor de suas vestes e outros que não. Claro que todos dentro da premissa de que Deus existe, Jesus é seu filho, etc., mas havia uma enorme variedade. Mente quem sai por aí dizendo que era proibido pensar na idade média. Ficam imaginando que as pessoas daquela época pensavam como as de hoje, que vão além das premissas cristãs (devo lembrar que falo da Europa?).
Mas a verdade é que o homem da época do cristianismo não pensava como o moderno, não lia Richard Dawkins e possuía uma ciência bem conformada dentro dos padrões da teologia. Na verdade, na época eles recorriam com freqüência à Deus como hipótese.
Gostam de usar o julgamento de Galileu como exemplo, mas a verdade é que, segundo o paradigma da época, ele estava refutado. Além disso, ele não tinha nenhuma evidência para o que dizia que não seu telescópio questionável e sua imaginação.
Mas voltando ao assunto, porque é que o cristianismo se firmou como uma forma de pensar dominante? É bem simples: porque não havia um topo, alguém pra decidir por último o que era verdade. Havia diversas formas de se pensar dentro do cristianismo, e os indivíduos conflitavam seu pensar dentro dessas premissas. Não só isso: havia espaço para uma enorme variedade de tipos psicológicos e vivências. O pensamento cristão se multiplicou porque permitiu que as pessoas manifestassem as mais diferentes características do homem na época, não porque as moldou.
Quando Agostinho e Aquino trouxeram o pensamento dos gregos para o cristianismo, isso permitiu que essas formas de pensar o mundo existissem dentro do cristianismo e que, assim, o cristianismo englobasse dentro de si os tipos mais diferentes de pessoas.
Apesar das diferenças culturais, das diferenças psicológicas e até as políticas, o cristianismo conseguia englobar todo o pensamento europeu daquela época.
Até que, é claro, o pensamento quebrou as barreiras do cristianismo, e esse não acompanhou tão rapidamente as mudanças. Claro que hoje há cristãos evolucionistas, mas certamente o cristianismo não possui mais a força hegemônica de antes.
Isso porque atualmente não há mais como se formarem pensamentos. Temos internet e diversos meios de comunicação que não podem ser controlados apenas por um grupo com uma forma de pensar. Tem tanto a sabermos, tanto para pesquisar, que dificilmente alguma ideologia conseguirá quebrar a barreira de todas as outras.
É sempre ingênuo, no nosso tempo, falar de uma forma de pensar ortodoxa na sociedade, porque parece que a cada canto que você vá, acaba encontrando alguém que pensa diferente.
No entanto, aquilo que deu força ao cristianismo pode dar força a outras formas de pensar.
Temos como exemplo a psicologia do Inconsciente (de Freud, Jung, Reich e outros) e o Marxismo.
Em ambos os casos, as premissas básicas de pensamento se multiplicaram e foram interpretadas de diversas maneiras. Dentro da psicologia do Inconsciente (e não da psicanálise, porque nessa Freud tratou de expulsar alguns que pensavam diferente) o pensamento se multiplicou para a arte, para a concepção de sociedade e diversos aspectos da vida humana. Não só isso, como, em cada um desses aspectos, sob diversas perspectivas. O pensar em psicologia do inconsciente se tornou amplo e, portanto, acabou se difundindo.
No marxismo é a mesma coisa. Há vários “marxismos” diferentes, que apresentam diversas perspectivas e relação com diversas áreas da vivência humana. Interessante, aliás, que muitos marxistas também são pensadores da psicanálise.
É isso e não razão ou a “veracidade” que torna uma forma de pensamento difundida.
O que nos leva à conclusão desse texto, que volta até os grupos revolucionários. Esses, no presente, costumam pensar que basta eles difundirem uma idéia. Pensam que as pessoas não pensam como eles porque ainda não os ouviu falar e que vão efetivamente mudar o mundo através do trabalho de difusão de idéias.
Ora, aí está o elemento da propaganda, que pode também envolver a transmissão de informações com técnicas de manipulação. Essas técnicas variam de estímulos ao Inconsciente à tentativas de atingir o sentimento do interlocutor com trilhas sonoras tocantes e imagens de impacto. Seja qual for a tática de manipulação, ela se anula pela multiplicidade das idéias na sociedade em si. Afinal, na presença de propagandas contrárias vindas de todos os lados deve haver algum critério interno de seleção. Senão nosso cérebro fritaria tentando processar tudo.
Daí decorre que de nada adianta ser um devoto e divulgar uma forma de pensamento se ela não é ampla o bastante. Também de nada adianta manipular, usar sua razão ou afirmar que se trata da verdade.
Na verdade, até mesmo quebrar a barreira lingüística é difícil: com freqüência falamos de coisas idênticas na forma de pensamento, mas expressamos com termos diferentes. Cada um entende os termos do outro de maneira diversa e acabam pensando que discordam quando na verdade uma “previsão” baseada em ambas as formas de pensar seria idêntica.
Não adianta mais pregar, não adianta mais achar que o mundo será mudado por um conjunto de idéias. Pelo contrário, é precisamente a variedade que torna o mundo mais humano. Porque por mais que um indivíduo seja Outsider, por mais que seja estranho, algo há nessa sociedade que seja adequado a ele. Não há como uma pessoa ser completamente estranha ao mundo.
Antes, se alguém conseguir estabelecer um meio de pensar hegemônico, todos se tornarão robôs, com uma intuição íntima de que algo muito errado se passa e uma sensação irreparável de completo desajuste.
Para uma ideologia nova se difundir e ser capaz de lidar com a variabilidade do ser humano, então, é necessário que não existam líderes. Exatamente isso. Porque jamais pode a visão de um homem apenas ser ampla para guiar um grupo quando ele se tornar suficientemente grande. A não ser que seja um grupo religioso. Nesse caso, no entanto, ao invés de emancipar a humanidade estaríamos trabalhando para restringir sua liberdade.
Não se pode pensar que um homem é inteligente o bastante para guiar um grupo grande, porque a quantidade de pessoas diferentes nesse grupo exige que o pensamento grupal englobe isso tudo. De outra maneira, grupo se torna uma massa e os membros perdem a autonomia. Tornam-se autômatos.
Antes, se houver diversos pensadores dentro da linha geral do grupo apresentando diversas perspectivas para entender as atividades do grupo, ele terá plasticidade para aceitar em si uma grande variedade de pessoas. Assim, o grupo pode ganhar um volume considerável e, sob diversos níveis, efetivamente mudar o mundo. Não quer dizer que transformarão o mundo num paraíso idealizado. Até porque, dentro do grupo certamente haveria divergências demais para isso. Mas certamente as linhas gerais do grupo se tornariam mais influentes.
Para isso, poderíamos pensar no Movimento Zeitgeist. Segundo fui informado, o movimento já possui meio milhão de membros por todo o mundo, mas a variedade interna é pequena.
Como linhas gerais desse movimento, vi as premissas de “mudança constante” e união. E aceito essas premissas, pois se adéquam à minha realidade psicológica.
No entanto, apesar de essas premissas serem bem amplas, as idéias apresentadas no movimento são estreitas. Com fixação pela forma comportamentalista de entender a mente humana, criam um “plano de ação” baseado apenas nela. Dizem que Jacques Fresco é um grande gênio, autodidata que já estudou as mais diversas disciplinas, mas não vejo nenhuma genialidade nessa cosmovisão limitada da psicologia dentro do movimento. Antes, há psicologias. Diversas perspectivas, muitas das quais eu conheço só de ouvir falar (de ler em livros de introdução à psicologia), e bem interessantes que tratam de fatos não observados na perspectiva comportamentalista acerca do ser humano.
O movimento é baseado num projeto, que lida com o ser humano apenas com a perspectiva comportamentalista e imagina que os seres humanos serão simplesmente condicionados a não serem destrutivos pelo meio. Dentro dessa cosmovisão, colocam que não será necessário haver leis ou política.
Ora, isso é completamente absurdo. Dizer que o ser humano não precisa de leis implica encerrar a discussão sobre o comportamento humano. Não sei de alguém que seja capaz de fazer isso. Sobre não haver política, nesse caso haveria totalitarismo. Dizem que as decisões seriam tomadas com base no método científico, mas, como Feyerabend aponta,
“O chauvinismo da ciência é um problema muito maior do que o problema da poluição intelectual. Pode até ser uma de suas maiores causas. Os cientistas nãos e dão por satisfeitos em organizar seus próprios cercadinhos de acordo com o que consideram ser as regras do método científico, mas querem universalizar essas regras, querem que ela se torne parte da sociedade em geral e usam de todos os meios à sua disposição – argumento, propaganda, táticas de pressão, intimidação, práticas de lobby – para atingir seus objetivos.”
Para mais além, pretendem que esse método seja acrescentado a um computador, responsável pelas decisões.
Com isso, eliminam a possibilidade do pensamento amplo, da integração da variedade humana. Para alguém ser ajustado nesse sistema, precisa acreditar no que eles dizem ser o método científico e também na concepção de psicologia deles, segundo a qual não haveria criminalidade sem a estratificação social.
Além disso, apresentam uma sociedade sem moeda corrente, o que já limita drasticamente as possibilidades para aqueles que aceitam os mais diversos tipos de monetarismo. Eles simplesmente presumem que o ser humano só usa o dinheiro como instrumento para lidar com a escassez e que, sem ela, não haveria necessidade de uma moeda corrente, porque haveria recursos abundantes a todos. Esquecem, no entanto, que alguns podem simplesmente discordar disso.
Para dar um exemplo, precisamos ver que, por mais que exista abundância de energia, comida, água e materiais de construção (para moradias), ainda assim haveria muitos bens e serviços na sociedade que variam em qualidade. Além disso, certamente existiriam funções, trabalhos a serem feitos. Ora, não há porque eliminarmos o ganho material como forma de motivação. Não é porque há abundância que um indivíduo não irá querer ter os produtos de melhor qualidade se ele trabalhar por isso. E, de qualquer maneira, uma sociedade que oferecer todos os bens de serviço em troca de nenhum trabalho desestimularia os seus membros de realizar o trabalho interno necessário. Isso, é claro, se estivermos lidando com a tecnologia de hoje e não com outra, imaginária, de um futuro próximo (daqui a 50 anos, digamos). E mesmo que exista tecnologia para no libertar dos trabalhos de produção de certos bens de consumo, ainda há profissões que não podem ser executadas por robôs e não vejo razão para negar com tanta veemência o tipo material de recompensa pelo trabalho.
Querem eliminar o dinheiro pelo fato de que, através dele, homens dominam os próximos para enriquecer por meios ilícitos, mas parecem nunca ter entrado em contato com o anarquismo de posse, por exemplo, onde isso não seria possível.
Além disso, a despeito do fato de que aceitam religiosos no movimento, preferem que o pensamento religioso não seja envolvido com este. Ora, foi do taoísmo que eu tirei minha premissa de mudança constante. Por causa de uma vivência religiosa e nada mais. A outra, a da união, também tirei de outra religião. E, a despeito do fato de que o pensamento dessas religiões poderia acrescentar muito ao movimento, Joseph declara que o movimento não admite em si pensamento religioso. Mas o pensamento religioso é tão humano quanto o científico ou qualquer outro e não tem sentido abrir mão dele dentro do movimento.
E certamente não são só esses questionamentos a serem colocados dentro das premissas de mudança constante e união. Esses são só os meus. Certamente muitos pensadores, pessoas que são, em si, diferentes, possuem diversas objeções em relação às idéias de Fresco e Joseph.
No entanto, o movimento possui uma cabeça, e por isso não admite em si a diversidade.
Mesmo que consigam reunir uma comunidade de pessoas que pensem de maneira análoga e construam uma cidade-modelo, e que essa cidade gere renda e se desenvolva (o que é pouco provável), logo na segunda geração, os filhos dos pioneiros, pensarão diferente e não poderão se adaptar ao ambiente. Para isso bastaria eles terem contato com o “mundo lá fora”.
Uma ideologia que possui líderes e não variedade de pensamento está fadada a se sustentar apenas através da fé. Aí entrará em conflito com todas as outras ideologias baseadas em fé, se tornará uma convicção rígida e entrará em contradição com o próprio pressuposto de mudança constante.
Em suma, qualquer forma de pensamento, seja nova ou não, só pode se estabelecer de maneira efetiva se englobar a variedade de indivíduos. Caso contrário, será só mais uma forma de fanatismo vazio em termos de implicações práticas na mudança da sociedade e também em estímulo da criatividade e do desenvolvimento humano.
Postado por Silas às domingo, maio 02, 2010 0 comentários
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Meu irmão e eu no reino das trevas
- Porque, irmão? Porque você me abandona? – perguntou o velho.
- Não te abandono. Você está enganado.
- Você está me deixando sozinho. Você fez um pacto de que não me deixaria sozinho aqui!
- Irmão. Você deixa a si mesmo sozinho. O tempo de aprendermos sobre a destruição acabou. Precisamos agora continuar nosso caminho. Precisamos deixar a corrente nos levar para novas possibilidades.
- Eles te contaminaram. Você devia ter impedido isso.
- Não. Não devia.
- Eu não posso continuar sem você. Será que não entende? Nós representamos o equilíbrio do universo!
- Você está perdendo o contato com sua essência, irmão. Não percebe? Mefistófeles não é você. Não é a sua função manter o equilíbrio. – eu falei sem muita consciência do que isso queria dizer.
Mefistófeles me jogou a carta e eu peguei com a mão direita. Quando a passei pra esquerda ela desapareceu. O anel a destruiu.
- Viu? Em breve esse anel terá te profanado tão profundamente que você já poderá voltar ao inferno. Eles te querem como um escravo, você sabe disso.
- Não. Sou eu, irmão. A minha essência mudou nesses milênios. Eu já não sou aquela criatura destruidora que fez o pacto de servir a desintegração. Nem você.
- Você está perdendo o juízo. A energia deles está tomando conta do seu ser.
- Não. A totalidade está tomando conta do meu ser.
Eu levantei minha mão direita e mostrei a ele. Minha pele começou a envolver o anel de Mefistófeles. Ele se acoplou de tal maneira em mim que nos tornamos um.
- Você é um só. Como pode ter essas forças dentro de si? Como pode ter todo o universo na sua alma e sua alma em todos universo? Como!?
- Eu parei de perguntar como e deixei o meu corpo flutuando no cosmo. Aí os fluidos da natureza, os que caminha para a totalidade, me mostraram o caminho. Não é um caminho a ser controlado e entendido, mas a ser sentido e vivido. É o caminho para o infinito.
- Então era esse o convite. – disse o velho ao jogar as cartas na mesa.
Mefistófeles não falava sequer uma palavra. Ele não é um ser humano, mas uma força do universo. Não pode deliberar. Ele só é.
- Você também o recebeu, irmão. Junte-se a mim. – disse eu com esperança.
- Não posso. A minha alma e Mefistófeles estão fundidos. Eu fiz isso para que você pudesse ser livre.
A mesa voou e eu vi a perna direita dele. A partir do joelho ela deixava de ser a perna dele e passava a ser a de Mefistófeles. Os dois permaneciam na mesa daquela maneira porque suas pernas estavam presas como que cirurgicamente. Por causa daquilo ele só poderia trilhar o caminho do diabo. Uma voz rouca, a minha voz, gritou perguntando quem eu era. Eu perguntando a mim mesmo como se eu fosse outra pessoa.
- Meu tempo está acabando. Irmão, Encontrarei gaia. A encontrarei e você será livre. Eu prometo.
O velho me olhou com um olhar de quem não gosta da idéia, mas que ao mesmo tempo parece aceitá-la. Fui puxado para fora do inferno e o portão se fechou. Não seria pelo portão do tártaro mais o meu caminho. Tantas vezes o trilhei, mas isso tudo ficou no passado. Agora era a hora de buscar as respostas. De encontrar Gaia. Mas o mundo balançou e eu fui convocado à realidade.
Postado por Silas às sábado, novembro 14, 2009 0 comentários
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Breves considerações sobre epistemologia e comunicação.
O conhecimento transcende a informação, porque ele vai para além de só memorizar dados: ele é o resultado de julgamentos racionais e sentimentais acerca de determinada informação. A informação, por outro lado é algo destituído de juízos por si mesmo.
Para desenvolver o raciocínio, vou separar (por didática) dois tipos de pessoa: aquelas que absorvem informação e aquelas que absorvem conhecimento do mundo externo. Claro que não existe uma pessoa que se fixe apenas num pólo, pois isso é completamente impossível na prática em ambos os casos.
Alguns indivíduos, ao absorverem um conhecimento, absorvem também o juízo de valores e das premissas racionais de quem transmite tal conhecimento. Exemplos variam de propaganda à pregações religiosas. Quando um religioso ouve e acata o conhecimento transmitido por seu líder ele passa a se encaixar naquele modelo de pessoa que absorve conhecimento do mundo externo: seus paradigmas e valores vêm de fora e isso caracteriza extroversão. No entanto, como salientei no primeiro parágrafo, não há como ser totalmente passivo o tempo inteiro: se o mesmo líder decidir se opor a tudo o que explicitou até o momento é provável que o mesmo religioso se negue a aceitar a mudança, alegando que o líder perdeu o juízo ou está, de alguma forma, possuído (fora de si).
Outros indivíduos absorvem apenas informação, buscando filtrar os juízos e as premissas usados pelo autor para “purificar” a informação. Isso pode, com efeito, distorcer o pensamento alheio ao adaptá-lo aos próprios paradigmas. Apesar disso, por mais que esse tipo de indivíduo queira se libertar dos juízos do outro, todos os seus julgamentos são fruto dessa informação que ele absorve do mundo externo.
Entre os dois tipos descritos eu poderia criar uma enorme quantidade de sub-variáveis, mas não é minha intenção com esse texto criar uma tipologia psicológica (se fosse eu estaria sendo irresponsável).
Na verdade esse texto não é revolucionário nem para o mundo externo da produção de conhecimento científico e tampouco ao meu blog. Já discuti sobre epistemologia e em diversos posts desse blog. Nada mais escrevo aqui do que a forma de comunicação intelectual que considero mais eficiente.
De início cito uma lembrança de um vídeo que me trouxe algumas reflexões racionais e éticas. Um pálido ponto azul (the pale blue dot) que, se não me engano, é baseado num texto de Carl Sagan.
Falando superficialmente, o que o texto disse foi o seguinte: isso que vemos como imensidão e chamamos de mundo não passa de um pálido ponto azul no meio do universo imenso. Noutras palavras, o texto quis dizer que o nosso mundo não significa nada e que, conseqüentemente, nós também não significamos nada diante da imensidão do universo. Uma mensagem que salienta a necessidade de humildade.
Eu, ao entrar em contato com a informação acerca da dimensão do mundo, pelo contrário, não pensei que não somos nada, mas que somos tudo. Noutras palavras, do ponto de vista ontológico, eu vejo todas as coisas como sendo inseparavelmente conectadas ao ponto de poder dizer que nós somos o universo e vice-versa.
E no final, por mais que tenhamos feito uma viagem de raciocínio diferente, chegamos à conclusões parecidas. Afinal, se todos são um, apenas um indivíduo não pode se considerar como algo à parte (melhor), especial, digno de mais. E a conclusão de Sagan foi parecida: tudo aquilo a que damos valor não é assim tão especial. No final das contas, cada um de nós à sua maneira, estávamos julgando e condenando idealismos e atrocidades cometidas pelo ser humano em nome de algo “especial”.
Nossos pensamentos percorreram caminhos diferentes por causa de uma pequena premissa: ele presumiu que o pálido ponto azul (isso ficou implícito em julgar sua insignificância) é separado do resto do universo e eu que esse ponto é o universo. Noutras palavras, eu vejo tudo como um e ele como uma grande multiplicidade de diferentes e separados fatores.
É claro que as visões, ao menos do meu ponto de vista, são de caráter pessoal: ele olha e ver diversos organismos, eu olho e vejo um só.
Se ele não tivesse emitido seus juízos eu jamais teria pensado a mesma coisa que ele. A pura informação me levaria a conclusões totalmente diferentes, a despeito do fato de que ele acredita que qualquer um que veja tal coisa deva chegar à mesma conclusão que ele.
Daí decorre que nem sempre a mensagem (que existe em forma de pensamento) é traduzida perfeitamente para o agente passivo do processo de comunicação.
Por isso que saliento a importância da exploração de todas as premissas utilizadas na construção de um pensamento bem como a forma através da qual se construirá o conhecimento tendo por base tais premissas (porque uma premissa pode levar a diferentes conclusões). É sempre interessante criar esse itinerário para a expressão do pensamento porque isso facilitará a compreensão (trazendo críticas mais fundamentais e produtivas) como também eliminará a possibilidade de o pensamento ser interpretado como algo imperativo: afinal, assim o leitor tem a possibilidade de questionar fácil e claramente o fundamento do pensamento estando certo de que não está cometendo algum equívoco interpretativo (assim, se torna positivo para ambos os tipos que eu defini). Além disso, dessa maneira uma pessoa que se guia por premissas diferentes e por uma epistemologia diversa pode absorver a informação como o ponto de vista do autor ao invés de simplesmente discordar e não absorver por considerar um mero erro.
Se tal “exploração” das premissas e do método epistemológico não for feita detalhadamente, provavelmente aqueles que não acreditam nas premissas do autor vão começar a discordar do texto no começo e desconstruirão o conhecimento ao invés de agregá-lo e construí-lo.
Depois que tal conflito se inicia com a desconstrução, fica difícil dizer quem distorce o discurso de quem: o autor pode estar distorcendo a crítica e o crítico distorcendo o discurso do autor. Se inicia um “duélogo”.
Um ponto importante e salientado em outros posts é que seja exposto, sem piedade, o caráter metafísico inerente da metafísica escolhida. Do ponto de vista absoluto, sempre há algo no nosso pensamento que é injustificável(de origem psicológica pessoal). Por maior que seja nossa rigidez, o conhecimento é um fluido. Isso se aplica especialmente quando estudamos o ser humano com sua plasticidade. Afinal, não se pode definir um pensamento completamente.
O paradigma ao qual eu fiz alusão sobre a inseparabilidade é um juízo de valor sentimental e traz diversas influências sobre meu pensamento: Ele torna inacetiável o sistema de disputas do capitalismo, já que, segundo tal ponto de partida, eu estaria entrando em conflito comigo mesmo ao conflitar com o outro. Daí decorre que uma visão poilitico-social adequada a esse ponto de partida seria aquela em que ninguém está acima de ninguém (na prática) e que todos cooperam voluntariamente pelo bem coletivo (porque o coletivo coopera para o individual).
No entanto, seria irresponsabilidade substituir o paradigma mecanicista (divisibilidade, simplicidade e estabilidade) por esse de modo absoluto. Isso porque o paradigma citado possui implicações práticas que saltam aos olhos. Por mais que eu acredite que a matéria é, em essência, feita de não-matéria, não há como lidarmos com ela, na prática, partindo de tal premissa (não no presente momento). E esse é um forte argumento sobre a validade do paradigma antigo. Só não é possível, com esse, explicar algo relativo ao convívio humano, porque as premissas simplificadoras simplesmente não dão conta da plasticidade de um pensamento (que não é matéria e nem energia).
Creio que tal forma de expor um pensamento o torne mais inteligível e ordenado, sendo essa uma forma aceitável de expormos nosso pensamento através dessa linguagem deficiente.
Postado por Silas às terça-feira, outubro 27, 2009 0 comentários
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Sobre o fundamento do mal e seu funcionamento
Percebi que há um princípio para o mal que vai além de todas as formas de corrupção. Essas, conforme percebemos, se guiam em determinadas direções em busca de certos objetivos, mas o mal em si não é pessoal. É tão impessoal quanto universal: todos os homens têm essa essência maligna em si.Esse fator sombrio que reveste os homens é visto e tratado por eles de formas diversas. Para alguns, com o paradigma maniqueísta, esse mal é projetado no mundo externo. Assim, o mal reside no Diabo, no capitalismo, no comunismo, no fascismo, na religião alheia, etc.
É difícil para um religioso que acredita numa figura como a do Diabo assumir que essa “entidade” possua o mesmo direito de perdão. Pelo contrário, o paradigma deles é: “Satanás, debaixo do meu pe”.
Isso ocorre basicamente porque essas pessoas precisam de um objeto externo para direcionarem seu ódio. Precisam, acima de tudo projetar a própria essência maligna num objeto externo, já que seus paradigmas racionais negam o mal e sua consciência não parece estar pronta para confronta-lo.
Não posso deixar de citar o caso de um indivíduo chamado Lindomar, que ficou célebre na internet por ter atacado uma empregada que havia agredido crianças das quais tomava conta. Ora, não há nenhuma diferença entre o ataque de Lindomar e o da empregada a não ser o fato de que, socialmente, Lindomar estava justificado e foi apoiado em massa.
Isso porque quem não tem consciência do mal dentro de si necessita depositar o que há de maligno nalgum vilão e, especialmente, precisa descarregar sua raiva contra esse vilão. Como tais projeções são irrefletidas, é comum que o vilão não seja de fato um vilão.
Outros, por outro lado, se identificam com esses complexos sombrios em suas mais diversas formas, e, motivados por essa identificação sucumbem ao domínio de impulsos incontroláveis e destrutivos.
Dessa forma, se identificam com algum tipo de mal: alguns são assassinos, outros ladrões, outros hipócritas, outros compulsivos por poder. Criam racionalizações para justificarem suas atitudes. Por exemplo, há ladrões compulsivos que alegam a necessidade do roubo, há assassinos que encontram as mais diversas justificativas para dar continuidade aos seus impulsos de assassínio, e assim em diante, todos encontram sua justificativa.
A partir disso fui levado a concluir que os criminosos e aqueles que se sentem indignados com esses são movidos justamente pelos mesmos impulsos: os impulsos sombrios.
Quem rouba de ladrões é ladrão, assim como um matador de assassinos é um criminoso. Se deixarem de tentar justificar seus impulsos com eventos externos perceberão que participam de um conflito em que um alimenta o outro.
Esse é um dos motivos pelos quais a guerra no oriente médio não acaba, e também é um dos motivos pelos quais o bandido odeia e polícia e a polícia o bandido. A polícia está socialmente justificada para publico (ou parte dele) quando ataca bandidos, e esses estão justificados entre si.
O que observei é que o que alimenta esses conflitos não são apenas as circunstancias, mas apenas o fato de que eles querem algo para odiar, algo para destruir. Afinal, por mais que sejam precárias, há escolhas para as pessoas: ela decidem entrar num dos lados da guerra.
Mas o mal em si é impessoal. Ele não visa destruir essa pessoa, essa organização ou mesmo esse mundo¹. É apenas uma força natural que se contrapõe com o bem direta e indiferenciadamente. Tomar consciência de que seu ódio não precisa de um inimigo, mas que na verdade ele existe por si só ajuda o indivíduo e controlar tais impulsos². Temos, na nossa época, diversas ferramentas para deixarmos fluir tais impulsos, tais como jogos eletrônicos, manifestações artísticas diversas e artes marciais. Dessa maneira, podemos matar, roubar, escravizar civilizações e cometer diversas outras atrocidades através do ambiente virtual, e, dependendo do indivíduo, isso pode bastar para aliviar suas tensões malignas, sendo uma via de saída. Isso, por outro lado, também pode despertar o mal do indivíduo, trazendo comportamentos destrutivos: Só depende do indivíduo em si. Eu mesmo, aliás, costumava apreciar um jogo repleto de violência, no qual minhas próprias pulsões agressivas extravazavam. Hoje em dia, tais pulsões saem em contos e poesias como minhas obras de arte, mas poderia sair em pinturas, música, dança, escultura e qualquer tipo de arte.
Só que essa é apenas uma forma de amenizar o problema, pois assim ninguém precisa sofrer com os efeitos práticos do nosso mal. Enquanto não entendemos o significado do nosso mal, não o integramos e continuamos sujeitos a sermos dominados por eles.
Ora, para falarmos do lado sombrio do ser humano não basta a racionalidade (que nos manteria num lugar moralmente cômodo). Não basta observarmos de forma sistemática o comportamento daqueles que apresentam tais condutas. Para termos uma visão mais completa e, acima de tudo, mais humana, precisamos dar lugar à subjetividade, fazendo uma viagem pelo próprio lado negro sem restrições morais maniqueístas. Somente através da consciência vivencial é que poderemos realmente entender o lado negro da existência. Assim, é bom que se tenha em mente que apresentarei certos modelos que não passam de ideais. Eu jamais aceitaria que esses ideais fossem plasmados em outras pessoas, pois o grau de subjetividade do próprio mal é enorme e não pode se enquadrado em padrões. Pretendo dar, no entanto, um fundamento teórico sobre o qual poder-se-á perceber pela intuição o mal se manifestando. Assim poderemos entender pessoas que se encaixam em tais padrões em maior ou menor intensidade, e também aqueles que são possuídos por um tipo de mal que vai para além desses ideais. Com o passar do tempo, espero ter acumulado experiência suficiente para dar uma boa luz e um bom fundamento intuitivo para a percepção do mal e para lidarmos com ele. Nesse momento, no entanto, o que escrevo é elementar: Chega a ser uma brincadeira.
Quero, também, ressaltar que o mal é, por vezes mascarado, mas que seus efeitos são sempre idênticos. Sempre resulta em mentiras, manipulação, assassínios, obsessão pelo poder, etc. Pode ser chamado de justiça, de revolução, de proteção contra ameaças ou de Nova ordem mundial. As facetas do mal não o revelam por inteiro, pois quando identificamos o mal apenas por uma de suas vertentes ele se torna nebuloso.
O mal, em primeiro lugar, não é unilateral. Pelo contrário, não só ele se confronta com o bem, mas também contra si mesmo. Assim, é provável que aqueles que proclamam uma revolução contra o mal sejam igualmente maléficos: todo ditador já foi um salvador.
Sempre que algo que consideramos maligno é combatido com o mau em si, isso quer dizer que o que vem em seguida não difere em nada do que veio antes. É apenas o mal, que vai além de “ismos”, sob uma nova mascara.
Um bom exemplo é a sucessão de presidentes americanos financiados pela wall street, que, um atrás do outro, são a esperança no começo e a desgraça no fim.
Ora, o ódio contra o mal é o próprio mal: só se pode realmente apresentar uma contraposição ao mal com o bem. De outra maneira, o mal se manterá através de sua natureza cíclica e tomando “ismos” como máscara.
As diferentes formas de manifestação do mal não se excluem, de maneira que um só indivíduo pode se encaixar em todos os “tipos”. Para isso, basta que ele tenha passado por uma experiência que tenha despertado o arquétipo em questão (como o de Hermes para ladrões) para que este tenha se tornado complexo.
É ingenuidade pensarmos que o bem simplesmente vence o mal: não podemos ajudar um raivoso ou um ladrão simplesmente dando amor a eles. Alguns nem concebem o que seja amor, outros podem apenas pensar que mentimos. Tratar o mal com o mal, por outro lado, só alimenta este: podemos remediar o mal usando mal, mas não elimina-lo. Logo que o indivíduo se perceber livre de vigia ele deixará sair seu mal, que foi ampliado com punições.
O processo deve ser lento, dando atenção ao tipo psicológico, à história de vida, aos tipos de comportamento (porque são simbólicos) e à receptividade do indivíduo. É provável que resistam, que mintam sobre estarem recuperados dentre outras falcatruas. Encher o peito porque uma pessoa se recuperou será, via de regra, ser apenas uma marionete de um complexo (autônomo) do individuo tratado.
“Sombra e luz, escuridão e claridade. Essa realidade dupla forma o interior do ser humano, que tenta negar-se a cada dia, enganando-se. A maioria das pessoas quer ser apenas luz. Recusam-se a identificar a sombra que faz parte delas. Religiosos de um modo geral falam de um lado sombrio, diabólico, umbralino, como se esse lado escuro fosse algo externo, ruim, execrável. Até quando negar a realidade íntima? Até quando adiar o conhecimento do mundo interno? Várias tentativas foram realizadas para conscientizar o homem terreno de que as chamadas trevas exteriores são apenas o reflexo do que existe dentro dele. Luz e sombra são aspectos internos do ser e não representam necessariamente um lado ruim e outro bom. A sombra não é pior do que a luz. Apenas faz parte de um equilíbrio universal ainda necessário para a visão do homem terrestre. São dois pólos de uma verdade interna, mais profunda. A sombra representa um aspecto transitório, porém necessário para o ser reavaliar-se ante os apelos da vida e as lutas que o fizeram ser o que é. Essa transitoriedade em qualquer plano da vida é uma etapa de aprendizado, adaptação, revisão dos valores adquiridos em lutas e desafios na grande jornada interna, pessoal, íntima. Portanto, viver esse lado de forma mais plena, conhecer-se mais profundamente, enfrentar-se sem mascarar-se talvez seja um caminho mais excelente — parafraseando o apóstolo Paulo — do que aquele que as religiões do mundo vêm oferecendo e que se reflete em fugas da realidade. Quando é proposta a realização de uma excursão aos domínios das sombras, espera-se que haja coragem para admitir que esse reino obscuro tem sua raiz dentro do próprio ser humano. Ele não existe à parte ou em separado. (...). Esse mundo de trevas e escuridão é algo muito enraizado no ser humano; não é realidade extrahumana, mas intra-humana. Se você evita conhecer-se, rejeitando que é simultaneamente sombra e luz, não há razão para prosseguir nesta jornada de descobrimento interno. Adentrar o umbral ou o astral é se obrigar a penetrar na própria sombra. Conhecer as estruturas internas das falanges do mal é, sobretudo, conhecer a própria capacidade de esparzir escuridão em si e em torno de si. Descer aos domínios das trevas e tomar conhecimento de seus métodos, de suas falanges, de sua força talvez seja uma forma de se revelar — trazer à consciência a própria realidade. Admitir-se, sem culpas e sem máscaras. O passado humano é fixo e dependente de conceitos religiosos deturpados e castradores, que foram amplamente difundidos e ainda estão arraigados no psiquismo, mesmo naqueles que afirmam rechaçar atualmente qualquer crença. Isso faz com que o ser humano, principalmente aquele mais apegado às questões religiosas, negue a verdade de sua sombra.”.
(Legião - um olhar sobre o reino das sombras – Ângelo Inácio (Robson Pinheito))
(http://www.scribd.com/doc/3506214/Legiao-Um-olhar-sobre-o-reino-das-sombras-Angelo-Inacio)
1 – Afinal, se destruísse precisaria criar um novo inimigo, porque, por mais que o odeie, precisa dele.
2 – A não ser, é claro, que ele não tenha um ego forte o bastante para suportar a pressão de admitir o mal. Nesse caso, talvez seja melhor apenas encontrar uma forma de canalizar as projeções para que, do ponto de vista coletivo, causem mais construção do que destruição (como já acontece nos casos em que o indivíduo odeia o mal) ao colocar o mal contra si da forma mais isolada possível.
Postado por Silas às segunda-feira, outubro 12, 2009 0 comentários
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