Uma breve correspondência intergaláctica
Postado por Silas às domingo, dezembro 05, 2010 0 comentários
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As implicações da tecnologia meta-biológica no aprendizado

Postado por Silas às sábado, novembro 06, 2010 0 comentários
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Sobre o comunismo numa sociedade alienígena
- Mas me diga, como é a sua sociedade? Vocês são comunistas?
- Entendo que essa seja uma classificação local, mas não a conheço perfeitamente. Sei que se trata de uma forma de organização social, então posso explicar como é e depois você diz que é comunismo ou outra coisa. - respondi
- Certo, continue.
- Em primeiro lugar, minha civilização não troca. Essencialmente porque não há nenhuma necessidade para isso. Assim, não temos dinheiro, mercado, investimento, pobreza, escravidão e todos os outros efeitos decorrentes da escassez de recursos. Além disso, o processo de decisões é muito mais complexo do que o local, já que a expectativa de vida é maior e nossa memória é relativamente ilimitada. Assim, separamos as decisões segundo preferências: há tantas decisões a serem tomadas que é impossível uma pessoa decida em todos os casos. Mesmo que ela fique sem dormir, perderá algumas decisões, isso sem falar que não terá tempo pra pensar. Assim, cada habitante com sua cosmologia e seus valores, tomam decisões em suas áreas de preferência no momento. Algumas questões são mais polêmicas, como a possibilidade da criação de consciência, e nessa a maioria quer votar, mas há outras questões técnicas relativas às mais diversas áreas do conhecimento que são tratadas apenas por quem tem interesse no assunto. Apesar de que existem grupos separados muito por diferenças psicológicas, nenhum habitante possui necessidade de ter poder dentro da sociedade.
- Mas não é natural que o ser humano queira experimentar a sensação de poder?
- Não sei te responder. Mas nas nossas simulações há realidades virtuais de todas as naturezas, o que inclui dominação tanto de natureza sexual quanto política. E mesmo sabendo que é tudo de mentira, os jovens tendem a levar isso muito a sério. Mandam e obedecem como se realmente tivessem algum poder, quando na realidade todos sabem que um homem sozinho não é nada. Em minha opinião isso é natural nos primeiros anos da vida. Eu por exemplo, era o líder de um exército, todos obedecendo a hierarquia como se ela fosse real, pelo simples fato de que ninguém conseguia me vencer num combate corpo a corpo. Entrei em incontáveis batalhas e quase conquistei toda aquela realidade virtual antes de perceber que eu estava jogando minha vida no lixo. Há habitantes da minha idade que ainda vivem nessa. É lamentável.
- Entendo. Mas você disse que há diferenças psicológicas que separam os homens. Isso não cria conflitos?
- Conflitos ideológicos, claro, mas nunca nenhum tipo de agressão ou censura.
- Porque não?
- Olha, há diversas explicações. Há quem diga que nós somos naturalmente superiores a vocês, ou quem diga que nem existe um conflito psicológico. Eu, no entanto, creio em uma explicação que pode ser difícil de entender dentro dos seus parâmetros.
- Tente explicar.
- O que observo é que, conforme o tempo passa, um artista se torna pensador, um pensador se torna artista. Por maior que seja a quantidade de grupos diferentes, conforme o tempo passa a mente vai procurando se expandir, desenvolver-se a todo o seu potencial. Por isso os interesse artísticos, intelectuais, sentimentais e até os dos sentidos vão variando conforme o tempo passa: porque a mente quer se completar.
- Entendo. Mas me fale sobre a segunda das duas primeiras explicações que você citou. Que dizem aqueles que acreditam que não há conflitos psicológicos?
- Esses são o bundões.
- Hahahahahahah! – Roberto me olhou com um olhar surpreso
- Isso é um termo pejorativo? – perguntou Felipe dando uma risada leve
- para alguns é. Para os Bundões, no entanto, é uma honra. Na verdade esse nome não possui uma conotação normalmente pejorativa na minha linguagem.
- Mas então o que significa?
- Pra isso terei que voltar no tempo e te explicar muitas coisas. Tudo bem pra você?
- Certo, explique.
- Pois bem, depois de uma era muito parecida com a digital em que vocês vivem, chegamos na era meta-biológica, em que dominamos a tecnologia biológica em eu nível físico.
- Há um nível para além do físico? – perguntou Roberto.
- Hoje sabemos que há um nível molecular na tecnologia biológica natural do nosso corpo. Há toda uma lógica envolvendo as moléculas do corpo que muitas vezes vão para além do nível físico propriamente dito. Há quem diga que é devido a isso que ocorrem os efeitos psicossomáticos, já que conseguimos impedi-los com nossa tecnologia, mas eu tenho minhas dúvidas.
- Certo, continue. – disse Felipe
- Pois bem, ao desenvolvermos essa tecnologia, conseguimos fabricar partes do cérebro. Criamos partes para as mais diversas funções e conseguimos driblar as mais diversas formas de defesa do organismo. Inicialmente, conseguimos curar todas as doenças mentais de natureza física, mas depois essa tecnologia começou a trazer mudanças de paradigma. Começamos a criar partes cerebrais com o intuito de aumentar nossa capacidade neurológica, já que aparentemente não era possível alterar o cérebro. Os primeiros testes foram um sucesso: conseguimos criar aparatos de memória e raciocínio que se integraram ao nosso cérebro. Para falar na sua linguagem, é como se tivéssemos colocado uma calculadora e um HD adicionais no nosso cérebro.
- Vocês evoluíram! – disse Felipe eufórico
- Há quem diga que sim, mas deixe-me continuar.
- Certo, adiante.
- Isso tornou comum a todos os cidadãos a linguagem das fórmulas matemáticas, que parecia pra muitos complexa demais para ser entendida, e ajudou muito o nosso progresso intelectual em diversas áreas que exigiam grande quantidade de informação. Conseguimos, depois disso, interpretar padrões mais complexos que exigiam esforço mental extremo. No entanto, o que foi percebido é que isso não aumentava a criatividade dos indivíduos. Antes, era comum que um indivíduo que entendia bem a linguagem das fórmulas matemáticas conseguir desenvolver uma teoria nova, mas isso diminuiu drasticamente em termos estatísticos. As pessoas que só entendiam as fórmulas por causa do aumento na capacidade cerebral simplesmente não tinham idéias novas: a concepção, o avanço científico, parecia vir apenas daqueles que eram capazes de entender essa linguagem sem necessidade de usar os aparatos cerebrais.
- Mas por quê? – perguntou Roberto
- Segundo minhas fontes e minhas próprias observações, isso é porque a capacidade de processamento lógico foi aumentada, mas esses avanços possuem origem ilógica.
- Mas o que? Como?! – perguntou Felipe
- Isso ainda é pouco claro, mas nós observamos muitos indivíduos e percebemos que as idéias geniais vinham de outra área do cérebro, normalmente negligenciada por muitos. Chamavam-naela de intuição e diziam que é a função cerebral do misticismo.
- Passaram-se 15 anos em que o senso comum intelectual não aceitava tal possibilidade e simplesmente negava pelo fato de que os ditos místicos a utilizavam para trazer implicações espiritualistas. Até que um dia um homem decidiu tentar expandir essa área do cérebro com meta-biologia e perdeu o juízo. Mesmo depois que o dispositivo foi removido ele continuava sempre repetindo uma estória fantasiosa na qual havia uma guerra pela mente as pessoas, que homens de outros mundos nos manipulavam usando a força mental. Um dia ele cometeu suicídio, alegando que os alienígenas demandavam o sacrifício dele.
- Que coisa horrível! – disse Roberto. – Mas e os Bundões? Parece que você foi falando e esqueceu deles!
- Bem, é aí que eles entram. Depois desse evento muitos esqueceram a possibilidade de evoluirmos com esse avanço tecnológico, mas alguns criaram uma sofisticada teoria, segundo a qual bastaria multiplicarem devidamente o raciocínio consciente que ele se tornaria mais eficaz e exato do que aquele intuitivo, que sempre se mostrava muito nebuloso. Eles afirmavam que o avanço científico pela intuição era muito lento e que teorias novas eram pouco claras por ser esse meio de entendimento demasiadamente limitado.
- Tá, mas onde a bunda deles entra nessa história? – perguntou Felipe
- Pois bem, o que houve é que não há espaço no crânio para tal capacidade mental, então eles desenvolveram um tipo de tecido meta-cerebral que não precisa de um crânio rígido como proteção. Assim, substituíram todo o tecido adiposo das nádegas por esse tecido e criaram, efetivamente, dois novos cérebros pro corpo, um de memória e outro de raciocínio. Isso causou muita polêmica, várias piadas sobre egocentrismo, sobre ter a cabeça na bunda, e eles não reagiram. Apenas continuaram buscando provar o que diziam. Era assustadora a capacidade que eles ganharam de percepção, mobilidade motora. Foi criada uma categoria especial nos esportes porque os outros não podiam competir com eles. Aprendiam todas as disciplinas quase que instantaneamente, e o líder deles começou a desenvolver robôs capazes de executar basicamente todas as funções práticas das pessoas. Esses robôs se comportavam de forma parecida com o ser humano, com a diferença de que nunca mudavam a não ser que reprogramados. A partir desse momento, as funções que não exigiam criatividade se tornaram obsoletas e a nossa produtividade estava tão avançada que ficou decidido que eliminaríamos todo o mercado.
- Então vocês já tiveram mercado? – perguntou Felipe
- Sim. Enquanto houve escassez nós precisamos do mercado.
- Certo, mas vamos recapitular. Você começou a falar isso tudo no intuito de nos explicar sobre a opinião segundo a qual não há diferença psicológica entre os homens, certo? Ou já se perdeu desse raciocínio?
- De maneira alguma me perdi. Estou chegando lá. Se você quiser, no entanto, posso falar de outros assuntos. Entendo que você tem questões sobre sexualidade retidas.
- Como você sabe disso?
- Difícil te explicar. Entenda da seguinte maneira: os seus pensamentos causam leves modificações moleculares e assim meus robôs podem detectar aqueles que estão mais urgentemente na consciência.
- Então vocês possuem telepatia?
- Não é bem telepatia. Teoricamente essa faculdade existiria sem a necessidade dos robôs. Nós temos algo como uma pseudo-telepatia, controlada pelos dispositivos de controle dos robôs. Isso fica evidente diante do fato de que as questões que não estão na consciência são pouco claras. E ainda assim, eu não faço idéia de quantas idéias existem para além dessa que estão agregadas nela.
- como assim? – perguntou Felipe
- Acontece que sempre que pensamos algo, há algum tipo de motivação emocional ou mesmo outras idéias, e uma estrutura de linguagem, que são de alguma forma “implícitos” e que não podem ser detectados por estarem numa forma em que, muitas vezes, nem a própria pessoa entende. Apesar de que hoje em dia há uma grande controvérsia sobre isso, pois os Bundões declaram ter entendido a essa estrutura completamente e dizem que ela é apenas muito complexa para ser compreendida sem o cérebro adicional. Particularmente, eu não acredito nisso, porque eles não percebem a estrutura deficiente do próprio pensamento. Agora sim cheguei ao ponto de antes.
- Nossa, isso é tão... incrível... – disse Felipe
- Pois bem, a tese que eles sustentam é a de que há apenas pessoas em diferentes estágios de desenvolvimento cerebral e que, portanto, naturalmente todos nós acabaremos mudando o nosso pensamento em direção ao deles quando “evoluirmos”.
- Mas que presunção ridícula! – disse Roberto – Será que eles não percebem que isso é um absurdo?
- Mas como você pode saber? – disse Felipe. – Não é obvio que esses indivíduos possuem um enorme conhecimento, que excede em muito o nosso?
- Pode até ser, mas isso se chama racionalização. Essa afirmação é simplesmente ousada demais, isso é inflação do Ego!
- O que você nos diz, Matias? – perguntou Felipe
- Eu vou parafraseando um bom amigo meu, o místico do novo mundo: “Parecem uma criança que construiu asas e tentou voar até o arco-íris em busca do tesouro que nunca encontrará.”. Eles pensam que vão mostrar a todos que não existe nada irracional porque não suportam a idéia de que sua fantasia racionalista esteja errada. O mais ridículo são os argumentos obviamente Ad Hoc que eles usam para justificar os fatos que contradizem essas premissas diretamente.
- Mas que fatos são esses? - perguntou Roberto
- Bem, eis alguns. Os anciãos, que possuem mais conhecimento e experiência, simplesmente não apóiam isso. Em resposta, eles dizem que esse argumento é um apelo à autoridade e que os anciãos estão apegados à tradições mortas. Esse argumento não é completamente destituído de sentido, mas eu aprendi a respeitar esses anciãos por seus conhecimentos e já vi diversas evidências de que eles conhecem algum tipo de realidade superior que não nos exibem porque falta em nós a maturidade para entender.
- Certo, então nesse ponto é possível aceitar o ponto deles. Estaríamos num impasse, certo? – perguntou Felipe
- Estaríamos se as evidências psicológicas não fossem tão absurdamente contrárias a essas proposições.
- Como assim? – perguntou Roberto
- Muitos desses pensadores abandonam o grupo e começam a ter vivências irracionais, se tornam músicos, escritores, poetas. Até místicos! E muitos artistas se tornam pensadores, e parece que o tempo todo nós vamos mudando entre a posição deles e outras dos mais diversos tipos. De forma alguma nós ascendemos entre um grau mínimo, o mais distante do deles possível, e um grau máximo, o deles. E parece regra que quando os homens chegam na idade dos 150 anos essas questões são abandonadas. Somente o filho do sábio insiste nisso depois dessa idade. Antes, a mim parece que nós vamos caminhando pelos mais diversos tipos de vivências até alcançarmos uma espécie de maturidade mental, que exige tanto a vivência do que é lógico quanto daquilo que irracional, ilógico, sem sentido.
- ora, primeiro que você repetiu o apelo à autoridade no meio do seu argumento. E segundo, que respostas eles dão a esse argumento? – disse Felipe
- Apesar de todos concordarem que o argumento é “furado”, há basicamente duas posições diferentes. A primeira, sustentada por pensadores que nunca foram artistas, é que o argumento é simplesmente falso por causa da ausência de material empírico. A segunda, sustentada pelos pensadores que já foram artistas, é a de que a mente procura sim se desenvolver, mas as outras faculdades não se envolvem com o saber e que, portanto, os argumentos dos pensadores são razoáveis quando isso envolve a evolução do pensamento. Daí, como o pensamento e o conhecimento são a coisa mais importante que existem, a posição dos pensadores fica justificada.
- Em resposta a isso, o que você diz? – perguntou Felipe
- Contra o primeiro argumento, que é uma falha epistemológica. Eles simplesmente imaginam que encontraram os critérios corretos para a observação dos fenômenos quando não fazem nada além de projetar nos fenômenos uma necessidade psicológica de coerência. Assim, tendo eles determinado o que pode e o que não pode ser um fato de maneira ilegítima, jamais poderiam perceber esse fenômeno, porque entra em contradição com sua visão estreita de mundo.
- Mas e a resposta dos que já foram artistas? Não parece razoável? – Perguntou Roberto.
- Primeiro que eles começam com a premissa de que o conhecimento é a coisa mais importante que existe. Pra mim, isso simplesmente não é verdade, porque considero o amor mais importante. Depois, eles presumem que é somente através de meio lógicos e racionais que podemos alcançar o conhecimento, sendo que isso não foi comprovado até hoje. Claro que eles não podem negar sua antiga natureza de artistas, então dão algum lugar à existência do argumento no qual eu creio, mas distorcem tudo de maneira tão grosseira que parece que nunca foram artistas. Toda a sua obra, a qual se dedicaram com tanto prazer, abandonam, e parece que jogam a criatividade no ralo para absorver informações ao infinito através dos bundões recém adquiridos. E por incrível que pareça eu considero isso válido como um período do desenvolvimento psicológico: desenvolver o pensamento e a consciência. Apenas não apoio a unilateralidade deles, só isso.
- Mas há algum argumento contra eles? – perguntou Roberto
- Bem, há a psicossomática.
- Como assim? – perguntou Felipe
- Acontece que eles precisam estar continuamente combatendo efeitos psicossomáticos e até hoje não encontraram a formula segundo a qual podem evitar isso que consideram um efeito colateral dos outros centros neurológicos. Na verdade hão há evidência, em nível molecular ou biológico, de que há algum conflito entre os dispositivos e o cérebro original. Antes, parece que isso está comprovando uma teoria que eles não aceitam: que é precisamente a unilateralidade da mente e a insistência numa forma de vida ilegítima que causa uma reação da mente. Assim, eles precisam constantemente compensar aquela sensação de vazio e os efeitos psicossomáticos com os robôs.
- Você está dizendo que a mente, de alguma maneira, não aceita a atitude deles? – perguntou Roberto
- Mais ou menos. Não que considere a atitude deles errada. Apenas a considera muito estreita. Para você entender por analogia, analise o sistema de homeostase do corpo. Através de diversos meios naturais o corpo busca manter um equilíbrio dinâmico e se adaptar a diferentes tipos de ambientes. Assim também é a mente, em suas diferentes funções: procura manter um equilíbrio. Mas esse sistema de equilíbrio da mente demora muito pra se formar e é mais complexo. Assim, da mesma forma que o corpo exibe sinais de deficiência vitamínica de diversas maneiras, também a mente exibe sinais psíquicos e psicossomáticos da falta de equilíbrio psicológico. Dessa maneira, a mente procura se regular por seus meios naturais e eles usam a tecnologia para impedir: eles cortam todos os possíveis sintomas da mente e, assim, continuam insistindo nisso. Um amigo meu, que já foi pensador, disse que ainda sobre uma ânsia por algo mais, que eles interpretam como ânsia por mais conhecimento, mas que ele só viu satisfeita quando se casou e começou compor músicas. Enfim, fomos muito longe nesse assunto e seria sensato, agora, tratarmos da questão a sexualidade que, a despeito de tudo o que falei, ainda está na mente de Felipe.
Postado por Silas às domingo, maio 16, 2010 2 comentários
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2070
Eu estava na minha casa, que havia se tornado um abrigo. “O perigo espreita”, diziam as pessoas.
Eu não entendia bem o queriam dizer com isso, provavelmente se tratava da gripe suína. No entanto, algo me intrigou profundamente. Estávamos trazendo mais pessoas para dentro de casa, como se isso fosse, efetivamente, reforçar a nossa proteção.
No quintal dos fundos chegamos num beco que estava sendo como que consagrado pro pessoas com roupas brancas e varas douradas com lamparinas da ponta na mão. Isso em plena luz do dia.
Era a minha casa, e a minha família estava comigo junto com alguns estranhos. Decidi investigar.
Saí de casa e pude perceber, em meio as poucas pessoas que ainda andavam nas ruas um certo terror, que simplesmente não tomava conta de mim. De repente alguém gritou:
- Eles chegaram!
Vi uma grande armadura azulada, parecendo ser feita de aço, montada numa carruagem sem cavalos que era acompanhada por uma moto da mesma cor. Vinham em minha direção, e, num instante, eu estava montado naquela mesma moto. Acelerei e pulei o muro do quintal dos fundos. O muro estava baixo como costumava ser logo que me mudei.
O homem da armadura azul veio falar comigo.
- Chegou o tempo de purificação, e aqueles que são muito ansiosos e egoístas serão levados daqui para viveram noutro lugar até que se recuperem e possam voltar. É o ano 2070.
Eu não disse nada, pois era como se eu já soubesse que isso estava por vir. É por isso que eu não tinha medo. Eu não seria levado.
Pessoas apareceram na minha frente, oriundas de luminosidade e desapareceram logo em seguida. Entre elas havia crianças, adultos, adolescentes, velhos. Pessoas de todas as etnias e classes sociais. Estava sendo selecionadas segundo o nível de vibração da alma.
Todas as pessoas que estavam na minha casa desapareceram, inclusive uma irmã minha. Só sobraram minha mãe, minha irmã e o marido dela, que sorriam. Os outros foram levados e eles sorriam. Sabíamos que era para o melhor de todos.
Postado por Silas às terça-feira, setembro 01, 2009 0 comentários
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preparação para a viagem
- O contato entre cidadãos da nave e habitantes do planeta, apesar de inevitável, esteve por muito tempo sendo adiado até que você, jovem destemido, decidiu partir para essa aventura. Não o proibiríamos, porque a decisão é sempre tua, mas poderíamos te privar do acesso á tecnologia, o que o impossibilitaria de provar a nossa existência por motivos de segurança. No entanto, por causa do seu relatório, que se tornou muito popular entre os cidadãos, a grande maioria dos envolvidos no assunto concordou em te dar um sistema inteligente de controle gravitacional e um escudo desintegrador de moléculas. Segundo a opinião dos nossos engenheiros seniores, a capacidade de efetivamente avaliar as situações perigosas do seu computador acoplado deverá garantir sua defesa contra quase todos os tipos de armamento de destruição. Fique avisado, no entanto, de que a intervenção em nível mundial nesse planeta não foi permitida, já que poderia desencadear movimentos contrários à natureza deste planeta. Portanto, você não está autorizado a destruir armamentos e não poderá, em hipótese alguma, se servir do seu equipamento para agredir, matar ou reciclar os seres não-vegetais. Estamos conscientes de que você está familiarizado com o sistema tecnológico e que, por isso, não precisamos te dar instruções. No entanto, no caso de emergência, disponibilizaremos um sistema interno de ajuda e adaptação ao equipamento. A existência da nossa civilização deve ser ocultada a todo o custo de cidadãos que não têm consciência da nossa existência. O filho da luz, também conhecido como O iluminado, gravou uma mensagem destinada àquele que faria a segunda visita ao planeta, tendo ele feito a primeira. A mensagem será reproduzida agora.
Fiquei curioso sobre a mensagem, mas eu não desistiria do meu intuito por causa de algum aviso. Se ele decidiu morrer, isso coube a ele, e não pretendia me deixar levar por mensagens para me desencorajar.
A mensagem começou a ser reproduzida:
“Já que você decidiu fazer essa viagem, deve estar ciente dos meus estudos sobre a tecnologia e sobre como está organizada a sociedade nesse planeta. Posso garantir, da minha parte, que estou destituído de projeções que são comuns nas épocas de juventude e que meu julgamento já é destituído de tendências compulsivas, e por isso te peço que leve em consideração minhas observações. Esteja preparado para ter uma vivência chocante que te mudará para sempre. A convivência com essa raça te fará descobrir coisas sobre si mesmo que nunca imaginou serem possíveis. Quase todos os indivíduos projetam o conteúdo interno de sua mente (que, aliás, é igual ao nosso) no ambiente externo. Assim, eles são totalmente alheios a si mesmos. Essas projeções tornam o uso de nossa tecnologia perigoso, pois, diante do menor evento que vá além de sua compreensão dos eventos físicos eles reforçam ideais equivocados que os mantém distanciados de si mesmos. Nesse planeta você poderá vivenciar o fato de que, muito mais que pobres materialmente, a maior parte dos habitantes desse planeta têm o espírito pobre e são apegados à coisas sem importância. Desejo boa sorte e que essa viagem o ajude a alcançar aquilo que é essencial na vida.”
Postado por Silas às terça-feira, agosto 25, 2009 0 comentários
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Sobre a psicologia como ciência moderna
Isso tem diminuído de intensidade e decidi postar sobre as nomenclaturas e tratamento psiquiátrico justamente porque essa é uma das poucas opiniões que pôde se manter coesa com o passar dos meus estudos.
“É bem conhecido o relaiconamento de Jung com Albert Einstein e Wolfgang Pauli. Se a física newtoniana pressupunha um objeto a ser estudado fora da psique, a física quântica questionou essa noção de objetividade e afirmou que toda observação depende da posição do observador, trazendo a subjetividade, da qual a psicologia tentou tanto se livrar, de volta para a física.
Do mesmo modo, o reducionismo da neurologia do século passado e a crença do domínios da genética estão cedendo lugar à neuropsicologia e à hipótese de que o gene pode sofrer mutações por causa do estresse psicológico. (...) Enfim, o organismo é uma totalidade indivisível em que qualquer sofirmento emocional é imediatamente traduzido em diferentes sistemas corporais, podendo dar origem às mais diversas doenças”
(O livro de ouro da psicologia – texto em anexo, pg 190 – Denise Gimenez Ramos)
Não separo a psicologia da filosofia, e por isso que, para começar a falar sobre o assunto, preciso retomar um ponto importante, que são os fundamentos da ciência moderna.
A partir desse pensamento, se presume(psicologicamente, o que culmina nessa metafísica) que a melhor forma de se entender o funcionamento de todas as coisas se dá através da divisão, do estudo das partes separadamente e de uma posterior união das partes previamente estudadas.
Assim, estudamos biologia entendendo a diferença entre as celulas e seus componentes internos. Depois as células formam tecidos, que formam órgãos e sistemas (digestivo, respiratório, etc.) e esses formam o organismo. A partir daí se cria uma divisão, ao meu ver, reducionista.
“Bohm não é o único pesquisador que encontrou evidências de que o universo é um holograma. Trabalhando independentemente no campo da pesquisa cerebral, o neurofisiologista Karl Pribram, de Standford também se persuadiu da natureza holográfica da realidade. Pribram desenhou o modelo holográfico para o quebra-cabeças de como e onde as memórias são guardadas no cérebro.
Por décadas, inúmeros estudos tem mostrado que muito mais que confinadas a uma localização específica, as memórias estão dispersas pelo cérebro.
Em uma série de experiências com marcadores na década de 20, o cientista cerebral Karl Lashley concluiu que não importava que porção do cérebro do rato era removida; ele era incapaz de erradicar a memória de como eram realizadas as atividades complexas que tinham sido aprendidas antes da cirurgia. O único problema foi que ninguém foi capaz de poder explicar a natureza de "inteiro em cada parte" da estocagem da memória.”
(O universo como um holograma –
http://www.pan-portugal.com/library/articles/holograma.html)
Na idade média vem William de Ockham, colocar outro fundamento(metafísico e psicológico) aceito atualmente pela ciência: o pressuposto da simplicidade.
A partir dessa idéia, se presume que a explicação mais simples para o que quer que seja provavelmente é a verdadeira. Daí culmina um reducionismo absurdo principalmente nas ciências psicológicas.
Se abandona a complexidade real do inconsciente, acusando-o se metafísica (e usando um fundamento metafísico para isso) para reduzir o organismo humano a um simples sistema de hormônios, glândulas e química. Assim, ao invés de entender as peculiaridades do paciente de um ponto de vista mais holístico, o que se faz é droga-lo. Removem os significados dos delírios e sonhos para qualifica-los apenas como sintomas. A simplificação da psique humana decorrente da psicologia objetiva vai diretamente contra o desenvolvimento psicológico do indivíduo, já que, ao invés de entrar em contato com uma pessoa que o auxiliará no próprio crescimento psicológico e na resolução de suas mazelas, a pessoa é apenas drogada e mandada de volta ao trabalho(Capitalismo!). O que mais me deprime é o sorriso falso que se estampa no rosto das pessoas drogadas. Um reducionismo ridículo.
Ocorre, no meio científico atual, uma série de tentativas falhas de definição das psicopatologias e padrões de nomenclatura (tal como Aristóteles). Mas as psicoses nomeadas da mesma forma, como a esquizofrenia, são diferentes em cada paciente. Muitos ouvem vozes, mas cada um recebe uma mensagem diferente. Outros sofrem de ilusões visuais, mas a diferença entre essas ilusões é tão marcante que não tem cabimento em rotular a pessoa como sendo uma esquizofrênica.
Todas essas tentativas visivelmente frustradas possuem uma origem psicológica, e sobre elas eu estive refletindo recentemente.
O pressuposto da divisibilidade, como foi dito, tem, de certa forma, uma função didática, pois facilita o estudo da natureza e sua posterior exposição. Não nego em absoluto esse pressuposto, já quem em muitas áreas do conhecimento ele se mostra não só útil como acertado. Biologia, química e as mais diversas unidades de medida são apenas alguns dos exemplos da eficácia dessa premissa. Isso sem falar nas implicações tecnológicas desse e dos outros pressupostos da ciência. É, por certo, uma forma eficaz de se estudar grande parte das questões objetivas.
Mas o erro é que muitas pessoas usam, falaciosamente, as implicações desses pressuposto metafísico para justificar sua aplicação a todas as áreas do conhecimento. Quando o homem tenta submeter sua essência apenas à racionalidade as conseqüências são apenas frustração. Afinal, por mais que ele acredite na ilusão de que tem controle sobre tudo o que é, definindo esse tudo como o que há em sua consciência, seu inconsciente e os conteúdos coletivos e pessoais contidos nele continuará a agir sobre sua vida de diversas maneiras.
“Queres submeter o mundo? Submete-te, primeiro, à razão”
Reconheço que essa idéia já me seduziu. Pensar que posso me submeter à razão é uma idéia que trás muita segurança. Mantém o caos distante da fortaleza concreta da consciência. Mas a verdade é que isso não passa de um ideal que não é real. Dizer para um psicótico que a realidade é objetiva não o curará, e muito menos drogá-lo.
É notável o apego quase religioso com o qual cientistas e cientificistas negam qualquer coisas que vá fora desse e dos outros pressupostos metafísicos. Proclamam em alto e bom som: isso não é científico. É misticismo, é ilusão. É falso...
Por vezes presenciei agressividade digna de um fanático partindo de cientificistas e cientistas tanto na internet quanto em literatura.
Um exemplo disso é Richard Dawkes e sua ignorância voluntária com relação à religião. Se não se encaixa em seu pressuposto “sagrado”, então não passa de um delírio! Pobre criança...
Pessoalmente, não vejo nenhuma diferença entre a definição que dão, oficialmente, aos mitos e a definição do pressuposto da simplicidade. Se acredita, metafisicamente, que a explicação mais simples para um determinado evento tende a ser a verdadeira. Claro que para ciências exatas isso é verdadeiro. Afinal, quanto mais uma fração é simplificada, mais fácil é a sua resolução, e não há motivos para complicar a resolução dos problemas.
Essa premissa levou ao avanço das ciências exatas, que partiram do simples para o complexo e permitiram a tecnologia, a engenharia e todas as outras implicações positivas das ciências exatas.
Mas a tentativa de dar um caráter exato e simples à mente humana se prova absurda, pois por mais que eles lutem (Agressivamente) pela simplificação da psique e sua redução a exames laboratoriais, a mente humana continua a ser o que é: complexa. Afinal, o que esse paradigma poderia dizer sobre uma obra mitológica? Eu mesmo já escrevi mitos, e digo que não podem ser reduzidos à ilusão causada pela religião. Os mitos, símbolos e a arte são uma forma de manifestação da natureza humana intimamente ligada à introspecção, que “simplesmente” não pode ser negada
“- se você sabe tanto sobre nós, porque não pode me entender?
- Não posso entender mais nada.
- não entendo. Porque não pode mais entender nada?
- a estrutura do meu pensamento não é real. Isso que fala com você é apenas a cópia de um homem que já existiu, mas que se foi. Não sou humano e nem nunca serei.
- você precisa ser humano para me entender?
- não, preciso ser mutável.
- você não muda?
- não posso mudar, sou apenas uma maquina projetada com paradigmas e valores de um homem que já morreu por escolha própria. Segundo o paradigma dele próprio, sou um erro e nunca devia ter sido criado.
- você tem memória?
- sim.
- sua memória não muda seus paradigmas?
- não tenho paradigmas, apenas parâmetros. Sou exatamente aquilo que fui programado para ser.”
(Os visitantes – Silas)
Postado por Silas às terça-feira, agosto 11, 2009 0 comentários
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Livro novo!
Foi a uma da manhã do dia 7 de julho que meu primeiro livro ficou pronto. 71 páginas de um misto entre filosofia e paixão.
Criarei um marcador para alguns trechos desse livro que já estão no blog e, assim que terminar a correção, farei o upload dele pra a internet, deixando-o disponível para quem for louco o bastante para ler.
Vejam minha introdução:
“Não sei porque escreverei isso. Não sei se aconteceu, se foi sonho, se tive algum tipo de alucinação. Em primeiro lugar estou certo de que só lerá isso até o fim quem for meu amigo. Afinal, quem mais estaria interessado em ler o que eu escrevo? Não escrevo de forma dramática, arrebatando as pessoas. Por mais que eu seja um apaixonado o pensamento acaba sendo um pouco maior do que essa paixão. Acho que eu queria tornar isso tudo real. Fazer esse sonho se tornar realidade. Queria que uma das pessoas que ali estavam comigo lessem e me dissesse que não sou louco. Para quem estou mentindo além de mim mesmo? Eu só estou escrevendo isso porque queria que ela lesse. Queria que ela visse isso e me dissesse: “ela sou eu”. Aquela que simplesmente acalma meu coração. Sem explicação, sem razão. Só alivia os tormentos e traz paz. Numa noite eu consegui me apaixonar por ela profundamente, e meu maior medo é que ela não exista. Que ela seja eu mesmo. Que eu esteja sozinho. O livro também tem reflexões filosóficas. Reflexões importantes para esse mundo. Mas não sou mentiroso ao ponto de dizer que escrevi isso por querer passar qualquer idéia adiante. Cada palavras desse livro, cada descrição. É tudo por ela. Eu só sou eu mesmo quando falo dela. Aí sim minha paixão transparece. Longe dela eu sou um pensador frio. Acho que é só depois de conhecer essa sensação que você pode passar a sentir falta. Não sei dizer se rogo uma maldição pela falta que isso faz ou uma benção pelo bem que fez.”
Ah, mas vai ter birita pra comemorar isso!
Postado por Silas às terça-feira, julho 07, 2009 0 comentários
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Um diálogo sobre o fundamento metafísico da ciência
- Vocês não estavam por falar dos fundamentos metafísicos da ciência?
- Sim. A questão aqui é que há três fundamentos epistemológicos metafísicos na sua ciência que limitam o conhecimento à infantilidade dos pensadores.
- Espera aí. - disse Frederico. - o que é epistemologia e metafísica?
- Um conhecimento metafísico é aquele que não pode ser refutado ou provado. Deus, por exemplo. Uma base epistemológica é o ponto do qual um pensamento parte. Esse ponto, por mais que esteja relacionado ao empirismo, sempre sofre influências da metafísica. Sabe o que é empirismo, certo?
- Sim. É o conhecimento que vem através da experiência.
- Então. Toda a ciência tem fundamentos metafísicos, e isso é inevitável. Até onde eu sei, a nossa ciência também é fundamentada assim. O problema é que muitos dos seus pensadores simplesmente não admitem isso. Há pessoas que estão convencidas de que a observação empírica científica é destituída de metafísica, e é justamente esse o erro da sua ciência. Vocês querem se fundamentar em coisas sólidas, e por isso ficam mais próximos da religião.
- Como assim? Que fundamentos são esses?
- O primeiro é que vocês presumem que o universo é. Ou seja, presumem que estudam as coisas como ela são no infinitivo e não como elas estão. Aliás, na linguagem mais difundida nem há distinção entre ser e estar. É o classico verbo “to be”. A questão é que, segundo essa premissa, vocês conseguem um bom entendimento matemático, já que a matemática é essencialmente estável, mas encontram dificuldades em encontrar padrões nos seres vivos e, especialmente, na natureza humana. Dizer que as coisas são, e não que estão, dificulta profundamente o estudo das obras de arte. Justamente por isso os cientistas não dão muita atenção à arte no seu planeta.
- Você está sendo injusto com os cientistas do meu planeta. Nunca ouviu falar no pensamento sistêmico?
- Sim. Foi como o zero um disse. Vocês têm o paradigma do holograma e o pensamento sistêmico à disposição, mas há homens que negam essas premissas por infantilidade.
- Fale mais sobre o paradigma do holograma.
- Eu não costumo levar meus raciocínios pela tangente. Deixe eu terminar de falar sobre os fundamentos metafísicos e aí eu te falo do paradigma holográfico.
- Certo.
- Pois bem. Outro paradigma metafísico da sua ciência é o pressuposto da simplicidade, ou a Navalha de Occam. Segundo essa premissa, a maneira mais simples e explicar um evento deve ser a verdadeira. Noutras palavras, vocês não buscam investigar algo além dos seus conhecimentos. Tentam englobar coisas novas no seu conhecimento prévio, simplificando o universo de forma absurda. Um bom exemplo disso é que chamam muito do que a mente humana produz de loucura, quando isso nem sempre é verdade. Se fugir dos paradigmas aceitos na época a navalha de Occam retalha o conhecimento novo. Um erro.
- Imagina a surpresa de Occam quando pegaram a navalha dele pra cortar o filme do holograma! – Disse Matias
- Hahahahaha! Deve ter levado um susto.
- O que?
- Isso vai ser explicado, Roberto. Vamos nos focar no assunto.
- Você é muito coerente para ser um artista!
- Eu fui pensador como o zero quatro por quarenta anos. Sou músico a dois, e não abandonei o pensamento. Só estou explorando outras possibilidades.
- Certo. Continue.
- A ultima das premissas metafísicas da sua ciência é, para mim, e mais absurda de todas elas. Segundo essa premissa, para ter conhecimento sobre uma coisa qualquer deve-se separá-la em partes do seu contexto e estudar cada parte, para depois unir as partes e entender o todo.
- Ora, mas a biologia funciona muito bem nessa premissa!
- Não funciona não. Vocês pensam que funciona, mas a verdade é que os seus médicos têm incríveis dificuldades para identificar os quadros patológicos. Aliás, eles ficam loucos em casos de comorbidade. Isso sem falar que estão totalmente despreparados para entender a indivisibilidade corpo/mente. Fazem drogas que, supostamente, deveriam ajudar as pessoas e que não ajudam, além de tentarem justificar problemas de humor com falhas na produção de hormônios.
- Seus organismos são similares ao nosso?
- Meus Deus, como você foge do assunto! Enfim, esteticamente são sim, mas nossa constituição química e a estrutura do código genético são diferentes. Você entendeu porque a sua ciência é infantil? Todas essas bases metafísicas se resumem numa frase: “está tudo sob controle”
- Me fale sobre o paradigma holográfico.
- Certamente. Já fizeram esse experimento no seu planeta. Um objeto qualquer é banhado por dois feixes laser, e através desses é capturado num filme o espectro holográfico desse objeto. Quando outro laser banha o filme, ele mostra a imagem do objeto banhado tridimensionalmente.
- Incrível!
- Não terminei. Veja que esse experimento foi feito no seu planeta a mais de vinte anos.
- Como eu não soube disso?
- Porque seus meios de comunicação são repletos de conteúdo alienante, e entretenimento vazio. - disse zero um enquanto se equilibrava numa pilastra.
- Então, se você olhar para o filme, só verá alguns vultos, mas o laser faz daquele filme uma imagem nítida. O mais interessante é que em cada parte desse filme há o todo. Ou seja, você não pode dividir uma imagem holográfica, porque se cortar a metade ainda assim poderá ver todo o holograma, só que menor.
- O que?!
- Você entendeu. É justamente isso. Não há como dividir um holograma, e portanto, isso desconstrói o paradigma de que tudo deve ser dividido para ser compreendido, já que o todo está em cada parte do universo. Isso também se prova pelo fato de que elétrons se comunicam com uma velocidade maior do que a da luz. Os outros princípios são muito bem refutados pelo pensamento sistêmico, que você conhece. Em resumo, a moral é a limitação racional imposta aos sentimentos, e a ciência é a limitação sentimental imposta aos pensamentos. Tudo separado, tudo parcial. E a parte mais estranha disso tudo é que existem homens no seu planeta que já sabem disso. Eles simplesmente não conseguem passar adiante. É justamente essa a finalidade dessas visitas. Dar apoio aos homens que já descobriram como emancipar o pensamento e o sentimento no seu planeta. Nós só queremos que vocês aprendam sobre o conhecimento que já existe no seu planeta, para aí sim podermos entrar no seu planeta sem ter que enfrentar reações absurdas. Aí sim nós poderemos mostrar a vocês até onde o nosso conhecimento vai.
- Você acha que é disso que a humanidade precisa? - perguntei
- Vocês precisam disso, mas não é “disso” que precisam. Noutras palavras, isso não é tudo, mas é minha contribuição como artista. Sabe, a filosofia é uma arte! E com elas que a revolução acontece dentro da mente!
Fiquei estupefato com aquelas coisas. Eu precisava de tempo para refletir sobre aquela informação.
- opa, chegou a hora. - disse Matias.
- Hora de que?
- De ir. A apresentação sobre história da nossa civilização acabou e precisamos nos unir aos outros do grupo.
- Certo.
- Foi bom conversar com vocês, Gigantes - disse zero um.
- Também acho. - Disse zero três. - mas olha a cara deles! Parecem perturbados! Acho que falamos coisa demais de uma vez só!
Postado por Silas às sexta-feira, julho 03, 2009 0 comentários
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O universo como um Holograma
Existe uma Realidade Objectiva ou o Universo é um Fantasma?
Em 1982 ocorreu um facto muito importante. Na Universidade de Paris uma equipa de pesquisa liderada pelo físico Alain Aspect, realizou o que pode tornar-se a mais importante experiência do século XX. Você não ouviu falar sobre isto nas notícias da noite. De facto, a menos que você tenha o hábito de ler jornais e revistas científicas, você provavelmente nunca ouviu falar no nome de Aspect. E há muitos que pensam que o que ele descobriu pode mudar a face da ciência.
Aspect e a sua equipa descobriram que sob certas circunstâncias, partículas sub atómicas como os electrões são capazes de, instantaneamente, comunicarem umas com as outras a despeito da distância que as separe. Não importa se esta distância é de 10 pés ou de 10 biliões de milhas. De alguma forma uma partícula sabe sempre o que a outra está a fazer. O problema com esta descoberta é que isto viola a por muito tempo sustentada afirmação de Einstein que nenhuma comunicação pode viajar mais rápido que a velocidade da luz. E como viajar mais rápido que a velocidade da luz é o objectivo máximo para quebrar a barreira do tempo, este facto estonteante tem feito com que muitos físicos tentem descartar, com maneiras elaboradas, as conclusões de Aspect. Mas também têm proporcionado que outros busquem explicações mais radicais.
O físico da Universidade de Londres, David Bohm, por exemplo, acredita que as descobertas de Aspect implicam que a realidade objectiva não existe, que, a despeito da aparente solidez, o Universo está no coração de um holograma fantástico, gigantesco e extremamente detalhado.
Para entender porque Bohm faz esta afirmação surpreendente, temos primeiro que saber um pouco sobre hologramas. Um holograma é uma fotografia tridimensional feita com a ajuda de um laser. Para fazer um holograma, o objecto a ser fotografado é primeiro banhado com a luz de um raio laser. Então um segundo raio laser é colocado fora da luz reflectida do primeiro e o padrão resultante da interferência (a área aonde se combinam estes dois raios laser) é capturada no filme. Quando o filme é revelado, parece um redemoinho de luzes e linhas escuras. Mas logo que este filme é iluminado por um terceiro raio laser, aparece a imagem tridimensional do objecto original.
A tridimensionalidade destas imagens não é a única característica importante dos hologramas. Se o holograma de uma rosa é cortado a metade e então iluminado por um laser, em cada metade ainda será encontrada uma imagem da rosa inteira. E mesmo que seja novamente dividida cada parte do filme sempre apresentará uma menor, mas ainda intacta versão da imagem original. Diferente das fotografias normais, cada parte de um holograma contém toda a informação possuída pelo todo.
A natureza de "todo em cada parte" de um holograma proporciona-nos uma maneira inteiramente nova de entender organização e ordem. Durante a maior parte da sua história, a ciência ocidental tem trabalhado dentro de um conceito que a melhor maneira para entender um fenómeno físico, seja ele um sapo ou um átomo, é dissecá-lo e estudar as suas partes respectivas. Um holograma ensina-nos que muitas coisas no Universo não podem ser conduzidas por esta abordagem. Se tentamos tomar alguma coisa à parte, alguma coisa construída holograficamente, não obteremos as peças da qual esta coisa é feita, obteremos apenas inteiros menores.
Este "insight" é o sugerido por Bohm como outra forma de compreender os aspectos da descoberta de Aspect. Bohm acredita que a razão que habilita as subpartículas a permanecerem em contacto umas com as outras a despeito da distância que as separa não é porque elas estejam a enviar algum tipo de sinal misterioso, mas porque esta separação é uma ilusão. Ele argumenta que num nível mais profundo da realidade estas partículas não são entidades individuais, mas são extensões da mesma coisa fundamental.
Para capacitar as pessoas a melhor visualizarem o que ele quer dizer, Bohm oferece a seguinte ilustração: imagine um aquário que contém um peixe. Imagine também que você não é capaz de ver este aquário directamente e o seu conhecimento deste aquário dá-se por meio de duas câmaras de televisão, uma dirigida ao lado da frente e outra à parte lateral.
Quando você fica a observar atentamente os dois monitores, você acaba por presumir que o peixe de cada uma das telas é uma entidade individual. Isto porque, como as câmaras foram colocadas em ângulos diferentes, cada uma das imagens será também ligeiramente diferente. Mas se você continua a olhar para os dois peixes, você acaba por adquirir a consciência de que há uma relação entre eles. Quando um se vira, o outro faz uma volta correspondente apenas ligeiramente diferente; quando um se coloca de frente para a frente, o outro se coloca de frente para o lado. Se você não sabe das angulações das câmaras você pode ser levado a concluir que os peixes estão a inter comunicar-se, apesar de claramente este não ser o caso.
Isto, diz Bohm, é precisamente o que acontece com as partículas sub atómicas na experiência de Aspect. Segundo Bohm, a aparente ligação «mais-rápido-do-que-a-luz» entre as partículas sub atómicas está a dizer-nos que realmente existe um nível de realidade mais profundo da qual não estamos privados, uma dimensão mais complexa além da nossa própria que é análoga ao aquário. E ele acrescenta, vemos objectos como estas partículas sub atómicas como se estivessem separadas umas das outras porque estamos a ver apenas uma porção da realidade delas. Estas partículas não são partes separadas mas sim facetas de uma unidade mais profunda e mais subliminar que é holográfica e indivisível como a rosa previamente mencionada. E como tudo na realidade física está compreendido dentro destes "eidolons", o próprio universo é uma projecção, um holograma.
Em adição a esta natureza fantástica, este universo possuiria outras características surpreendentes. Se a aparente separação das partículas sub atómicas é uma ilusão, isto significa que em nível mais profundo de realidade todas as coisas do universo estão infinitamente inter conectadas.
Os elétrons num átomo de carbono no cérebro humano estão inter conectados com as partículas sub atómicas que compreendem cada salmão que nada, cada coração que bate, e cada estrela que brilha no céu.
Tudo interpenetra tudo e embora a natureza humana possa buscar categorizar como um pombal e subdividir os vários fenómenos do universo, todos os aportes toda esta necessidade é de fato artificial e todas de natureza que é finalmente uma rede sem sentido.
Em um universo holográfico, mesmo o tempo e o espaço não podem mais serem vistos como fundamentais. Porque conceitos como localização se quebram diante de um universo em que nada está verdadeiramente separado de nada, tempo e espaço tridimensional, como as imagens dos peixes nos monitores, também podem ser vistos como projecções de ordem mais profunda.
Este tipo de realidade a nível mais profundo é um tipo de super holograma no qual o passado, o presente, o futuro existem simultaneamente. Sugere que tendo as ferramentas apropriadas pode ser algum dia possível entrar dentro deste nível de realidade super holográfica e trazer cenas do passado há muito esquecido. Seja o que for que o super holograma contenha, é ainda uma questão em aberto. Pode-se até admitir, por amor a argumentação, que o super holograma é a matriz que deu nascimento a tudo em nosso universo e no mínimo contém cada partícula sub atómica que existe ou existirá - cada configuração da matéria e energia que é possível, de flocos de neve a quasars, de baleias azuis aos raios gamma. Deve ser visto como um tipo de "depósito" de "Tudo que é".
Embora Bohm admita que não há maneira de saber o que mais pode estar oculto no super holograma, ele se arrisca em dizer que não temos qualquer razão para admitir que ele não contenha mais. Ou, como ele coloca, talvez o nível super holográfico da realidade é um simples estágio além do que repousa "uma infinidade de desenvolvimento posterior".
Bohm não é o único pesquisador que encontrou evidências de que o universo é um holograma. Trabalhando independentemente no campo da pesquisa cerebral, o neurofisiologista Karl Pribram, de Standford também se persuadiu da natureza holográfica da realidade. Pribram desenhou o modelo holográfico para o quebra-cabeças de como e onde as memórias são guardadas no cérebro.
Por décadas, inúmeros estudos tem mostrado que muito mais que confinadas a uma localização específica, as memórias estão dispersas pelo cérebro.
Em uma série de experiências com marcadores na década de 20, o cientista cerebral Karl Lashley concluiu que não importava que porção do cérebro do rato era removida; ele era incapaz de erradicar a memória de como eram realizadas as atividades complexas que tinham sido aprendidas antes da cirurgia. O único problema foi que ninguém foi capaz de poder explicar a natureza de "inteiro em cada parte" da estocagem da memória.
Então, na década de 60, Pribram encontrou o conceito de holografia e entendeu que ele tinha achado a explicação que os cientistas cerebrais estavam buscando. Pribram acredita que as memórias são codificadas não nos neurônios, ou pequenos grupos de neurônios, mas em padrões de impulsos nervosos de tipo cruzado em todo o cérebro da mesma forma que a interferência da luz laser atravessa toda a área de um pedaço de filme contendo uma imagem holográfica. Em outras palavras, Pribram acredita que o próprio cérebro é um holograma.
A teoria de Pribram também explica como o cérebro humano pode guardar tantas memórias em um espaço tão pequeno.
Tem sido calculado que o cérebro humano tem a capacidade de memorizar algo na ordem de 10 bilhões de bits de informação durante a média da vida humana (ou rudemente comparando, a mesma quantidade de informação contida em cinco volumes da Encyclopaedia Britannica).
Similarmente, foi descoberto que em adição a suas outras capacidades, o holograma possui uma capacidade de estocagem de informação simplesmente mudando o ângulo no qual os dois lasers atingem um pedaço de filme fotográfico, e é possível gravar muitos registros diferentes na mesma superfície. Tem sido demonstrado que um centímetro cúbico pode estocar mais que 10 bilhões de bits de informação.
Nossa habilidade de rapidamente recuperar qualquer informação que precisamos do enorme estoque de nossas memórias se torna mais compreensível se o cérebro funciona segundo princípios holográficos. Se um amigo pede a você que diga o que lhe vem a mente quando ele diz a palavra "zebra", você não tem que percorrer uma gigantesca lista alfabética para encontrar a resposta. Ao contrário, associações como "listrada", parecida com um cavalo e "animal nativo da África" logo lhe vem à mente.
Uma das coisas mais surpreendentes sobre o processo de pensamento humano é que cada peça de informação parece imediatamente correlacionada com muitas outras - uma outra característica intrínseca do holograma. Por que cada porção de um holograma é infinitamente interligada com todas as outras porções, talvez seja a natureza o supremo exemplo de um sistema interligado.
A estocagem da memória não é o único quebra-cabeças neurofisiológico que se torna abordável à luz do modelo holográfico de cérebro de Pribram.
Um outro é como o cérebro é capaz de traduzir a avalanche de freqüências que recebe via sentidos (freqüências de sons, freqüências de luz e assim por diante) dentro do mundo concreto de nossas percepções. Codificando e decodificando freqüências é precisamente o que o holograma faz melhor.
Exatamente como um holograma funciona como um tipo de lente, um aparelho tradutor capaz de converter um borrão de freqüências aparentemente sem sentido em uma imagem coerente, Pribram acredita que o cérebro também parece uma lente e usa os princípios holográficos para converter matematicamente as freqüências que recebe através dos sentidos dentro do mundo interior de nossas percepções. Um impressionante corpo de evidência sugere que o cérebro usa os princípios holográficos para realizar as suas operações. A teoria de Pribram de fato tem ganho suporte crescente entre os neurofisiologistas.
O pesquisador ítalo-argentino Hugo Zucarelli recentemente estendeu o modelo holográfico ao mundo dos fenômenos acústicos. Confuso pelo fato de que os humanos podem localizar a fonte dos sons sem moverem as cabeças, mesmo se eles só possuem audição em um ouvido, Zucarelli descobriu que os princípios holográficos podem explicar estas habilidades.
Zucarelli também desenvolveu uma técnica de som holográfico, uma técnica de gravação capaz de reproduzir sons acústicos com um realismo quase inconcebível.
A crença de Pribram que nossos cérebros constroem matematicamente a "dura" realidade pela liberação de um input de uma freqüência dominante também tem recebido grande quantidade de suporte experimental. Foi descoberto que cada um de nossos sentidos é sensível a uma extensão muito mais ampla de freqüências do que se suspeitava anteriormente.
Os pesquisadores tem descoberto, por exemplo, que nosso sistema visual é sensível às freqüências de som, nosso sentido de olfato é em parte dependente do que agora chamamos de freqüências ósmicas e que mesmo cada célula de nosso corpo é sensível a uma ampla extensão de freqüências. Estas descobertas sugerem que está apenas sob o domínio holográfico da consciência e que estas freqüências são selecionadas e divididas dentro das percepções convencionais.
Mas o mais envolvente aspecto do modelo holográfico cerebral de Pribram é o que acontece quando ele é conjugado à teoria de Bohm. Se a "concretividade" do mundo nada mais é do que uma realidade secundária e o que está "lá" é um borrão de freqüências holográfico, e se o cérebro é também um holograma e apenas seleciona algumas das freqüências deste borrão e matematicamente transforma-as em percepções sensoriais, o que vem a ser a realidade objetiva? Colocando de forma simples, ela deixa de existir.
Como as religiões orientais há muito tem afirmado, o mundo material é Maya, uma ilusão, e embora pensemos que somos seres físicos que se movem em um mundo físico, isto também é uma ilusão. Somos realmente "receptores" boiando num mar caleidoscópico de freqüência, e que extraímos deste mar e transformamos em realidade física não é mais que um canal entre muitos do super holograma.
Esta intrigante figura da realidade, a síntese das abordagens de Bohm e Pribram tem sido chamada de "paradigma holográfico", e embora muitos cientistas tenham recebido isto com ceticismo, este paradigma tem galvanizado outros. Um pequeno mas crescente grupo de pesquisadores acredita que este pode ser o modelo mais acurado da realidade científica que foi mais longe. Mais do que isto, muitos acreditam que ele pode solucionar muitos mistérios que nunca foram antes explicados pela ciência e mesmo estabelecer o paranormal como parte da natureza.
Numerosos pesquisadores como Bohm e Pribram tem notado que muitos fenômenos parapsicológicos se tornam muito mais compreensíveis em termos do paradigma holográfico.
Em um universo em que cérebros individuais são atualmente porções indivisíveis de um holograma muito maior e tudo está infinitamente interligado, a telepatia pode ser simplesmente o acessamento do nível holográfico. E é obviamente muito mais fácil entender como a informação pode viajar da mente do indivíduo A para a do indivíduo B ao ponto mais distante e auxilia a entender um grande número de quebra- cabeças em psicologia.
Em particular, Grof sente que o paradigma holográfico oferece um modelo de compreensão para muitos estonteantes fenômenos vivenciados por indivíduos durante estados alterados de consciência. Nos anos 50, conduzindo uma pesquisa em que se acreditava que o LSD seria um instrumento psicoterapêutico, Grof teve uma paciente que de repente ficou convencida que tinha assumido a identidade de uma femea de uma espécie pré-histórica de répteis.
Durante o curso da alucinação dela, ela não somente deu riquissimos detalhes do que ela sentia ao ser encapsulada naquela forma, mas notou que uma porção do macho daquela espécie tinha anatomia que era um caminho para as escamas coloridas ao lado de sua cabeça. O que foi surpreendente para Grof é que a mulher não tinha conhecimento prévio sobre estas coisas, e uma conversação posterior com um zoologista confirmou que em certas espécies de repteis as áreas coloridas na cabeça tem um importante papel como estimulantes do desenvolvimento sexual.
A experiência desta mulher não foi única. Durante o curso da pesquisa, Grof encontrou exemplos de pacientes regredindo e se identificando com virtualmente todas as espécies na árvore evolucionária (descobertas da pesquisa ajudaram a influenciar a cena do homem-vindo-do- macaco no filme Altered States). E mais ainda, ele descobriu que estas experiências freqüentemente continham detalhes obscuros que mais tarde vieram a ser confirmados como acurados.
Regressões dentro do reino animal não são os únicos quebra cabeças entre os fenômenos psicológicos que Grof encontrou.
Ele também teve pacientes que pareciam entrar em algum tipo de consciência racial ou coletiva. Indivíduos com pouca ou nenhuma educação repentinamente davam detalhadas descrições das práticas funerárias do Zoroastrismo e cenas da mitologia hindu. Em outro tipo de experiências os indivíduos forneciam relatos persuasivos de jornadas fora do corpo, relâmpagos pré cognitivos do futuro, de regressões dentro de aparentemente encarnações de vidas passadas.
Em pesquisa posterior, Grof encontrou a mesma extensão de fenômenos manifestados em seções de terapia que não envolviam o uso de drogas. Em virtude dos elementos em comum nestas experiências parecerem transcender a consciência individual, além dos usuais limites do ego e/ou as limitações de tempo ou espaço, Grof chamou estas manifestações de experiências transpessoais e no fim dos anos 60 ele auxilou na fundação de um ramo de psicologia chamada "psicologia transpessoal" e se devotou inteiramente ao seu estudo.
Embora a recém-fundada Association of Transpersonal Psychology conquistasse um rápido crescimento entre o grupo de profissionais de mente similar, e se tornasse um ramo respeitado da psicologia, durante anos nem Grof nem seus colegas foram capazes de fornecer um mecanismo para explicar os bizarros fenômenos psicológicos que eles estavam testemunhando. Mas isto mudou com o advento do paradigma holográfico. Como Grof recentemente notou, se a mente é parte de um continuum, um labirinto que é conectado não somente as outras mentes que existem ou existiram, mas a cada átomo, cada organismo e região na vastidão do espaço e tempo, o fato de que seja capaz de ocasionalmente fazer entradas no labirinto e Ter experiências transpessoais não pode mais parecer estranho.
O paradigma holográfico tem também implicações nas chamadas ciências "concretas" como a biologia. Keith Floyd, um psicólogo do Virginia Intermont College, tem pontificado que a concretividade da realidade é apenas uma ilusão holográfica, e não está muito longe da verdade dizer que o cérebro produz a consciência. Mais ainda, é a consciência que cria a aparência do cérebro - bem como do corpo e de tudo mais que nós interpretamos como físico.
Esta virada na maneira de se ver as estruturas biológicas fez com que pesquisadores apontassem que a medicina e o nosso entendimento do processo de cura poderia também ser transformado em um paradigma holográfico. Se a aparente estrutura física do corpo nada mais é do que a projeção holográfica da consciência, torna-se claro que cada um de nós é mais responsável por sua saúde do que admite a atual sabedoria médica. Que nós agora vejamos as remissões miraculosas de doenças podem ser próprias de mudanças na consciência que por sua vez efetua alterações no holograma do corpo.
Similarmente, novas técnicas controversas de cura como a visualização podem funcionar muito bem porque no domínio holográfico de imagens pensadas que são muito "reais" se tornam "realidade". Mesmo visões e experiências que envolvem realidades "não ordinárias" se tornam explicáveis sob o paradigma holográfico. Em seu livro, "Gifts of Unknown Things," o biologista Lyall Watson descreve seu encontro com uma mulher xamã indonésia que, realizando uma dança ritual , foi capaz de fazer um ramo inteiro de uma árvore desaparecer no ar. Watson relata que ele e outro atônito expectador continuaram a olhar para a mulher, e ela fez o ramo reaparecer, desaparecer novamente e assim por várias vezes.
Embora o atual entendimento científico seja incapaz de explicar estes eventos, experiências como esta vem a ser mais plausíveis se a "dura" realidade é apenas uma projeção holográfica. Talvez concordemos sobre o que está "lá" ou "não está lá " porque o que chamamos consenso realidade é formulada e ratificada a nível de inconsciência humana a qual todas as mentes estão interligadas.
Se isto é verdade, a mais profunda implicação do paradigma holográfico é que as experiências do tipo da de Watson não são lugares comum somente porque nós não temos programado nossas mentes com as crenças que fazem com que sejam.
Num universo holográfico não há limites para a extensão do quanto podemos alterar o tecido da realidade. O que percebemos como realidade é apenas uma forma esperando que desenhemos sobre ela qualquer imagem que queiramos.
Tudo é possível, de colheres entortadas com o poder da mente aos eventos fantasmagóricos vivenciados por Castaneda durante seus encontros com o bruxo Yaqui Don Juan, mágico de nascença, não mais nem menos miraculoso que a nossa habilidade para computar a realidade que nós queremos quando sonhamos.
E assim, mesmo as nossas noções fundamentais sobre a realidade se tornam suspeitas, dentro de um universo holográfico, como Pribram postulou, e mesmo eventos ao acaso podem ser vistos dentro dos princípios básicos holográficos e portanto determinados.
Sincronicidades ou coincidências significativas de repente fazem sentido, e tudo na realidade terá que ser visto como uma metáfora, e mesmo eventos ao acaso expressariam alguma simetria subjacente.
Seja o paradigma holográfico de Bohm e Pribram aceito na ciência ou morra de morte ignóbil, é seguro dizer que ele já tem influenciado a mente de muitos cientistas. E mesmo se descoberto que o modelo holográfico não oferece a melhor explicação para as comunicações instantâneas que vimos ocorrer entre as partículas subatômicas, no mínimo, como observou notou Basil Hiley, um físico do Birbeck College de Londres, os achados de Aspect " indicam que devemos estar preparados para considerar radicalmente novos pontos de vista da realidade".
Postado por Silas às segunda-feira, junho 29, 2009 0 comentários
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Um diálogo com um robô
Decidi postar um fragmento de uma obra minha no blog, pois considero relevante. Não tenho, no momento, nada a declarar sobre ela, pois não falo mais de obras inacabadas. Não quero expectativas, pois ela cortam de minha criatividade. Esse texto basta-se a si mesmo em significado, como o mito da caverna de Platão.
- Ele está ligado. Podem questioná-lo à vontade. Ele responderá normalmente.
- O que significa isso? Responderá normalmente?
- Significa que ele responderá segundo seu padrão. É imutável.
Augusto olhou para mim confuso.
- Tem idéias, Roberto?
- Acho que sim. Matias, você disse que esse homem escolheu morrer, certo?
- Sim, escolheu.
O robô estava piscando os olhos, mas não falava nada. Nos olhava a ouvia o que dizíamos, mas parecia indiferente. Eu já sabia o que dizer.
- Porque você quer morrer?
- Porque estou cansado e vi como são os habitantes desse planeta são ignorantes e primitivos. Passei toda a minha vida educando homens, e de fato ajudei muitos deles a alcançarem o cheiro, mas há muitos homens no seu mundo, e uns que levariam dezenas de anos para abrir a mente e aí sim entenderem o cheiro. Estou cansado e sei que já cumpri a minha missão.
- Que é o cheiro?
- Vocês não usam as palavras cheiro, essência e aroma para designar a natureza das coisas ou, noutras palavras, como elas são.
- O cheiro é a verdade! - exclamou Augusto
- Sua linguagem é inexata, então quando se diz verdade não sei que palavra usar. Temos diversas palavras com diversos significados e todas são traduzidas como verdade. Sua linguagem é primitiva.
- Sim, mas eu entendi.
- O que é o cheiro?
- Não posso aprender, portanto não posso ensinar.
- Como?
- Não posso te entender.
- Mas você conhece o cheiro.
- Conheço o meu.
- Pode me ajudar a conhecer o meu?
- Não posso, não posso te entender.
- Você não conhece nossa raça?
- Conheço todo o funcionamento genético da sua raça, assim como o físico. Fui o ultimo dos engenheiros genéticos que construiu os nossos corpos como são atualmente.
- Quer dizer que você que os tornou pequenos?
- Não. Na minha época todos já eram pequenos.
- Que alterações vocês fizeram?
- Alterações estéticas e adaptação para atmosfera poluída com dióxido de carbono.
- Se você sabe tanto sobre nós, porque não pode me entender?
- Não posso entender mais nada.
- Não entendo. Porque não pode mais entender nada?
- A estrutura do meu pensamento não é real. Isso que fala com você é apenas a cópia de um homem que já existiu, mas que se foi. Não sou humano e nem nunca serei.
- Você precisa ser humano para me entender?
- Sim, preciso ser mutável.
- Você não muda?
- Não posso mudar, sou apenas uma maquina projetada com paradigmas e valores de um homem que já morreu por escolha própria. Segundo o paradigma dele próprio, sou um erro e nunca devia ter sido criado.
- Você tem memória?
- Sim.
- Sua memória não muda seus paradigmas?
- Não tenho paradigmas, apenas parâmetros. Sou exatamente aquilo que fui programado para ser.
- Pode me passar informações sobre sua memória?
- Posso.
- Quem te criou?
- Aquele que veio trazer o conhecimento e o futuro. Filho do homem que teve os paradigmas copiados para esse sistema. Segundo o julgamento de valores dele, foi uma forma de não aceitar a decisão do pai. Ele tinha apenas quarenta anos e era imaturo, mas isso serviu de lição para todos, segundo consta na história da inteligência artificial e engenharia mental.
- Você pode reproduzir algum diálogo que teve com ele?
- Não, ele não dá autorização pra isso.
- Entendo. Pode, se esquivando das palavras dele, explicar como foi a situação.
- Ele me pediu um conselho sobre uma mulher. Não pude dar, porque não posso construir novos paradigmas e não posso entender pessoas, já que não sou humano. Ele foi tomado por um impulso infantil de raiva e destruiu minha perna e parte do meu tronco com uma barra de aço.
- O que você entende por aço? – perguntou Augusto.
- É o nome que vocês dão a essa combinação de elementos.
- Ele agüentou uma barra de aço?
- Usou controle de gravidade.
- Você é contra o projeto de ajudarem nosso planeta e de se instalarem nele?
- Segundo consta, esse é o único planeta no qual encontramos uma atmosfera capaz de contar vida além do nosso na época em saímos do planeta. Nossos recursos foram medidos para durar cem anos depois da chegada na terra, graças ao sistema de reciclagem química. Durante a viagem nossa raça foi completamente modificada para se adaptar à sua atmosfera. O julgamento de valores do dono desses paradigmas é de que sua função não era de habitar esse planeta, mas sim de preparar os habitantes para um novo tipo de vida. Na verdade ele era a favor desse contato, mas não estava disposto a ir até lá.
- Isso não é covardia?
- Segundo o julgamento de valor dele, nossa raça não deveria viver tanto.
- Ora, estou cansado disso de “o que deveria”. De onde ele tirou que a função dele era apenas ajudar a sua civilização? É um egoísta!
- Você é egoísta, pois, segundo o julgamento do dono dos paradigmas, você só pensa no próprio crescimento e não leva em consideração os sentimentos e pensamentos dele. Que são distintos dos seus.
Fiquei estupefato. Aquele robô estava me julgando, e, pela primeira vez na vida, um julgamento me atingiu. Senti necessidade sentimental de me defender, e, apesar de reconhecer a exatidão das afirmações do robô eu tive que apresentar contestações.
- Se você não tem valores por ser apenas uma cópia e não pode me entender, como pode afirmar que eu sou um egoísta?
- Estereótipo. Uma identificação superficial de padrões comportamentais que causa uma projeção de outra identidade similar à sua. Estou partindo da premissa de que você é uma das pessoas que existiam na época em que o homem vivia.
- Essa pessoa está morta?
- Não. Ela mudou e não sou mais capaz de entendê-la.
- Quem era ela?
- Aquele que veio trazer o conhecimento e o futuro.
Diante daquilo que me senti pequeno. Muito pequeno. Aquele homem que foi classificado como criança mesmo tendo sido genial ao ponto de criar um robô estava sendo projetado em mim. Isso quer dizer que, segundo o julgamento de valores dessa sociedade, eu não passo de uma criança. Na terra eu sempre me senti incomodado com a infantilidade das pessoas, mas aqui tudo o que se evidencia é o fato de que eu sou uma criança.
- Não entendo. Sempre achei que meu maior objetivo era me tornar quem eu sou. Disse eu.
- Isso é apenas o começo. Na verdade o que você chama de tornar-se a si mesmo é apenas o começo. É basicamente o processo de libertação. Um homem só começa a se tornar sábio depois que se libertou de si mesmo.
- Mas se eu devia me tornar quem eu sou, como eu poderia me libertar de mim mesmo? Isso parece um contra-senso.
- Seu pensamento é arcaico segundo o julgamento estereotipado de comparação. Não entende o cheiro e por isso separa as coisas que são unidas com sua lógica falha. Depois de separar você diz que uma parte não combina com a outra. Não entende nada. Cria um mundo primitivo, acredita nele e nunca vai se libertar enquanto não sair desses raciocínios de antítese e circulares.
- Me fale mais sobre meu erro.
- Acontece que alcançar sua essência é justamente se libertar, pois enquanto o homem não sabe quem é ele fica preso em arbitrariedades como essa que você falou, que é uma contradição que só existe dentro de você e dos que não se tornaram quem são. Um homem que alcança a si mesmo se desprende, porque ele entra num mundo muito mais amplo do que esse de egoísmo infantil. Não tem interesse em submeter o universo aos seus próprios paradigmas. Ele não fica oscilando entre achar que é tudo e tudo pode e nem que não é nada e nada pode. Isso é tudo resultado da educação deficiente e baseadas em instintos primitivos da sua civilização.
Eu não tinha mais palavras. Minhas racionalizações não me salvariam dessa vez, e eu sabia que um robô com paradigmas imutáveis havia dito tanta coisa sábia. Eu não tinha resposta, e nem mesmo tinha entendido completamente aquilo que ele havia dito. Aquela civilização era muito mais avançada do que eu imaginava. Ela transcendia tudo o que eu entendia, e percebi que Matias também estava estupefato. Ele é novo, então provavelmente ainda está por aprender esse tipo de lição. Augusto nada falava, e nem imagino o que pensava. Acho que ele ficou tão chocado que estava sem palavras, assim como eu estava. Parecia que a surpresa havia me anestesiado, e de repente nós fomos retirados da sala.
Postado por Silas às segunda-feira, junho 22, 2009 0 comentários
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