Mostrando postagens com marcador Confissão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Confissão. Mostrar todas as postagens

An open wound


Tenho uma ferida aberta
Ela pulsa, emana perfume
Mas apesar da dor...
É ela que me faz respirar

A ferida separa um lado do outro
Nada poderia uni-los, sará-la
Mas é ela que me põe em movimento
A dor move a vida, parece

Eu passo pelos lugares
O sangue vai pingando
Parece até infinito
Ele se dilui no mar do cotidiano

Pragmatismos me distraem
Conhecimentos me arrebatam
Mas nada disso seria possível
Sem o perfume de saudade

Dessa ferida aberta que tenho no peito...

Foi de início como a lança do destino
Não poderia ser de outra maneira
Atravessou a minha alma
Pôs tudo em chamas

Depois a ferida secou
Já até ameaçava sarar
Quando foi reaberta brutalmente
Veio pra ficar...

Então eu aperto e deixo sangrar
Que é pra sentir o aroma
Há alguma força no universo
Que não me deixa esgotar...

Chamemos isso de amor...


Deixem-me voltar pra casa



Esse mundo é frio, congelado
Vocês o sabem, já vieram aqui
Andar por aqui queima a pele
Fere o coração, mesmo de um soldado

Selvageria, brutalidade, imbecilidade

A noite está fria
Quero meu cobertor
Ele está em casa, com os meus
Tudo o que eu amo está em casa

As palavras falham, sabe?
Na verdade nem sei mais nomear
As coisas que mais amo
Não tenho capacidade de relembrar

São idéias inconcebíveis de um mundo antigo

Mas essa noite está silenciosa
Quero os sons do lar
Então deixem o sono me levar
Só por essa noite, voltar pra casa

Porque vivendo nesse mundo
Carregando essa sensação horrível
Tudo o que eu preciso agora é disso
Ir para o meu lar, onde nada mais importa

Poderiam vocês, generais dos astros,
Conceder um dia de folga dessa tarefa?
Deixar-me esquecer meu posto
E voar no túnel pelo espaço?

Reflexões sobre a poligamia: despedaçamento e costura


Eu não poderia deixar de começar esse texto com uma fala de uma professora minha. Estou certo de que ela não se importará.
Certo dia, relutante de abordar assunto (provavelmente por ser cristã), a professora tentou trazer o assunto da sexualidade e dos “ritos” que usamos pra criarmos pares. Se enrolando pra pronunciar o que ela queria dizer, ela acabou perguntando quem eram os solteiros da turma e ninguém respondeu. Talvez ela não tivesse em mente que se declarar solteiro traz uma série de compromissos e, quiçá, danos à auto-estima. Ninguém respondeu, e a reação dela eu nunca mais vou esquecer:

- “Mas é só o Silas que é solteiro nessa sala?” – disse ela.
- “Espere um pouco, quem disse que eu sou solteiro?” – disse ela
- “Ah, você não é?” - disse ela num tom de descrença

Eu me perguntei se minha conduta mostrava isso: sempre pensei que a poligamia fosse facilmente escondida, bastando apenas não declará-la tão abertamente. Mas não foi o caso...
E não acabou por aqui.

- “Eu quis saber quem eram os solteiros pra perguntar como os rapazes paqueram” – disse ela com aquela risada de criança arteira
- “Mas quem disse que só os solteiros paqueram?” - eu comentei
- “A, mas esses são os safados” – ela disse num tom de voz baixo sem me olhar nos olhos.

Não acredito que ela tenha percebido o impacto que aquilo teve e como isso se ligou a tudo que se passa nesse mundo estranho. Depois dessa introdução só me resta fazer algumas confissões e assumir que faço parte de um grupo para o qual a sociedade dá as costas. Um grupo de “safados” que são “contra os direitos humanos” e que estão deflorando, por sua própria condição, toda a secular idéia de família. Os polígamos.

Acredito que descobrir algo assim tem algumas semelhanças e diferenças com descobrir a homossexualidade. Trata-se de uma condição, não de uma escolha; e também é uma coisa discriminada, considerada pecaminosa, moralmente incorreta; é, aliás, praticada desde que o mundo é mundo inclusive em sociedades que a proíbem. Mas, diferente dos homossexuais, os polígamos não possuem um movimento forte e politicamente engajado; não têm uma identidade atrelada à sua condição e nem locais onde realizam suas atividades. Não há quem os ampare, nem onde possam recolher nossa cabeça. Além disso, há pouca perseguição sistemática e violência física, como acontece com os homossexuais, especialmente porque a cultura masculina tende a não reprovar essa conduta. Exceto, é claro, quando isso os afeta: se sua mulher decidiu ser polígama, por exemplo. Nesse caso, os polígamos são mortos por pessoas pessoalmente afetadas enquanto que, com freqüência, homossexuais são mortos por estranhos que os perseguem por razões culturais e psicológicas.

Boa parte dos polígamos fogem da honestidade. Assim, se envolvem em relações onde se presume a monogamia e simplesmente pulam a cerca. Para alguns a verdade não é tão importante quanto amar, então vivem cada momento com seus segredos, suas vidas duplas. A respeito de tal classe de polígamos nem tenho muito a dizer. Talvez mintam pra si mesmos dizendo que o outro parceiro é somente algo do momento ou só carnal, talvez só mintam pra todos, inclusive seus parceiros e só se preocupem consigo mesmos. Talvez sejam eles os responsáveis pelo sofrimento dos demais, na medida em que criam o estereótipo de promiscuidade que se associa a tal grupo.

Há outros que estão por aí nos guetos. São com freqüência bissexuais, usuários de drogas ou simplesmente marginais. Sua anomia tem tamanha proporção que a poligamia nem é um problema. Não sei se são corajosos ou loucos, mas a realidade é que não vão ser aceitos como cidadãos decentes e dificilmente os veremos sendo publicamente respeitados. Aliás, tenho a impressão de que esses grupos marginais tendem a funcionar com mecanismos que levam seus membros à progressiva entropia: sendo eles rejeitados, revoltados, anarquistas, acabam vivendo uma vida de pouca perspectiva onde só possuem respeito entre seus pares íntimos.

Seja pelo meu temperamento, seja pela minha criação, não consigo me adaptar a nenhum dos dois.

A idéia de mentir para as pessoas que amo é repulsiva. Tal atitude denotaria apenas que amo a mim mesmo acima de todas as coisas, e isso não é verdade. Nada, pra mim, vai além do amor. Isso é mais uma realidade do que uma escolha: se não compartilho tudo, não compartilho nada. E se não compartilho nada, não há relação, não há intimidade de nenhuma forma.

A idéia de sair pro gueto simplesmente não se encaixa em mim. Não tenho os traços de personalidade que são necessários para a integração num grupo desses. Sou excessivamente tranqüilo, excessivamente pacífico, seguro, estudioso, etc. Eu sou tudo que o gueto despreza e minhas relações, de uma forma geral, são coisas que vivem à luz do dia. Posso ser anarquista, mas isso é um posicionamento intelectual sociológico e epistemológico (Feyerabend): não uma atitude, não há muito de estilo de vida nisso, mas no estilo de pensamento. Isso sem falar que, por conseqüência, as pessoas com quem me envolvo não fazem parte de guetos e não vivem, de forma alguma, qualquer tipo de anomia. São de “família”.

O resultado disso tudo é que não há um espaço na nossa sociedade onde a poligamia se encaixe e, simultaneamente, eu possa me encaixar. Relações, no meu contexto, se constroem de maneira íntima, amorosa e aberta. Na realidade, pensando bem, se não fosse pela poligamia, estaria na posição de dizer que me relaciono de maneira bem saudável. Mas o saudável é algo culturalmente constituído, e como a professora disse, quem não é monógamo é safado.

Mas o que um polígamo nessa situação pode fazer? Compartilhar, de um modo geral, significaria perder a confiança, o amor das pessoas mais próximas. Não compartilhar significaria não tê-las como próximas. O problema é que uma espécie de censura que as pessoas têm, algo que as impede de amar outras pessoas quando estão comprometidas, não é algo dado aos polígamos. Não há a experiência de um amor ofuscando, acabando com o outro. 
O que se procura é colocar as cartas na mesa, compartilhar e viver constantemente com o terror de que, num dia dessas, quem você ama não mais tolere sua condição e te deixe. Ou então acreditar na mentira de que tudo pode ficar sobre controle e viver sempre no risco de cair em tentação ou simplesmente surtar por essa vida de negação de si mesmo. Mesmo assim, não há como todo os amores se tornarem realidade, pois a esmagadora maioria das pessoas não aceitam dividir; e se aceitam, geralmente há condições específicas que são impostas pra manter a estabilidade.

Se o polígamo tiver sorte, se ele for profundamente amado, talvez consiga viver mais de um desses amores, mas não pode haver conflito de papéis. 
Isso me lembra da relação de Jung com Emma e Tony. Em seu coração e em seu discurso, pelo que sei, ele as amava e as considerava suas esposas. Mas ela nunca foi reconhecida, nunca teve filhos e nem podia participar dos almoços com a família. Por mais que eles se amassem, ela nunca pode conflitar com Emma, que era a mãe dos filhos de Jung. Talvez esse tenha sido um caso de sucesso, pois, até onde sei, o próprio temperamento de Wolff era independente demais pra levar uma vida tal como a de Emma, mas ela não foi a única. Há rumores de que Jung teve uma relação com Sabina Spielrein e cartas que parecem dar créditos a eles (ver memórias, sonhos e omissões - Dr. Sonu Shamdasani). No entanto, nesse caso não houve qualquer tipo de acordo. Ela quis Jung por completo e ele não pôde ceder. O que não significa, é claro, que ele não a amou. Apenas que houve um conflito com relação aos papéis, pois Emma Jung era, para Jung, seu fundamento, Toni Wolff era a essência e Spielrein, aquela que não teve lugar. Diríamos que esse caso foi de menos amor, de menos importância do que os outros? Creio que não. Mas de uma coisa eu sei: por mais que tenham aceitado, Toni e Emma sofreram. 

Tudo o que resta, portanto, é lutar com todas as forças para não deixar alguns amores se tornarem vividos, é se evadir do próprio coração! É ver quem nós amamos desamparado, desprotegido, sem que possamos fazer qualquer coisa a respeito. É ter para uma pessoa um lugar quente no coração e, ainda assim, assistir ela congelar diante dos olhos.

Na realidade, me vejo com o temperamento tão parecido com o de Jung em certos aspectos que chego a questionar e rejeitar certas características de sua obra, por mais que a admire. Talvez eu consiga fazer como ele, talvez eu faça como a figura que se encontra no topo desse post. Mas a realidade é que, de uma forma ou de outra, essa condição será sempre um podre, algo a ser escondido, a ser, inclusive, negado em sua existência; sempre trará, aliás, sofrimento e insegurança pra quem estiver envolvido, talvez pela bagagem cultural.

Talvez algum dia isso mude, talvez um dia um homem possa erguer sua cabeça, se declarar polígamo e ainda assim ser reconhecido como um cidadão decente que preza pelo bem de todos. Mas isso só vai acontecer que houver união.



Estávamos na praia

Eu os vi removendo seu hímen
Cirurgicamente, quase indolor
Mas eu ouvi seu gemido
Eu vi que você me olhou

Você me convidou com seu olhar
Fomos pra água
Estava escuro
A água estava perigosa

Brincamos feito crianças
A correnteza nos arrastou
Você não se importou
Tentei fingir que estava tudo bem

Mas acabei saindo de lá
Te avisei, e você veio comigo
Não tinha medo da água
Só veio porque eu vim

Deitamos na areia, rolamos
Sorrimos, vi seus olhos brilhando
Quis te beijar, e um menino gritou
Percebi a multidão que nos assistia

Afinal, como declarar isso a eles¿
Que uma das regras mais fundamentais,
Meu temperamento contradiz¿
Com discursos racionais¿

Eu poderia dizer-lhes
Que cuidem de sua própria vida
Que não sou um libertino
Que isso é amor...

Mas não...
Eu escolhi fugir.
Corri contigo pela praia, alguns nos seguiram
Tinham veredictos em suas mentes

Eu nem percebi
Mas no meio dessa fuga,
Perdi você
Nosso momento passou

Num instante, eu estava no telefone
Falava com ela
Aquela que amo e que permitem
Que posso abraçar sem ser condenado

E foi bom...

Mas em alguns momentos
De reflexão, meditação
Lembro do que senti
Quando estávamos na praia...

Angel's Sleep

Às vezes quando alguém dorme
Devemos parar por uns instantes
Porque se quebram barreiras
Que dividem a alma da luz mundana

Algo como uma expressão
Linguagem corporal espontânea
Imaginamos sonhos, pesadelos
E aí nosso próprio coração se revela

Sentimos desejo ou repulsa
Queremos acolher ou rejeitar
Seja o que for, é claro, límpido
Certeza louca, intuitiva

As pessoas mostram sua identidade
O que são lá no fundo
E se amamos essa vista
Então amamos essa alma

São coisa que você descobre
Assistindo o sono de um anjo

Hera

Vigia, interfere, protege
Define as estações do ano
Ela é a rainha do Olimpo
Odeia a infidelidade

Eu quis tomar Perséfone
Sim, levá-la para o submundo
Torná-la minha rainha
Cuidando dos mortos

Como se fossem seus filhos

Mas hera interferiu.
Desde o começo...
Ela a trouxe de volta
E com ela, a primavera

Quando a vejo no mundo dos vivos
Minha avidez por possuí-la passa
Até minha vivência infernal amansa
Tantas cores, tantos aromas...

Hera, que deveria estar ofendida,
Veio me resgatar do meu tormento
Trabalhando em silêncio
Pensando que não a ouço...

What i am to you



Sou só mais um
No meio da curva normal
Mediano, previsível, comum
Uma representação média

Eu sou algo irrelevante
Que é indigno de preocupação
A sombra do homem invisível
Um detalhe pequeno demais

Sou uma fonte útil de calor
E também uma força propulsora
Dou proteção e sou força motriz
Sou instrutor e escudeiro

Enquanto eu for uma distração
E enquanto tiver alguma utilidade
Terei meu lugar dentro de você
Dentro do seu tubo digestório

Vou ser ruminado, corroído
Arrastado, sugado até a última gota
Então meus restos mortais serão expulsos
E meu funeral será girar e ser eliminado

Mas saiba de uma coisa
Que talvez eu entre no seu sangue
E aí chegue ao seu coração
Nesse ponto, não haverá volta

Lua

E eis que você surge
No meio da escuridão
Vem encantar, encaminhar
Tomar para si toda a atenção

Denomino-te Deusa
Presto-te homenagens
Subo em altas montanhas
Senão para tocá-la,

Para ao menos vê-la mais de perto

Sou eu que imagino coisas,
Ou você tem mesmo esse rosto lindo¿
Sou louco,
Ou você olha pra mim¿

Eu quero me banhar na sua luz,
Girar na tua órbita
Quero ser um com você,
E esquecer todo o resto...

Eu sou um lunático!

Hell's Fire(Flower)


Tem um calor em mim
Uma chama ardente
Por mais que eu tente
Não se apaga...

É uma chama infernal
Daquelas que dão alegria
Ela move meu espírito
Num jogo irracional

Num dia me centro
Delibero meu próprio destino
Pra no outro, surpreso,
Ver esse fogo consumir tudo

Isso é amor¿
É paixão, luxúria¿
Não...
Tenho que dizê-lo na minha língua:

Isso é o fogo do inferno

Vem das profundezas
Tira-nos o sono
Derruba-nos pedestal
Nos torna humanos...

E eu queimo, minha musa
Eu, Dante, vou queimando
Espero com paciência
Que você me leve ao paraíso

Eu sinto teu aroma daqui...

Branca de Neve


Minha cabeça queima
Meu sangue ferve
Porque quando eu te vi
Entendi a natureza do desafio

Abandonar promessas
Aceitar a realidade
Sofrer a dor necessária
Mergulhar no abismo

Eu vi nos seus olhos desatentos
A imagem que escondi de mim mesmo
Que eu não transformei água em vinho
Não sou senhor do destino

E o meu sangue ferveu
Minha barriga esfriou
Meus olhos foram arrastados
Por curvas entre obstáculos

Até que, em meio ao abismo
Vi seus olhos atentos
Eu observei o seu sangue ferver
Por nossa contradição

E será que no fim do desafio,
Terei alívio, alegria?
Diga, ó branca de neve
Viveremos felizes para sempre?

The Gust of Desire

It was the perfect day. I know it makes no sense to say that, but who cares? The old walls where wrecked, the old forbidden was now suddenly allowed. I took my car at the same our as every day and she was there, waiting for me with that happy but sorrowful smile on her face. She was using makeup, and fancy clothes. She knows that brings up my attention. Guess that's what she wanted in the first place. We arrived at my place, left the car and started walking on the neighborhood. The same as always.

- You know, i was thinking about what to say to you in our conversation, but i have no idea. Maybe today is not the day to talk after all... - she said looking at me with expectations

Last time, yesterday, we got in a close point to that and i ran away. There was a wall between us, and i was too scared to jump over it. But not that day. I woke up wild, like a beast.

- I wonder if you think about the things we say to each other often. I have been thinking a lot, lately. Seems like, even though i have all my issues, sometimes a just stop to think about it. It feels... wierd, strong... exciting – i Said
- I think about it everytime i get an oportunity. It's like i'm forbiden to do so, then i only think about it alone. But tell me, what are your thoughts?
- I keep thinking about those walls we face in the end of our journey. What if they where magicaly gone for good? What if we crossed them and arrived at the other side?
- I supose the sensation would be... enpowering... But what about the consequences?
- I woke up mad today, dear. Like i spent the night flying with a gust. Consequences are a matter of logic, reasoning. I could'nt care less about such things...
- But will it be only once?
- I don't know about the future and have no interest on it. Right now a just want to cross that wall and see what happens.
- But i't wrong!
- How can you be so sure? Why is it that we, little dots in the universe, always want to say what can happen and what cannot happen? To hell with that. Let the gods decide!
- What are you saying…?
- Do you feel the wind?
- Yes... pretty cold, today...
- Well, the blow from my direction towards yours. Lick the point of your finger and point to the moon. If the wind changes, we'll cross the wall…
- That's not going to happen. It never happens!
- Then maybe we won’t cross the walls. But it is not worth the atempt?
- I don't know...
- Yes you do...

She looked up to de sky. Started breathing faster, stronger. She put her finger um my mouth. Don’t really know why, but I kind of enjoyed it. She closed her eyes and pointed the finger up to the moon.

- For how long¿ - she said
- Try for one minute…
- But that not enough. The wind will never change in time
- the we’ll wait for two minutes.

I started looked in my watch to count the time. One minute passed, nothing happened. Maybe I was just crazy. That was the though in my mind. Just a mad man. When the clock marked minute and fifty five seconds, o dropped my arm and almost started talking. But the wind closed my mouth shut, as it changed so violently that she was dragged to me. There was this littler pipe on the ground and I slipped and fell. She fell with me in the grass, on top of me. We looked at each other for some time. Everything got calm, clear. We kissed. I never hugged her like that. Never imagined she was so soft…

- Shall we cross the walls, then¿ said she
- Yes. I heard there is an apple three there…
- You want to eat from it¿
- yes…
- But… What about her¿ - she said looking back to the street, pointing to my house
- She’s my soulmate, sweetie. And will remain like that.
- And what about me¿
- You will always have a share of my heart, my soul, my mind and my body.

She walked in the direction of the wall. Looked up, took a long and strong breath. I helped her up and managed to get up by myself. There where Christmas lights in the three. We ate from it peacefully. No longer we were in a hurry, nor scared or fighting fate. No. That was love…

The Car



O tempo parou
Mas estava voando
Tudo silencioso
Mas com ruído insuportável

Porque assim?
Porque não lá?
Porque... ?
Destino, talvez?

Ainda sinto a marca
Os olhinhos fechados
Boca latejando
Transe, êxtase, paz

Estávamos num carro
Calor da pele, do coração
Diante do inimigo
O Frio, o gelo, A estrada

O carro veio atrás de mim
Mas eu estava na janela errada
Será que eu teria chorado vendo cena?
Mataria a saudade?

Quero passear lá novamente
Nos dias de sol frios
Noites de lugares estranhos
Estacionamentos calorosos...

Quero passear no carro...

The Blue Flower


Eu caminhava trôpego
Por um caminho que nem conhecia
Nem abria muito meus olhos
Só andava, sem paixão...

Eu às vezes via miragens
Com meus olhos fechados
Eu via flores
Uma mais bela que a outra

E todas as vezes era ilusão

Foram tantos enganos
Que quando ela surgiu
Nem acreditei
Parei, olhei, hesitei.

Não acreditei...

Já havia visto tantas flores de mentira
Que não tinha mais fé
Mas essa é diferente
Ela sim possui aquele aroma

Aquele que te faz querer mais

Eu fui à direção dela
Ela se fechou
Voltei e ela se abriu
Fui de novo e ela fechou

Eu tinha que esperar o momento certo

Quis me convencer que era miragem
Mas não consegui
E o que me salvou mesmo
Foi um milagre

Na noite, no momento de descanso
Eu a assisti, tão bela
Estava decidido a seguir em frente
Chorava por partir, sorria com lembranças

Mas ela se abriu
No meio da noite
Contra todas as expectativas
E mesmo naquela noite sem lua

Estava azul

O vento ajudou, e senti seu aroma
Tão suave...
Se abriu pra mim!
É real, se abriu de noite!

Riam, digam que é mentira
Que sou louco!
Nunca me importei mesmo...
O que sei é que ela se abriu

O que mais importa?

Um dia triste

Era disso mesmo que eu precisava. Um dia sozinho. Totalmente distante do contato humano. Sem conversas para me distrair, apenas para ficar imerso em mim mesmo. Eu sei que é triste, mas todos nós temos o direito de sofrer de vez em quanto, não?
Eu digo que sim. Que todos merecem um dia pra amaldiçoar o destino, amaldiçoar aquelas circunstâncias fora do nosso controle que nos separam do que mais desejamos. Sejam essas circunstâncias parte do seu corpo, da sua situação social, da sua localização geográfica ou qualquer coisa.
É um absurdo alguém me dizer que nesses dias eu deveria apenas sorrir! Sorrir porque, pra que?
Ora, claro que há muitas coisas boas na minha vida. Tenho amigos, e dos bons. E também tenho, parece, um espírito que vive me seguindo, como um anjo da guarda, e que me trás muito conforto e aprendizado. Tenho meios para sobreviver bem, me alimentar bem, Abrigo, respeito, um corpo em perfeitas condições de saúde.
Mas isso é a mesma coisa que dar água como consolo a um homem que tem fome!
Claro que sou grato por essas coisas, mas isso não é algo que vá me manter alegre em todos os sentidos. Porque parece que eu não sou daqui, que não sou acostumado com os limites desse mundo.
Aquela estrada me dá Náuseas. Queria poder simplesmente voar, cruzar 400 quilômetros em dez minutos. Queria poder sobreviver em qualquer lugar, sozinho ou acompanhado, desse planeta.
Mas estou preso por laços que não posso quebrar e o que mais desejo, por causa disso, está simplesmente fora do meu alcance. E às vezes eu me pego pensando em me misturar com os hábitos locais, em ter dinheiro e não permitir que algo assim aconteça de novo. Pensando em trair minhas origens e me dedicar aos objetivos mundanos, medíocres, ridículos das pessoas que pensam que isso aqui é normal.
E por mais que eu lute, e gaste minha energia em algo que provavelmente será inútil para o meu espírito, o momento já passou. Já se passaram dois momentos, e não há como mudar. Não há como voltar atrás.
Sim, eu voz declaro. Hoje é um dia triste, um dia desagradável. Claro que vou me recuperar, claro que vou ter outras chances, claro que tudo nunca acaba de verdade. Mas essa é a realidade de hoje. Não estou mais revoltado com o destino nem nada. Apenas queria um pouco mais de força para suportar as limitações dessa existência, especialmente para aquelas a respeito das quais nada posso fazer...
Money will always defeat love...

Uma noite triste

 
 
Ah, quantas idéias estavam na minha mente! Eu estava eufórico, tinha que contar a alguém. Só poderia expor tais descobertas a um amigo e a ela. Ele, no entanto, estava excessivamente ocupado pelo fim de semana com uma viagem. Terminei meu trabalho mais cedo e, pela primeira vez, segui o hábito dos outros de sair uma hora mais cedo nesse dia. Se perguntarem, fui ao médico.
Peguei o carro e a rua não estava engarrafada. Talvez porque eu saí antes do horário do rush. Eu normalmente saio as 6 pra chegar em casa as 6. Nesse dia, saí às 4 e cheguei ás 4:30.
Passei na padaria, comprei uns doces que ela gosta, mas nunca come pra não engordar. Naquele momento minha mente já estava mais calma, mas eu sempre fui de me acalmar fácil. Enquanto falo de algo assim, minha euforia retorna. É normal.
Entrei em casa, como sempre, em silêncio. Fui ajudado por um vizinho nos fundos de casa com um funk no último volume e o vizinho do lado, como que reagindo, com heavy metal. Pensei em sair daquela casa, já que ambos os sons deviam estar incomodando ela profundamente.
Cheguei na cozinha e vi ela nos fundos. Fiz silêncio pra dar um susto nela, mas aí percebi o Jean ali. Eu soube que no dia do meu casamento com ela esse sujeito tentou se matar. Preferi não interferir, dar a ele a chance de falar o que sente. Afinal, talvez fosse bom pra ele.

- Jean, eu não te disse que acabou? – disse ela

Fiquei curioso, porque, segundo eu soube, nada nunca havia começado.

- Eu li livros de auto-ajuda e nem eles me ajudaram. Na verdade um me deprimiu ainda mais com aquele papo de que certas pessoas estão destinadas a se unir. Eu fui no psicólogo e ele disse pra eu deixar sair o que eu sentia. Só to fazendo isso. Eu te amo.

Houve um período de pelo menos 30 segundos de silêncio. Não pude ouvir nada por causa da música.

- Eu estou casada. Você sabe muito bem que com esse seu vício de bebida não tinha como.
- Vício? Eu parei de beber depois que aquele crente me salvou. Nunca mais bebi nada alcoolico.
- Que bom, fico feliz por você.
- Para com essa atuação piegas que eu sei o que você sente.
- haha. Você é a única pessoa que eu conheço que diz “piegas”.

Eu vi com os meus próprios olhos um beijo. Imóvel, firme e silencioso no começo. Eles se entrosaram, logo estavam abraçados. Derrubei um copo por acidente ou talvez um ato falho para aquilo acabar. Ouviram, mas rapidamente voltaram um ao outro. Estavam como que liberando uma besta retida já a muito tempo.
Eu fiquei sem ação. Não sabia se corria, se ficava, se gritava, se calava. Acabou que assisti em silêncio até o ponto em que ele a levantou na máquina de lavar e se enfiou entre as pernas dela. Ainda hoje sou apegado demais para conseguir assistir a uma cena dessas.
Fui até o quarto e fiquei chorando por alguns minutos. Eu não sabia o que fazer. Não era leviandade, não era só sexo. A mentira era muito maior. Eu pensava que o coração dela era meu, mas nunca foi. Ela provavelmente só me considerou mais adequado por eu ser um bom amigo. Não sei.
Mas a polícia chegou lá e a música parou. Dava pra ouvir o suspiro dela sem a música. Nunca pareceu sentir tanto prazer assim comigo. Eles dizem que o orgasmo da mulher é muito relacionado à paixão que ela sente. Talvez seja isso ou eu só seja ruim de cama mesmo.
Eu arrumei minhas coisas de qualquer jeito. Nunca fui de querer muita coisa e foi ela que comprou quase tudo na casa. Só levei meu computador, as roupas e os principais livros. Eu tinha que levar minha idéia adiante, aquilo era importante. Mas agora eu me pergunto como eu consegui pensar nisso naquela situação. Eu chorava carregando as pilhas de livros. Acho que enrolei pra encher o carro com as minhas coisas na esperança de ser interrompido. Foi uma esperança idiota: só ouvi eles transando até terminar.
Sentei na mesa do computador pra escrever uma carta de despedida. Escrevi algumas bobagens sem sentido e fui amassando e colocando no bolso.
No final, acabou saindo só uma palavra e em inglês, como se no fundo eu esperasse que ela não entendesse de princípio.
Farewell: vá bem, fique em paz, Adeus.
Minha aliança ficou junto com o pedaço de papel e minha cópia da chave da casa.
Quando eu saí o carro demorou pra ligar. Tinha que trocar a bateria ou algo assim. Isso acabou interrompendo os gemidos e eu vi. Eu juro que vi ela coberta com um lençol e com o cabelo bagunçado me olhando pelo retrovisor enquanto eu saia.

- Essa sim, meu amigo, foi uma noite triste. – Disse eu no bar pro velho

Ergui o copo e enchi novamente com vodka.

E bebi até cair com o velho surdo...

Acerca do Multiverso Social e sua implicações práticas (pessoais e coletivas)

Introdução

A natureza dessa idéia é adaptativa. Não se trata bem de uma concepção explicativa, pois as explicações em si, imagino, parecerão óbvias. O que concebi não passa de uma racionalização acerca da organização social, o que me permitiu uma maior capacidade de interagir com outras pessoas. Não só esse pensamento é uma muleta de auxílio ao relacionamento com o próximo, mas também apresenta o que chamo de espectro da personalidade individual: não chego nem perto de dizer o que uma pessoa é em si, mas falo sobre as manifestações e isso possui implicações práticas muito maiores do que definições abstratas.
Como eu asseverei antes e volto a deixar claro, esse texto não é pra ser levado a sério, a não ser que o leitor realmente ache algo de útil nele: na verdade, imagino que a grande maioria dos textos dessa natureza devam ser tratados assim, sejam do autor que for, e é lamentável que isso não aconteça.
Falarei a seguir de duas faces do que chamo de multiverso social, definindo o efeito da globalização sobre ambas, além de me usar como exemplo pessoal. Se o leitor quiser saber algo sobre mim, provavelmente encontrará a informação que busca nesse texto (embora, com minha visão narcisista projetada no outro, eu não seja capaz de imaginar um motivo plausível para alguém querer uma coisa dessas) tanto no seu conteúdo como na forma como lido com os dados e construo o pensamento.
Que não se assustem com o fato de que citarei alguns dos meus autores preferidos: estou exercitando minhas faculdades não-narcisistas.

Sobre o multiverso espacial

Em suma, para dar uma definição teórica, um multiverso espacial é um senso comum de algum lugar. Sociedades do passado possuíam um multiverso espacial muito mais forte e determinante do que as contemporâneas, embora alguns lugares (especialmente os pequenos) tenham esse multiverso intacto até o presente momento.
Pra colocar de maneira clara, o multiverso espacial é a tendência de certos pensamentos e hábitos se repetirem em qualquer parte do mundo. Em cada parte do mundo (ou mesmo de uma cidade) se forma um universo isolado, e quando dois universos espaciais diferentes se encontram, há estranhamento. Isso aconteceu, mais radicalmente, quando os indígenas entraram em contato com os invasores europeus, ou quando um jogador de futebol pobre brasileiro se viu na Europa. Os lugares, bem como as classes sociais, criam diferentes universos que dificilmente se misturam: antes, é mais fácil um sobrepor o outro.
Quando me refiro à classes sociais como parte do multiverso social, quero falar abstrata e praticamente: não só cada classe ocupa um “lugar” na sociedade, como também, de um modo geral, vivem em regiões diferentes e não se misturam com freqüência.
É uma tendência de pessoas que não possuem a própria personalidade individual definida se guiarem por universos espaciais. Numa linguagem simples, o indivíduo se identifica com o senso comum de seu bairro, de sua classe social, de sua turma na faculdade. Ele não faz mais do que se identificar com a forma rudimentar de pensamento que parece surgir em meio a grupos, como uma mentalidade grupal.
Tal capacidade já foi crucial, como uma questão de sobrevivência, especialmente em tempos remotos em que o indivíduo precisava estar ligado ao grupo para sobreviver. Para os primitivos, é completamente natural que todo o seu universo seja sua tribo, que sua visão religiosa e praticamente tudo o que ele é seja determinado pelo grupo. Jung relatou, por exemplo, o tratamento que certas tribos davam ao sol era tão comum para os nativos que eles riam dele por não entender o óbvio (que você tem que cuspir na mão quando o sol nasce, por exemplo). Os primitivos viviam num universo, e Jung noutro. Provavelmente eles não entenderiam, por exemplo, qual era o motivo de termos tantos edifícios com tanto espaço e ainda assim deixarmos nossos companheiros dormirem nas ruas.
Em termos capitalistas, podemos ver americanos intrigados com o fato de que, ao menos aqui no rio de janeiro, lanchonetes tenham frutas amostra e façam sucos naturais na hora, pois isso não é comum por lá, ou talvez um brasileiro ache estranho que não sirvam guaraná por lá. No entanto, tanto o americano acha normal nunca beber guaraná quanto o carioca acha comum que sucos naturais sejam preparados diretamente da fruta.
Claro que, como sou do tipo intuitivo, não poderei de colocar influências desses universos no nosso pensamento.
Temos, por exemplo, o pensamento americano com uma forte tendência ao pragmatismo, com quantificações e medidas exatas, enquanto que o pensamento alemão se comporta de maneira diversa: Freud baniu Reich do meio psicanalítico pelo fato de que ele quis quantificar a Libido, tranformando-a no que chamou mais tarde de “Orgone energy”.
Não tenho a intenção, aqui, de me aprofundar nessa questão. Não só por não dispor de dados para tal, mas também porque isso foge do escopo desse texto. Provavelmente ainda se passarão uns cinco anos antes que eu volte a me aprofundar nessa questão.
Os universos espaciais não se limitam a determinar juízos racionais. Na verdade, observei que geralmente são juízos de valor que mais são influenciados por esses universos: existem mais coisas que um grupo gosta ou despreza do que coisas que o grupo considera sensatas e racionais. Isso precisamente porque os grupos não formam um pensamento muito profundo, devido à necessidade de aceitação dos indivíduos, que bloqueia a criatividade individual.
Na organização de universos espaciais, o indivíduo que quiser realmente se integrar só terá três alternativas: ele pode efetivamente suprimir a individualidade, se tornando parte do grupo, fingir que suprimiu a própria individualidade e lidar com o desconforto e o risco da desonestidade ou assumir quem realmente é e ser excluído.
Os indivíduos que não possuem qualquer consciência de sua própria identidade não precisam se preocupar, pois o grupo tratará de mantê-los assim. Os que têm uma vaga idéia podem se apegar a convicções e esquecer da individualidade (que simplesmente não se desenvolve em pessoas demasiadamente convictas, pois a personalidade total sempre terá algo que contradiz alguma convicção). Aqueles que percebem quem são e não podem se esquecer, no entanto, permanecerão desajustados e excluídos. Perceber quem somos não é um ontológico, mas apenas as manifestações claras. Como demonstrarei mais a frente, há formas de falarmos de nós mesmos sem dar uma definição final (conservando, assim, nossa ignorância sobre o que somos em essência [se é que isso existe]) e de esse discursos ter implicações práticas sobre como podemos lidar com o mundo e sobre como os outros nos entenderão. Para isso, preciso ir adiante na questão do multiverso psicológico.

O multiverso psicológico em implicações pessoais

Como o introvertido que sou, naturalmente falarei de como essa forma de pensamento pode, de maneira rápida e prática, nos dizer algo sobre quem somos e nos trazer material para reflexão posterior, bem como pode nos ajudar a criar uma imagem que corresponda mais completamente ao que sentimos ser (sentir não equivale a saber).
Para isso, me usarei como exemplo, definindo meu próprio multiverso psicológico e seus universos.
Faço parte de universos que englobam música, literatura, pensamento, jogos eletrônicos e religião. Alguns possuem menor relevância do que outros, e vou tentar deixar claro nos exemplos abaixo ao definir cada uma dessas e suas ramificações.

Em música, tenho a tendência de gostar de heavy metal e seus variantes mais pesados, grunge, e diversos formas de rock agressivo. Também me agradam músicas mais brandas, como Norah Jones ou BB King. Em termos pessoais, isso parece pra mim como um sinal de dicotomia simples: há um lado selvagem e agressivo, enquanto que outro é mais calmo, até mesmo passivo. Nesse caso, são sentimentos que se refletem na sensação que a música me passa: Obvio que a mesma música que percebo pode passar outra sensação a outra pessoa que gosta delas, e ter outros sentimentos associados às sensações. Por isso que isso só serve pro indivíduo, de si pra si: porque uma pessoa pode gostar da mesma música que eu por razões diferentes e associar sentimentos bem diferentes á música. Embora eu coloque tanto relativismo, parece que todos percebem que uma música é agressiva ou outra é triste. Isso é fácil de perceber, mas é reducionismo dizer que uma pessoa ouve uma música agressiva por ser agressiva, ou uma triste porque é triste. De um modo geral, o gosto musical pode servir como ponte na formação de grupos, mas não são, de um modo geral, duradouros senão entre músicos profissionais.

Em literatura, me agradam poesias, contos e romances. No entanto, há uma relação direta entre o gosto literário e o músico: há uma dimensão sombria, agressiva, e outra “cor de rosa” (como diz um amigo meu). No entanto, como sou escritor, há uma mistura efetiva de tudo o que sou dentro da criação artística: isso não acontece na música porque eu não crio, apena ouço. Poderia acontecer se eu fosse músico. Muito do que eu disse na parte da definição de música também se aplica à literatura, embora sejam expressões diferentes. Naturalmente ambas lidam com sentimentos e sensações, embora a literatura possa ter mais implicações intelectuais do que a música (a não ser em poesias).
A maior diferença, no entanto, é que a literatura possui maior relevância pra mim, já que tenho o hábito de escrever e sentir as minhas próprias criações. Através da criação artística, aliás, é como se o que eu sou fosse sendo revelado por uma via que não a racional, e a criação vai, junto com outras forças, revelando a mim mesmo que eu sou, embora muitas coisas sejam impossíveis de se exprimir em meios racionais.

Em pensamento, tenho interesse por Psicologia, Filosofia (especialmente filosofia da ciência), Sociologia, e pensamento “esotérico”. Seria muita ingenuidade pensar que, num texto que não trata desse assunto especificamente, eu poderia explicar satisfatoriamente a razão dessas preferências (e nem possuo uma explicação terminada). Deixo, no entanto, nomes que me agradam: Jung, Fromm, Schopenhauer, Feyerabend, Marx, Proudhon, Kardec, Goswami, Lao Tse, etc.
Meu pensamento parece se direcionar à duas direções, e esse texto mesmo é um reflexo de ambas: Uma à compreensão do indivíduo, recorrendo a conceitos psicológicos e místicos,e outro à compreensão da sociedade em si. A primeira pra descobrir quem sou, e a segunda pra me relacionar melhor com o próximo. A despeito do meu esforço, a primeira sempre acaba sendo prioridade.
O pensamento filosófico é, por um lado, uma forma de libertar o intelecto das amarras e esquecer de regras e limites na imaginação, e por outro pra pensar o pensar: Pra expandir o conceito de realidade na medida do psicologicamente possível (porque desejos e tendências influenciam o pensamento) e tentar entender como se processou esse pensamento (porque [por algum motivo] esse é o meu maior objeto de estudo no momento).
Minha criatividade literária e intelectual se misturam em prioridade, mas a tendência é a intelectual sobrepor a sentimental: me considero melhor como filósofo do que como poeta, embora aprecie a poesia tanto quanto a filosofia¹.

Os jogos eletrônicos me atraem desde a infância. Depois que ganhei um Master System 3 com Sonic percebi que bonecos e carrinhos não eram divertidos de verdade. O vídeo game não era tão inanimado: possuía interatividade e um universo a ser descoberto. Qual não foi minha satisfação quando reuni todas as esmeraldas e percebi que aquilo limpava a terra.
Pensando sobre essa questão, as vezes vejo essa tendência como uma fraqueza ou um vício, mas nem sempre. Na verdade, percebi que meu segundo livro e sua futura continuação ficariam perfeitos se expressos em forma de jogo. Criando um jogo, eu usaria a criatividade intelectual pare conceber mecanismo a serem programados e a sentimental para dar vida literária ao roteiro (porque me aborrecem os jogos sem roteiro, sem personagens dignos de menção ou estória decente). Obvio que a criatividade intelectual seria um tanto matemática, talvez até mesmo física, e minhas aspirações psicológica e filosoficas teriam poucas utilidade nesse meio. Sendo essas aspirações as minhas preferidas, e sendo o meio intelectual o mais atraente, provavelmente a vontade de criar um jogo, mesmo unida às aspirações literárias, não terá força para se tornar prioridade, embora não precise ser prioridade pra ser executada.

Como um intuitivo, jamais poderei escapar das questões religiosas. Na verdade, me chamem de esquizofrênico, tenho o hábito de conversar com o Daimon. Pode ser um espírito, uma personalidade número 2 (Jung), um anjo da guarda ou o nome que quiserem dar. O que sei é que nos momentos de mudança, aqueles em que fico desorientado, Daimon intervém e me traz certas epifanias que basicamente definem todo o curso da minha vida. Eu ousaria dizer, aliás, que eu (enquanto Ego) executo ao invés de planejar: Não sou, de maneira alguma, o senhor do meu próprio destino. Poderia ser, mas há algo como uma potencialidade uma Semente de Carvalho(Hillman) que pede tão insistentemente para ser seguida que eu não consigo ver nada tão sedutor, tão atraente, como ouvir e seguir essa voz interna: não, não aceito argumentos de que isso é um condicionamento externo proveniente de educação religiosa ou que seja simplesmente loucura.
Tenho tendências espíritas, taoistas, Budistas e até mesmo Cristãs², mas, no final das contas, eu tenho uma visão religiosa própria, que, por ser todas essas juntas com detalhes de outras filosofias, não é nenhuma delas especificamente.
Este é, de longe, o aspecto mais relevante da minha vida, embora minhas atitudes demonstrem maior tendência para o intelectualismo: até mesmo o intelectualismo foi determinado por essa “força oculta”. Por isso que se me pedirem pra usar apenas uma palavra pra me definir de maneira inteligível, direi que sou um místico.

Depois de toda a sessão de confissão, cabe chegar ao ponto de adaptação social, tendo por base essa informação e outras relevantes que serão apresentadas a seguir.

O multiverso psicológico em implicações sociais

O multiverso psicológico, mais intensamente com a expansão dos meios de comunicação e com a globalização, está se tornando mais influente do que o espacial. Trata-se da formação de grupos baseada em preferências ao invés de localidade. Em grande metrópoles isso aparece de maneira mais clara.
Há dois documentários interessantes sobre o universo psicológico do Heavy metal³ que demonstram, de maneira interessante, a maneira como isso acontece.
A um músico experiente, numa entrevista, foi perguntado se ele percebia diferenças nos públicos de diferentes países.
Ele relatou que, no Japão, tocou num show em que os expectadores tiveram que ficar sentados por conta de regras rígidas típicas da cultura japonesa, o que demonstra o efeito do multiverso espacial, mas também asseverou: “Kids are Just kids. No matter where they come from” ( Jovens são só jovens. Não importa de onde vêm). Em todos os cantos, os shows de heavy metal parecem repetir certos padrões: Gente pulando e gritando, roda punk no meio da platéia... E não é só o show, mas também hábitos diários, tipo de roupa, cortes de cabelo. Na verdade, é freqüente que em diversos lugares se formem grupos de “metaleiros”, que não se organizaram por pressão da sociedade local, mas, ao contrário, à despeito da pressão contrária.
Percebi isso claramente quando ia ao Show do Matanza com colegas, todos vestidos de preto alguns com correntes e garrafas de cachaça nas mãos. Um grupo de moleques desafiando a cultura local em detrimento de outra global na qual podiam manifestar mais efetivamente a própria individualidade: porque pra ir nesse show, você tem que ser desse universo.
Esses grupos se formam, tanto física quanto virtualmente (internet) de maneira espontânea em relação a todo o tipo de universo que posso imaginar.
Há grupos de literatura, debate e pesquisa intelectual, religião (ou, no meu caso, especulação mística), música e até mesmo grupos que se reúnem pelo gosto comum por certos tipos de jogo(como o RPG). Na verdade a quantidade de universos psicológicos é tão grande que eu nem ousaria falar sobre todas elas, mas o ponto é que dificilmente encontraremos alguém que realmente vive nos mesmos universos, mas certamente encontraremos quem faça parte de algum dos nossos universos.
Em suma, para uma vivência coletiva saudável, eu me envolvo num grupo de escritores (Bar do escritor), embora não tão assiduamente, em grupos de discussão racional, de especulação mística, e até de grupos em shows de heavy metal ou de amigos de infância com os quais jogo (Worlf of Warcraft, atualmente).
Assim, mesmo sendo desajustado no conceito de grupo tradicional (o especial), ainda assim consigo me encaixar em subgrupos, que fogem completamente á compreensão tradicional e só se estabeleceram por causa dos novos meios de comunicação. Na verdade, creio que tudo isso, nesse século, possibilitará um maior desenvolvimento da individualidade humana, sendo um passo histórico nunca dado devido ás pressões locais que não tinham nada para contrapor sua força tirânica. Muito prazer, esse sou eu e é assim que me adaptei ao mundo. Espero que isso possa ser útil para alguém...
________________X_________________X________________X_____________
1)    Explico o fenômeno segundo os tipos psicológicos de Jung, já que sou intuitivo com função auxiliar pensamento: o sentimento vem logo depois do pensamento, tanto em prioridade quanto em desenvolvimento.
2)    A despeito do fato de que eu passei anos odiando essa religião, partes dela foram integradas profundamente na minha cosmologia e me agradam profundamente.
3)    Metal: a headbanger’s journey e Global Metal. Ambos podem ser encontrados na interner, tanto em blogs quanto em servidores P2P (pirate bay, mininova, etc.).