An open wound
Postado por Silas às sábado, setembro 17, 2011 1 comentários
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Deixem-me voltar pra casa
Postado por Silas às segunda-feira, junho 20, 2011 0 comentários
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Reflexões sobre a poligamia: despedaçamento e costura
Postado por Silas às domingo, junho 05, 2011 3 comentários
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Estávamos na praia
Angel's Sleep
Postado por Silas às sexta-feira, outubro 29, 2010 0 comentários
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Hera
Define as estações do ano
Ela é a rainha do Olimpo
Odeia a infidelidade
Eu quis tomar Perséfone
Sim, levá-la para o submundo
Torná-la minha rainha
Cuidando dos mortos
Como se fossem seus filhos
Mas hera interferiu.
Desde o começo...
Ela a trouxe de volta
E com ela, a primavera
Quando a vejo no mundo dos vivos
Minha avidez por possuí-la passa
Até minha vivência infernal amansa
Tantas cores, tantos aromas...
Hera, que deveria estar ofendida,
Veio me resgatar do meu tormento
Trabalhando em silêncio
Pensando que não a ouço...
Postado por Silas às domingo, outubro 17, 2010 2 comentários
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What i am to you
Postado por Silas às sábado, outubro 09, 2010 2 comentários
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Lua
No meio da escuridão
Vem encantar, encaminhar
Tomar para si toda a atenção
Denomino-te Deusa
Presto-te homenagens
Subo em altas montanhas
Senão para tocá-la,
Para ao menos vê-la mais de perto
Sou eu que imagino coisas,
Ou você tem mesmo esse rosto lindo¿
Sou louco,
Ou você olha pra mim¿
Eu quero me banhar na sua luz,
Girar na tua órbita
Quero ser um com você,
E esquecer todo o resto...
Eu sou um lunático!
Postado por Silas às terça-feira, setembro 14, 2010 0 comentários
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Hell's Fire(Flower)
Postado por Silas às sexta-feira, setembro 03, 2010 0 comentários
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Branca de Neve
Postado por Silas às domingo, agosto 29, 2010 1 comentários
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The Gust of Desire
Postado por Silas às terça-feira, julho 06, 2010 0 comentários
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The Car
Mas estava voando
Tudo silencioso
Mas com ruído insuportável
Porque assim?
Porque não lá?
Porque... ?
Destino, talvez?
Ainda sinto a marca
Os olhinhos fechados
Boca latejando
Transe, êxtase, paz
Estávamos num carro
Calor da pele, do coração
Diante do inimigo
O Frio, o gelo, A estrada
O carro veio atrás de mim
Mas eu estava na janela errada
Será que eu teria chorado vendo cena?
Mataria a saudade?
Quero passear lá novamente
Nos dias de sol frios
Noites de lugares estranhos
Estacionamentos calorosos...
Quero passear no carro...
Postado por Silas às segunda-feira, junho 07, 2010 2 comentários
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The Blue Flower
Por um caminho que nem conhecia
Nem abria muito meus olhos
Só andava, sem paixão...
Eu às vezes via miragens
Com meus olhos fechados
Eu via flores
Uma mais bela que a outra
E todas as vezes era ilusão
Foram tantos enganos
Que quando ela surgiu
Nem acreditei
Parei, olhei, hesitei.
Não acreditei...
Já havia visto tantas flores de mentira
Que não tinha mais fé
Mas essa é diferente
Ela sim possui aquele aroma
Aquele que te faz querer mais
Eu fui à direção dela
Ela se fechou
Voltei e ela se abriu
Fui de novo e ela fechou
Eu tinha que esperar o momento certo
Quis me convencer que era miragem
Mas não consegui
E o que me salvou mesmo
Foi um milagre
Na noite, no momento de descanso
Eu a assisti, tão bela
Estava decidido a seguir em frente
Chorava por partir, sorria com lembranças
Mas ela se abriu
No meio da noite
Contra todas as expectativas
E mesmo naquela noite sem lua
Estava azul
O vento ajudou, e senti seu aroma
Tão suave...
Se abriu pra mim!
É real, se abriu de noite!
Riam, digam que é mentira
Que sou louco!
Nunca me importei mesmo...
O que sei é que ela se abriu
O que mais importa?
Postado por Silas às sábado, maio 29, 2010 1 comentários
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Um dia triste
Eu digo que sim. Que todos merecem um dia pra amaldiçoar o destino, amaldiçoar aquelas circunstâncias fora do nosso controle que nos separam do que mais desejamos. Sejam essas circunstâncias parte do seu corpo, da sua situação social, da sua localização geográfica ou qualquer coisa.
É um absurdo alguém me dizer que nesses dias eu deveria apenas sorrir! Sorrir porque, pra que?
Ora, claro que há muitas coisas boas na minha vida. Tenho amigos, e dos bons. E também tenho, parece, um espírito que vive me seguindo, como um anjo da guarda, e que me trás muito conforto e aprendizado. Tenho meios para sobreviver bem, me alimentar bem, Abrigo, respeito, um corpo em perfeitas condições de saúde.
Mas isso é a mesma coisa que dar água como consolo a um homem que tem fome!
Claro que sou grato por essas coisas, mas isso não é algo que vá me manter alegre em todos os sentidos. Porque parece que eu não sou daqui, que não sou acostumado com os limites desse mundo.
Aquela estrada me dá Náuseas. Queria poder simplesmente voar, cruzar 400 quilômetros em dez minutos. Queria poder sobreviver em qualquer lugar, sozinho ou acompanhado, desse planeta.
Mas estou preso por laços que não posso quebrar e o que mais desejo, por causa disso, está simplesmente fora do meu alcance. E às vezes eu me pego pensando em me misturar com os hábitos locais, em ter dinheiro e não permitir que algo assim aconteça de novo. Pensando em trair minhas origens e me dedicar aos objetivos mundanos, medíocres, ridículos das pessoas que pensam que isso aqui é normal.
E por mais que eu lute, e gaste minha energia em algo que provavelmente será inútil para o meu espírito, o momento já passou. Já se passaram dois momentos, e não há como mudar. Não há como voltar atrás.
Sim, eu voz declaro. Hoje é um dia triste, um dia desagradável. Claro que vou me recuperar, claro que vou ter outras chances, claro que tudo nunca acaba de verdade. Mas essa é a realidade de hoje. Não estou mais revoltado com o destino nem nada. Apenas queria um pouco mais de força para suportar as limitações dessa existência, especialmente para aquelas a respeito das quais nada posso fazer...
Postado por Silas às sábado, maio 22, 2010 0 comentários
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Uma noite triste
Peguei o carro e a rua não estava engarrafada. Talvez porque eu saí antes do horário do rush. Eu normalmente saio as 6 pra chegar em casa as 6. Nesse dia, saí às 4 e cheguei ás 4:30.
Passei na padaria, comprei uns doces que ela gosta, mas nunca come pra não engordar. Naquele momento minha mente já estava mais calma, mas eu sempre fui de me acalmar fácil. Enquanto falo de algo assim, minha euforia retorna. É normal.
Entrei em casa, como sempre, em silêncio. Fui ajudado por um vizinho nos fundos de casa com um funk no último volume e o vizinho do lado, como que reagindo, com heavy metal. Pensei em sair daquela casa, já que ambos os sons deviam estar incomodando ela profundamente.
Cheguei na cozinha e vi ela nos fundos. Fiz silêncio pra dar um susto nela, mas aí percebi o Jean ali. Eu soube que no dia do meu casamento com ela esse sujeito tentou se matar. Preferi não interferir, dar a ele a chance de falar o que sente. Afinal, talvez fosse bom pra ele.
- Jean, eu não te disse que acabou? – disse ela
Fiquei curioso, porque, segundo eu soube, nada nunca havia começado.
- Eu li livros de auto-ajuda e nem eles me ajudaram. Na verdade um me deprimiu ainda mais com aquele papo de que certas pessoas estão destinadas a se unir. Eu fui no psicólogo e ele disse pra eu deixar sair o que eu sentia. Só to fazendo isso. Eu te amo.
Houve um período de pelo menos 30 segundos de silêncio. Não pude ouvir nada por causa da música.
- Eu estou casada. Você sabe muito bem que com esse seu vício de bebida não tinha como.
- Vício? Eu parei de beber depois que aquele crente me salvou. Nunca mais bebi nada alcoolico.
- Que bom, fico feliz por você.
- Para com essa atuação piegas que eu sei o que você sente.
- haha. Você é a única pessoa que eu conheço que diz “piegas”.
Eu vi com os meus próprios olhos um beijo. Imóvel, firme e silencioso no começo. Eles se entrosaram, logo estavam abraçados. Derrubei um copo por acidente ou talvez um ato falho para aquilo acabar. Ouviram, mas rapidamente voltaram um ao outro. Estavam como que liberando uma besta retida já a muito tempo.
Eu fiquei sem ação. Não sabia se corria, se ficava, se gritava, se calava. Acabou que assisti em silêncio até o ponto em que ele a levantou na máquina de lavar e se enfiou entre as pernas dela. Ainda hoje sou apegado demais para conseguir assistir a uma cena dessas.
Fui até o quarto e fiquei chorando por alguns minutos. Eu não sabia o que fazer. Não era leviandade, não era só sexo. A mentira era muito maior. Eu pensava que o coração dela era meu, mas nunca foi. Ela provavelmente só me considerou mais adequado por eu ser um bom amigo. Não sei.
Mas a polícia chegou lá e a música parou. Dava pra ouvir o suspiro dela sem a música. Nunca pareceu sentir tanto prazer assim comigo. Eles dizem que o orgasmo da mulher é muito relacionado à paixão que ela sente. Talvez seja isso ou eu só seja ruim de cama mesmo.
Eu arrumei minhas coisas de qualquer jeito. Nunca fui de querer muita coisa e foi ela que comprou quase tudo na casa. Só levei meu computador, as roupas e os principais livros. Eu tinha que levar minha idéia adiante, aquilo era importante. Mas agora eu me pergunto como eu consegui pensar nisso naquela situação. Eu chorava carregando as pilhas de livros. Acho que enrolei pra encher o carro com as minhas coisas na esperança de ser interrompido. Foi uma esperança idiota: só ouvi eles transando até terminar.
Sentei na mesa do computador pra escrever uma carta de despedida. Escrevi algumas bobagens sem sentido e fui amassando e colocando no bolso.
No final, acabou saindo só uma palavra e em inglês, como se no fundo eu esperasse que ela não entendesse de princípio.
Farewell: vá bem, fique em paz, Adeus.
Minha aliança ficou junto com o pedaço de papel e minha cópia da chave da casa.
Quando eu saí o carro demorou pra ligar. Tinha que trocar a bateria ou algo assim. Isso acabou interrompendo os gemidos e eu vi. Eu juro que vi ela coberta com um lençol e com o cabelo bagunçado me olhando pelo retrovisor enquanto eu saia.
- Essa sim, meu amigo, foi uma noite triste. – Disse eu no bar pro velho
Ergui o copo e enchi novamente com vodka.
E bebi até cair com o velho surdo...
Postado por Silas às sexta-feira, maio 07, 2010 0 comentários
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Acerca do Multiverso Social e sua implicações práticas (pessoais e coletivas)
Como eu asseverei antes e volto a deixar claro, esse texto não é pra ser levado a sério, a não ser que o leitor realmente ache algo de útil nele: na verdade, imagino que a grande maioria dos textos dessa natureza devam ser tratados assim, sejam do autor que for, e é lamentável que isso não aconteça.
Falarei a seguir de duas faces do que chamo de multiverso social, definindo o efeito da globalização sobre ambas, além de me usar como exemplo pessoal. Se o leitor quiser saber algo sobre mim, provavelmente encontrará a informação que busca nesse texto (embora, com minha visão narcisista projetada no outro, eu não seja capaz de imaginar um motivo plausível para alguém querer uma coisa dessas) tanto no seu conteúdo como na forma como lido com os dados e construo o pensamento.
Que não se assustem com o fato de que citarei alguns dos meus autores preferidos: estou exercitando minhas faculdades não-narcisistas.
Pra colocar de maneira clara, o multiverso espacial é a tendência de certos pensamentos e hábitos se repetirem em qualquer parte do mundo. Em cada parte do mundo (ou mesmo de uma cidade) se forma um universo isolado, e quando dois universos espaciais diferentes se encontram, há estranhamento. Isso aconteceu, mais radicalmente, quando os indígenas entraram em contato com os invasores europeus, ou quando um jogador de futebol pobre brasileiro se viu na Europa. Os lugares, bem como as classes sociais, criam diferentes universos que dificilmente se misturam: antes, é mais fácil um sobrepor o outro.
Quando me refiro à classes sociais como parte do multiverso social, quero falar abstrata e praticamente: não só cada classe ocupa um “lugar” na sociedade, como também, de um modo geral, vivem em regiões diferentes e não se misturam com freqüência.
É uma tendência de pessoas que não possuem a própria personalidade individual definida se guiarem por universos espaciais. Numa linguagem simples, o indivíduo se identifica com o senso comum de seu bairro, de sua classe social, de sua turma na faculdade. Ele não faz mais do que se identificar com a forma rudimentar de pensamento que parece surgir em meio a grupos, como uma mentalidade grupal.
Tal capacidade já foi crucial, como uma questão de sobrevivência, especialmente em tempos remotos em que o indivíduo precisava estar ligado ao grupo para sobreviver. Para os primitivos, é completamente natural que todo o seu universo seja sua tribo, que sua visão religiosa e praticamente tudo o que ele é seja determinado pelo grupo. Jung relatou, por exemplo, o tratamento que certas tribos davam ao sol era tão comum para os nativos que eles riam dele por não entender o óbvio (que você tem que cuspir na mão quando o sol nasce, por exemplo). Os primitivos viviam num universo, e Jung noutro. Provavelmente eles não entenderiam, por exemplo, qual era o motivo de termos tantos edifícios com tanto espaço e ainda assim deixarmos nossos companheiros dormirem nas ruas.
Em termos capitalistas, podemos ver americanos intrigados com o fato de que, ao menos aqui no rio de janeiro, lanchonetes tenham frutas amostra e façam sucos naturais na hora, pois isso não é comum por lá, ou talvez um brasileiro ache estranho que não sirvam guaraná por lá. No entanto, tanto o americano acha normal nunca beber guaraná quanto o carioca acha comum que sucos naturais sejam preparados diretamente da fruta.
Claro que, como sou do tipo intuitivo, não poderei de colocar influências desses universos no nosso pensamento.
Temos, por exemplo, o pensamento americano com uma forte tendência ao pragmatismo, com quantificações e medidas exatas, enquanto que o pensamento alemão se comporta de maneira diversa: Freud baniu Reich do meio psicanalítico pelo fato de que ele quis quantificar a Libido, tranformando-a no que chamou mais tarde de “Orgone energy”.
Não tenho a intenção, aqui, de me aprofundar nessa questão. Não só por não dispor de dados para tal, mas também porque isso foge do escopo desse texto. Provavelmente ainda se passarão uns cinco anos antes que eu volte a me aprofundar nessa questão.
Os universos espaciais não se limitam a determinar juízos racionais. Na verdade, observei que geralmente são juízos de valor que mais são influenciados por esses universos: existem mais coisas que um grupo gosta ou despreza do que coisas que o grupo considera sensatas e racionais. Isso precisamente porque os grupos não formam um pensamento muito profundo, devido à necessidade de aceitação dos indivíduos, que bloqueia a criatividade individual.
Na organização de universos espaciais, o indivíduo que quiser realmente se integrar só terá três alternativas: ele pode efetivamente suprimir a individualidade, se tornando parte do grupo, fingir que suprimiu a própria individualidade e lidar com o desconforto e o risco da desonestidade ou assumir quem realmente é e ser excluído.
Os indivíduos que não possuem qualquer consciência de sua própria identidade não precisam se preocupar, pois o grupo tratará de mantê-los assim. Os que têm uma vaga idéia podem se apegar a convicções e esquecer da individualidade (que simplesmente não se desenvolve em pessoas demasiadamente convictas, pois a personalidade total sempre terá algo que contradiz alguma convicção). Aqueles que percebem quem são e não podem se esquecer, no entanto, permanecerão desajustados e excluídos. Perceber quem somos não é um ontológico, mas apenas as manifestações claras. Como demonstrarei mais a frente, há formas de falarmos de nós mesmos sem dar uma definição final (conservando, assim, nossa ignorância sobre o que somos em essência [se é que isso existe]) e de esse discursos ter implicações práticas sobre como podemos lidar com o mundo e sobre como os outros nos entenderão. Para isso, preciso ir adiante na questão do multiverso psicológico.
Para isso, me usarei como exemplo, definindo meu próprio multiverso psicológico e seus universos.
Faço parte de universos que englobam música, literatura, pensamento, jogos eletrônicos e religião. Alguns possuem menor relevância do que outros, e vou tentar deixar claro nos exemplos abaixo ao definir cada uma dessas e suas ramificações.
Em música, tenho a tendência de gostar de heavy metal e seus variantes mais pesados, grunge, e diversos formas de rock agressivo. Também me agradam músicas mais brandas, como Norah Jones ou BB King. Em termos pessoais, isso parece pra mim como um sinal de dicotomia simples: há um lado selvagem e agressivo, enquanto que outro é mais calmo, até mesmo passivo. Nesse caso, são sentimentos que se refletem na sensação que a música me passa: Obvio que a mesma música que percebo pode passar outra sensação a outra pessoa que gosta delas, e ter outros sentimentos associados às sensações. Por isso que isso só serve pro indivíduo, de si pra si: porque uma pessoa pode gostar da mesma música que eu por razões diferentes e associar sentimentos bem diferentes á música. Embora eu coloque tanto relativismo, parece que todos percebem que uma música é agressiva ou outra é triste. Isso é fácil de perceber, mas é reducionismo dizer que uma pessoa ouve uma música agressiva por ser agressiva, ou uma triste porque é triste. De um modo geral, o gosto musical pode servir como ponte na formação de grupos, mas não são, de um modo geral, duradouros senão entre músicos profissionais.
Em literatura, me agradam poesias, contos e romances. No entanto, há uma relação direta entre o gosto literário e o músico: há uma dimensão sombria, agressiva, e outra “cor de rosa” (como diz um amigo meu). No entanto, como sou escritor, há uma mistura efetiva de tudo o que sou dentro da criação artística: isso não acontece na música porque eu não crio, apena ouço. Poderia acontecer se eu fosse músico. Muito do que eu disse na parte da definição de música também se aplica à literatura, embora sejam expressões diferentes. Naturalmente ambas lidam com sentimentos e sensações, embora a literatura possa ter mais implicações intelectuais do que a música (a não ser em poesias).
A maior diferença, no entanto, é que a literatura possui maior relevância pra mim, já que tenho o hábito de escrever e sentir as minhas próprias criações. Através da criação artística, aliás, é como se o que eu sou fosse sendo revelado por uma via que não a racional, e a criação vai, junto com outras forças, revelando a mim mesmo que eu sou, embora muitas coisas sejam impossíveis de se exprimir em meios racionais.
Em pensamento, tenho interesse por Psicologia, Filosofia (especialmente filosofia da ciência), Sociologia, e pensamento “esotérico”. Seria muita ingenuidade pensar que, num texto que não trata desse assunto especificamente, eu poderia explicar satisfatoriamente a razão dessas preferências (e nem possuo uma explicação terminada). Deixo, no entanto, nomes que me agradam: Jung, Fromm, Schopenhauer, Feyerabend, Marx, Proudhon, Kardec, Goswami, Lao Tse, etc.
Meu pensamento parece se direcionar à duas direções, e esse texto mesmo é um reflexo de ambas: Uma à compreensão do indivíduo, recorrendo a conceitos psicológicos e místicos,e outro à compreensão da sociedade em si. A primeira pra descobrir quem sou, e a segunda pra me relacionar melhor com o próximo. A despeito do meu esforço, a primeira sempre acaba sendo prioridade.
O pensamento filosófico é, por um lado, uma forma de libertar o intelecto das amarras e esquecer de regras e limites na imaginação, e por outro pra pensar o pensar: Pra expandir o conceito de realidade na medida do psicologicamente possível (porque desejos e tendências influenciam o pensamento) e tentar entender como se processou esse pensamento (porque [por algum motivo] esse é o meu maior objeto de estudo no momento).
Minha criatividade literária e intelectual se misturam em prioridade, mas a tendência é a intelectual sobrepor a sentimental: me considero melhor como filósofo do que como poeta, embora aprecie a poesia tanto quanto a filosofia¹.
Os jogos eletrônicos me atraem desde a infância. Depois que ganhei um Master System 3 com Sonic percebi que bonecos e carrinhos não eram divertidos de verdade. O vídeo game não era tão inanimado: possuía interatividade e um universo a ser descoberto. Qual não foi minha satisfação quando reuni todas as esmeraldas e percebi que aquilo limpava a terra.
Pensando sobre essa questão, as vezes vejo essa tendência como uma fraqueza ou um vício, mas nem sempre. Na verdade, percebi que meu segundo livro e sua futura continuação ficariam perfeitos se expressos em forma de jogo. Criando um jogo, eu usaria a criatividade intelectual pare conceber mecanismo a serem programados e a sentimental para dar vida literária ao roteiro (porque me aborrecem os jogos sem roteiro, sem personagens dignos de menção ou estória decente). Obvio que a criatividade intelectual seria um tanto matemática, talvez até mesmo física, e minhas aspirações psicológica e filosoficas teriam poucas utilidade nesse meio. Sendo essas aspirações as minhas preferidas, e sendo o meio intelectual o mais atraente, provavelmente a vontade de criar um jogo, mesmo unida às aspirações literárias, não terá força para se tornar prioridade, embora não precise ser prioridade pra ser executada.
Como um intuitivo, jamais poderei escapar das questões religiosas. Na verdade, me chamem de esquizofrênico, tenho o hábito de conversar com o Daimon. Pode ser um espírito, uma personalidade número 2 (Jung), um anjo da guarda ou o nome que quiserem dar. O que sei é que nos momentos de mudança, aqueles em que fico desorientado, Daimon intervém e me traz certas epifanias que basicamente definem todo o curso da minha vida. Eu ousaria dizer, aliás, que eu (enquanto Ego) executo ao invés de planejar: Não sou, de maneira alguma, o senhor do meu próprio destino. Poderia ser, mas há algo como uma potencialidade uma Semente de Carvalho(Hillman) que pede tão insistentemente para ser seguida que eu não consigo ver nada tão sedutor, tão atraente, como ouvir e seguir essa voz interna: não, não aceito argumentos de que isso é um condicionamento externo proveniente de educação religiosa ou que seja simplesmente loucura.
Tenho tendências espíritas, taoistas, Budistas e até mesmo Cristãs², mas, no final das contas, eu tenho uma visão religiosa própria, que, por ser todas essas juntas com detalhes de outras filosofias, não é nenhuma delas especificamente.
Este é, de longe, o aspecto mais relevante da minha vida, embora minhas atitudes demonstrem maior tendência para o intelectualismo: até mesmo o intelectualismo foi determinado por essa “força oculta”. Por isso que se me pedirem pra usar apenas uma palavra pra me definir de maneira inteligível, direi que sou um místico.
Depois de toda a sessão de confissão, cabe chegar ao ponto de adaptação social, tendo por base essa informação e outras relevantes que serão apresentadas a seguir.
Há dois documentários interessantes sobre o universo psicológico do Heavy metal³ que demonstram, de maneira interessante, a maneira como isso acontece.
A um músico experiente, numa entrevista, foi perguntado se ele percebia diferenças nos públicos de diferentes países.
Ele relatou que, no Japão, tocou num show em que os expectadores tiveram que ficar sentados por conta de regras rígidas típicas da cultura japonesa, o que demonstra o efeito do multiverso espacial, mas também asseverou: “Kids are Just kids. No matter where they come from” ( Jovens são só jovens. Não importa de onde vêm). Em todos os cantos, os shows de heavy metal parecem repetir certos padrões: Gente pulando e gritando, roda punk no meio da platéia... E não é só o show, mas também hábitos diários, tipo de roupa, cortes de cabelo. Na verdade, é freqüente que em diversos lugares se formem grupos de “metaleiros”, que não se organizaram por pressão da sociedade local, mas, ao contrário, à despeito da pressão contrária.
Percebi isso claramente quando ia ao Show do Matanza com colegas, todos vestidos de preto alguns com correntes e garrafas de cachaça nas mãos. Um grupo de moleques desafiando a cultura local em detrimento de outra global na qual podiam manifestar mais efetivamente a própria individualidade: porque pra ir nesse show, você tem que ser desse universo.
Esses grupos se formam, tanto física quanto virtualmente (internet) de maneira espontânea em relação a todo o tipo de universo que posso imaginar.
Há grupos de literatura, debate e pesquisa intelectual, religião (ou, no meu caso, especulação mística), música e até mesmo grupos que se reúnem pelo gosto comum por certos tipos de jogo(como o RPG). Na verdade a quantidade de universos psicológicos é tão grande que eu nem ousaria falar sobre todas elas, mas o ponto é que dificilmente encontraremos alguém que realmente vive nos mesmos universos, mas certamente encontraremos quem faça parte de algum dos nossos universos.
Em suma, para uma vivência coletiva saudável, eu me envolvo num grupo de escritores (Bar do escritor), embora não tão assiduamente, em grupos de discussão racional, de especulação mística, e até de grupos em shows de heavy metal ou de amigos de infância com os quais jogo (Worlf of Warcraft, atualmente).
Assim, mesmo sendo desajustado no conceito de grupo tradicional (o especial), ainda assim consigo me encaixar em subgrupos, que fogem completamente á compreensão tradicional e só se estabeleceram por causa dos novos meios de comunicação. Na verdade, creio que tudo isso, nesse século, possibilitará um maior desenvolvimento da individualidade humana, sendo um passo histórico nunca dado devido ás pressões locais que não tinham nada para contrapor sua força tirânica. Muito prazer, esse sou eu e é assim que me adaptei ao mundo. Espero que isso possa ser útil para alguém...
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1) Explico o fenômeno segundo os tipos psicológicos de Jung, já que sou intuitivo com função auxiliar pensamento: o sentimento vem logo depois do pensamento, tanto em prioridade quanto em desenvolvimento.
2) A despeito do fato de que eu passei anos odiando essa religião, partes dela foram integradas profundamente na minha cosmologia e me agradam profundamente.
3) Metal: a headbanger’s journey e Global Metal. Ambos podem ser encontrados na interner, tanto em blogs quanto em servidores P2P (pirate bay, mininova, etc.).
Postado por Silas às quinta-feira, março 11, 2010 1 comentários
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